A arte de ficar bem na foto e mal na história

Jornal Democrata, edição 1909 de 7 de fevereiro de 2026
A arte de ficar bem na foto e mal na história

A primeira sessão da Câmara Municipal de São José do Rio Pardo em 2026 entrou para a história — infelizmente, não pelos melhores motivos. O que deveria marcar o início dos trabalhos legislativos com sobriedade e foco no interesse público acabou se transformando em um espetáculo de exposição, ataques pessoais e constrangimento institucional. A conduta de parte dos vereadores, em especial a de Alexandre Tosini, envergonhou a Casa e acendeu um alerta importante para a política rio-pardense.

No centro do episódio esteve o projeto de aumento de subsídio dos vereadores. Tema sensível, impopular por natureza, que exige posicionamento claro, técnico e transparente. Nada disso ocorreu. Tosini, que poderia ter exercido de forma plena e legítima seu papel de oposição — apresentando projeto alternativo, formalizando discordância por escrito ou acionando órgãos de controle diante da ausência de estudo de impacto orçamentário — optou pela inércia. Não fez. Limitou-se a votar contra no momento final.

A estratégia era evidente: preservar a imagem pública diante do eleitorado e, ao mesmo tempo, manter aberta a possibilidade de usufruir do aumento, caso reeleito. O melhor dos dois mundos. O problema é que a manobra não passou despercebida. Ao subir à tribuna, Tosini assumiu um discurso moralista, tentando se colocar como bastião da ética, às custas da exposição dos próprios colegas. Não colou.

Confrontado, vieram as reações. Marcelo Clementino e Fernando Gomes responderam com baixarias, agravando o cenário. Lúcia Libânio, com serenidade e respeito, foi direta ao ponto. Todos relataram que, em reuniões prévias, Tosini havia se manifestado favoravelmente ao projeto. Na hora da votação, mudou. Pressionado, sem conseguir esclarecer a própria contradição, partiu para o ataque pessoal, despejando fatos e posturas constrangedoras de outros vereadores. Quando instado a explicar-se, recorreu ao argumento pueril de que “brinca muito”.

Fica a pergunta inevitável: estava brincando quando declarou apoio ao projeto ou quando subiu à tribuna para desqualificar os colegas e posar de paladino da moral?

O episódio deixa duas lições claras. A primeira: Alexandre Tosini demonstrou não estar preparado para os voos políticos que, à boca miúda, se anunciam pela cidade. Falta-lhe, hoje, maturidade política para cargos maiores, como o de prefeito. Talvez o tempo lhe traga essa experiência. Hoje, deixou claro não a possuir.

A segunda lição é coletiva. Marcelo Clementino, Fernando Gomes e Lúcia Libânio aprenderam, da forma mais dura, o custo da política de “boa vizinhança” com quem se apresenta — e foi eleito — como inimigo declarado do líder do grupo político ao qual pertencem. Ao apoiarem propostas e homenagens vindas desse campo adversário, esqueceram-se de quem lhes dá sustentação política. A resposta veio em público. Tosini deixou bem claro: não é amigo de nenhum deles.

É por isso que se chamam partidos. Porque pressupõem unidade, coerência e lealdade a um projeto comum. Cabe a cada um defender o seu grupo, a sua parte, partida do todo do poder. Quem não defende ninguém, por ninguém é defendido. 

Nesse ponto, goste-se ou não, Tosini foi eficiente. O recado foi dado aos colegas. Tosini mostrou ser leal aos caciques do seu partido com seu discurso: não poupou os “amigos de plenário”, companheiros de  pretéritas homenagens comuns. 

Resta saber se a lição que Tosini esfregou na cara dos colegas foi compreendida.

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