Plano Diretor aposta em zoneamento técnico para garantir crescimento ordenado em São José do Rio Pardo
Engenheiro Mário Gusmão detalha fundamentos da proposta e destaca planejamento territorial como eixo central da revisão
Exposição da proposta do plano diretor - Mário Gusmão A atualização do Plano Diretor de São José do Rio Pardo tem como foco principal a organização da expansão urbana por meio de zoneamento técnico. Em entrevista ao DEMOCRATA, o engenheiro Mário Gusmão explicou que o objetivo é permitir o crescimento da cidade sem comprometer a infraestrutura existente nem gerar custos excessivos ao município.
Segundo ele, o Plano Diretor não executa cálculos específicos de redes de água, esgoto ou energia, mas estabelece diretrizes territoriais estratégicas que orientam o desenvolvimento urbano.
“O plano define onde a cidade pode crescer, considerando por onde passarão água e esgoto, como ocorrerão os deslocamentos e quais áreas comportam expansão de forma sustentável”, afirmou.
Por que o zoneamento é decisivo?
O zoneamento urbano funciona como instrumento estruturante para evitar conflitos entre diferentes usos do solo — residencial, comercial, industrial e de serviços — promovendo desenvolvimento equilibrado.
De acordo com Gusmão, a definição prévia das áreas de expansão:
- Reduz riscos de ocupações desordenadas;
- Minimiza impactos financeiros ao poder público;
- Oferece segurança jurídica para investidores;
- Facilita o planejamento de mobilidade e infraestrutura.
A proposta conta com equipe técnica estruturada pela gestão do prefeito Marcio Callegari Zanetti, com foco específico na organização territorial.
Como funciona o controle de novos loteamentos?
Mesmo com as diretrizes municipais, novos empreendimentos precisam passar por análise estadual. O engenheiro destacou a atuação do GRAPROHAB (Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado de São Paulo), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitacional.
- O processo envolve também a CETESB e exige:
- Cálculos detalhados de redes de água;
- Sistema de coleta e afastamento de esgoto;
- Drenagem de águas pluviais;
- Definição de áreas verdes e institucionais;
- Estudos de inclinação viária e paisagismo.
Somente após essas etapas e aprovação municipal baseada no zoneamento é que o Cartório de Registro de Imóveis pode efetivar o registro do loteamento.
O Plano Diretor pode reduzir enchentes e ocupações irregulares?
Segundo Gusmão, sim — de forma indireta.

Embora o Plano Diretor não execute obras, ele cria o arcabouço legal que orienta futuras decisões sobre infraestrutura. Ao delimitar corretamente áreas aptas à expansão e impor exigências técnicas, o município tende a:
- Mitigar riscos ambientais;
- Evitar ocupação em áreas inadequadas;
- Organizar melhor o sistema viário;
- Reduzir custos públicos com correções posteriores.
A “cidade de 15 minutos” é possível?
Durante a audiência pública, foi mencionado o conceito da “cidade de 15 minutos”, modelo urbano em que moradia, trabalho, escola e serviços essenciais estejam acessíveis em até quinze minutos de deslocamento.

Gusmão reconhece o desafio de aplicar integralmente esse conceito em cidade já consolidada, mas afirma que o objetivo é melhorar a estrutura existente e projetar expansões de forma mais integrada.
“A cidade já existe. O que se pretende é melhorar o que está implantado e projetar as expansões de modo que a convivência seja mais integrada e os custos, menores para todos.”
O que está em jogo?
A revisão do Plano Diretor define como São José do Rio Pardo crescerá nas próximas décadas.

Para a população rio-pardense, compreender o zoneamento significa entender:
- Onde a cidade pode expandir;
- Quais áreas terão uso industrial ou residencial;
- Como o município buscará equilibrar desenvolvimento e qualidade de vida.





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