Veritas vincit omnia

Jornal Democrata, edição 1907 de 24 de janeiro de 2026
Veritas vincit omnia

Na semana passada, este jornal noticiou duas ocorrências policiais de alta sensibilidade. 

A primeira, marcada por uma sequência de fatos que terminou com um jovem ferido e outro morto. A segunda, igualmente grave, envolveu denúncia de violência policial, com um adolescente — sem qualquer passagem policial — apresentando hematomas no pescoço compatíveis com a sola da bota de um agente do Estado. 

Casos distintos, unidos pela mesma exigência democrática: a verdade.

Desde o início, o DEMOCRATA adotou um procedimento claro, técnico e responsável. Não expôs nomes de vítimas. 

Não nominou policial algum, apesar de acusações feitas em comentários de uma página privada de notícias policiais ligada informalmente ao 24º BPMI, que publicou inicialmente o fato e acabou fomentando um verdadeiro linchamento moral contra os policiais militares  envolvidos. 

O jornal fez o que lhe compete: apurou.

Ouviu vítimas. Ouviu testemunhas. Ouviu moradores e pessoas que passavam pelo local no momento dos fatos. E, de forma ampla, total e irrestrita, abriu espaço à Polícia Militar. 

O resultado foi uma matéria precisa, fiel ao material colhido, sem adjetivações, sem julgamentos, sem extrapolações.

O 24º BPMI optou por não se manifestar. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não se pronunciou. 

Se tivesse havido manifestação oficial, se houvesse sido concedido acesso a mais informações, tudo teria sido publicado na íntegra, com o mesmo espaço dado às demais versões apresentadas. Esse espaço, registre-se, continua aberto.

Em um sistema republicano e democrático, vítimas têm o direito ao silêncio — mas optaram por falar. 

Já instituições públicas não dispõem dessa faculdade: têm o dever de informar. Mas silenciaram.

O silêncio institucional não protege a corporação; ao contrário, aprofunda dúvidas, amplia tensões e alimenta narrativas paralelas.

A ausência de posicionamento oficial cria um vácuo que a sociedade percebe — e a imprensa registra.

É preciso deixar claro: o jornal não é responsável pelos fatos. Cabe-lhe noticiá-los. E assim procedeu, sem se acovardar e sem tomar partido. 

Partido, vale dizer, toma a própria corporação quando admite que um civil, político e blogueiro, munido de câmera corporal, acompanhe e registre ações policial em tempo real e de forma irrestrita, enquanto veículos de imprensa — repórteres, jornais e sites de toda a região — permanecem à mercê de boletins resumidos, divulgados no dia seguinte, sem acesso isonômico à íntegra dos boletins de ocorrência, como ocorria anteriormente. 

A assimetria é evidente: um blogueiro-político grava em tempo real; a imprensa aguarda 24h por versões condensadas.

Será que se o 24º BPMI houvesse se manifestado oficialmente e por vias institucionais para a imprensa regional, ao invés de permitir que sua omissão desse espaço para que um blogueiro-político com acesso a informações internas escolhesse sozinho a forma de levar a notícia, as coisas teriam seguido o fluxo que seguiram? 

Durante a semana, sob o manto do sigilo, um policial militar conversou com o editor deste jornal. Há desconforto entre alguns policiais militares em ver um civil seguir as operações com câmera corporal quase todo o tempo. Mas a hierarquia militar é clara: cabe a quem comanda decidir.

É compreensível que a corporação sinta desconforto com a matéria publicada. 

O desconforto, contudo, não decorre de qualquer desvio editorial, mas do espelho que a realidade, quando exposta com rigor, impõe.

Quem escolhe a vida do crime, sabe as consequências - legais - a que está sujeito (prisão, condenação judicial, etc).

Quem escolhe ser policial militar sabe as consequências - legais - a que está sujeito (lidar com a criminalidade preso por duros grilhões à legalidade e a obrigação de respeitar os direitos civis, por exemplo). E todos sabem as consequências que o Estado reserva a qualquer (estes ou aqueles) que se excede.

Outro policial militar comentou nas redes sociais do jornal que a verdade será divulgada “no momento certo”. É preciso dizer com clareza: o momento certo da verdade já passou. Mais sempre cabe dizer a verdade no momento presente, agora. Não há justificativa para a demora no posicionamento de um órgão público que tem, como dever constitucional, prestar informações à sociedade. Quando a palavra oficial se cala, a tensão cresce. A sociedade sente. A imprensa sente. E noticia a vibração deste tensionamento. 

O DEMOCRATA jamais defendeu criminosos, como foi insinuado pelo policial militar que conversou com o editor. 

Este DEMOCRATA defende a verdade. Porque a verdade liberta. 

E somente a justiça — construída sobre fatos, transparência e responsabilidade — é capaz de trazer paz social.

Não foi este jornal que arrastou a imagem da polícia militar para esta situação. 

Houve um tempo em que a sabedoria dos mais velhos funcionava. Naquele tempo se dizia que “quem fala a verdade, não merece castigo”.  Talvez esses tempos tenham passado. Talvez, não.

DEMOCRATA seguirá narrando sempre a verdade apurada, dando espaço a todos igualmente.

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