Jonatas Outeiro

Famílias em Conserva


Famílias em Conserva Jornal Democrata, edição 1911 de 21 de fevereiro de 2026

Nos dias que sucederam o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, uma imagem em especial ecoou com força nos lares cristãos: famílias representadas dentro de latas de conserva. Para muitos, tratou-se de uma crítica cultural; para outros, de uma expressão artística provocativa. Mas, para grande parte das famílias cristãs, aquilo soou como uma caricatura que reduzia valores sagrados a algo a ser armazenado, isolado ou até mesmo descartado.

Entretanto, ironicamente, a própria imagem utilizada abre espaço para uma reflexão profundamente bíblica. Em Evangelho de Mateus 5:13, o Senhor declara: “Vós sois o sal da terra”. Não é uma metáfora vazia. O sal, na antiguidade, possuía funções essenciais — ele conservava, purificava e até era utilizado como elemento terapêutico. Sem refrigeração, era o sal que impedia a corrupção dos alimentos. Sem ele, a deterioração era rápida e inevitável.

Assim também são as famílias cristãs no mundo. Longe de serem um elemento retrógrado ou irrelevante, elas são, pela graça de Deus, instrumentos de preservação moral, espiritual e social. Quando fundamentadas na Palavra, essas famílias não apenas resistem à corrupção, mas também exercem influência que impede que a sociedade se desintegre completamente.

O sal conserva. Ele impede o apodrecimento. De igual modo, famílias que vivem os princípios das Escrituras preservam valores como fidelidade, compromisso, respeito, temor a Deus e amor sacrificial. Em um tempo em que tais valores são frequentemente relativizados, a presença dessas famílias atua como um freio contra o colapso moral.

O sal também purifica. Ele limpa, trata, impede a propagação de impurezas. A vivência cristã autêntica, dentro do lar, purifica relações, restaura vínculos e aponta para um padrão mais elevado de vida. Onde há famílias comprometidas com Deus, há também testemunho, luz e transformação.

E não menos importante, o sal servia como remédio. Aplicado em feridas, ele ardia — mas também curava. Assim é a verdade bíblica vivida no seio familiar: muitas vezes confronta, incomoda, expõe o erro; mas, ao final, traz cura, restauração e vida.

Diante disso, a tentativa de retratar famílias cristãs como algo “enlatado” revela, no fundo, uma incompreensão do seu verdadeiro papel. Se há conservação, não é porque estão isoladas do mundo, mas porque cumprem exatamente a função que lhes foi dada por Deus: impedir que o mundo se corrompa por completo.

A verdade é que, se não fossem as famílias alicerçadas na Palavra de Deus, o cenário seria ainda mais sombrio. A degradação moral, a banalização da vida, o esvaziamento de sentido e a dissolução dos relacionamentos avançariam sem qualquer resistência. O sal pode não ser sempre notado, mas sua ausência é imediatamente percebida.

Portanto, longe de ser motivo de escárnio, a imagem da conservação pode ser ressignificada à luz das Escrituras. O cristão é sal — e isso implica responsabilidade. Não para se esconder, mas para influenciar; não para se isolar, mas para preservar; não para se conformar, mas para transformar.

E enquanto houver famílias firmadas em Deus em sua santa Palavra, haverá ainda esperança de preservação, purificação e cura para um mundo que, sem o sal, já teria há muito sucumbido.


Rev. Jônatas Outeiro, pastor da Igreja Presbiteriana de Mococa




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