Márcio Chaves
Justiça, ainda que tardia
Foram anos difíceis em Mococa.
A gestão da ex-prefeita Maria Edna Maziero terminou deixando uma verdadeira herança maldita.
Cerca de R$ 5 milhões em dívidas de empresas e particulares com a Prefeitura de Mococa prescreveram.
A saúde estava às portas do caos devido a contratos celebrados entre a Prefeitura e a Santa Casa, considerados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Orçamento a cidade sempre teve; a questão estava na utilização dos recursos.
Para a saúde, o projeto esbarrou em diversos empecilhos, todos eles opostos por interesses particulares de algumas poucas pessoas.
A inauguração da UPA foi hostilizada por Barison, então vereador, e por seu grupo político. A duras penas, conseguiu-se concluir a reforma e entregar ao povo de Mococa mais um espaço de atendimento.
Mas não durou. Barison venceu a eleição seguinte e, desde então, o prédio encontra-se abandonado, após sofrer pequenos danos no telhado.
Danos que serviram de justificativa para transferir novamente o pronto-socorro à Santa Casa, reduto político de seu grupo há anos
O projeto impedido pelo MPSP de ser implementado previa o pagamento de médicos efetivamente à disposição da população, não apenas de forma distante. Se contratados por 6 horas, seriam 6 horas dedicadas a Mococa. Não seria atender quatro pacientes e ir embora.
O governo municipal havia elaborado um projeto que aumentava o número de médicos e de atendimentos. Pessoalmente, ouvi de um médico de Mococa que isso seria ruim porque traria “gente de fora” para atuar na cidade. Essa mentalidade fala por si.
O aumento na oferta de médicos, consultas, exames e medicamentos implicava naturalmente em maior investimento em saúde.
Ainda assim, fomos surpreendidos por acusações absurdas, divulgadas em coletiva de imprensa pelos promotores e pelo então subprocurador.
Eram acusações graves, porém totalmente dissociadas da verdade.
Logo após, o processo contra mim e outros foi colocado em segredo de justiça, o que impediu nossa defesa perante a opinião pública.
Pesava contra mim o fato de ter me oposto às laqueaduras compulsórias, praticadas em Mococa pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio de um promotor.
Recordo-me de que, pouco antes da coletiva, o promotor Gabriel Marson sorria, feliz com a sala cheia. Ao ligarem as câmeras, seu semblante mudou: passou a falar de um acusação contra uma suposta súcia de malfeitores com semblante pesado.
Sem provas concretas, apenas com testemunhos, o processo foi instaurado e sentenciado em Mococa.
Como sempre digo, é um absurdo pensar que algumas pessoas julgam que suas opiniões — amparadas apenas por um sobrenome de uma elite decadente, por conta bancária ou posição social — valem mais do que os fatos.
Infelizmente, algumas autoridades alinham-se a esse raciocínio.
Felizmente, não foi o caso dos julgadores em São Paulo.
Restou comprovado que não houve dolo. Restou comprovado que não houve prejuízo algum ao município.
O processo, sob segredo de justiça, não permite ampla divulgação, mas ficou claro que a suposta origem do prejuízo estava baseada apenas em opiniões de algumas pessoas.
Particularmente, foi triste ver pessoas que considerei companheiros de jornada participarem disso. Faz parte da vida: a gente aprende e cresce.
O projeto que buscava melhorar o atendimento de saúde em Mococa como nunca antes havia sido feito morreu. Voltou para as mãos e sobrenomes que antes o controlavam.
O promotor Frederico Liserre Barrufini, responsável pelas laqueaduras compulsórias, recebeu 15 dias de suspensão.
Nenhum dos envolvidos nas laqueaduras respondeu por crime — embora se trate de um crime contra a humanidade, segundo convenção da qual o Brasil é signatário.
O Estado teve prejuízo de mais de R$ 100 mil em decorrência de pelo menos uma laqueadura compulsória. Ninguém foi responsabilizado.
E nós é que fomos tratados como bandidos!
Agora, a justiça foi feita.
O Ministério Público deveria convocar uma nova coletiva, chamar-nos e apresentar nossa inocência. Mas é claro que não fará isso. Somente jogaram nossos nomes na lama da opinião pública e seguiram com suas vidas, recebendo dos mais altos salários pagos com dinheiro público ao funcionalismo brasileiro.
Os R$ 5 milhões que algumas empresas e pessoas deviam para a prefeitura Mococa, que seriam usados para benefícios para o povo de Mococa, prescreveram sob a mão de Maria Edna. A prefeitura não propôs execução fiscal e o crédito prescreveu. só isso.
Nesse caso o promotor de Justiça disse que não pôde identificar qualquer responsável. Arquivou.
Alguém sabe dizer o nome das empresas e das pessoas que lucraram com este prejuízo do povo de Mococa? Quem lucrou?
Pois é.
Barison e seu grupo pegaram a saúde de volta para administrar.
Melhorou?
Tem mais médicos?
Tem mais remédios?
A educação, melhorou?
Pois é.



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