Márcio Chaves
O triunfo do ódio
Nos últimos dias vimos cenas preocupantes: pessoas comemorando a morte de um ativista cristão nos Estados Unidos, e no Brasil, setores da esquerda radical – acompanhados por parte da imprensa alinhada – celebrando a condenação do ex-presidente Bolsonaro, mesmo diante de vícios jurídicos evidentes que colocam em xeque a legitimidade dos julgadores e do processo.
O que une esses episódios é algo maior que a disputa política: o triunfo do ódio sobre a razão.
Deputados estaduais de esquerda vieram a São José do Rio Pardo participar de uma audiência pública sobre Lei Orçamentária de 2026 do estado de São Paulo. Usaram o espaço para política partidária, criticando duramente o governador e políticas públicas de direita. Perverteram a ideia do espaço.
Quando a sociedade passa a festejar a morte de um adversário ou a ruína de um opositor, algo essencial se perde.
O debate democrático exige confronto de ideias, não a desumanização do outro.
Reduzir quem pensa diferente a inimigo a ser eliminado – física, política ou simbolicamente – é um atalho para a barbárie.
O ódio crescente que corrói as relações públicas e privadas não conhece lógica: é visceral, cego e destrutivo.
Ele impede a empatia, fecha portas para a escuta e transforma cada divergência em guerra. Esse clima não serve à democracia, apenas à intolerância.
Combater esse fenômeno é urgente. Não com mais agressividade, mas com informação sólida, compaixão genuína e, sobretudo, diálogo.
Não se trata de abrir mão de convicções, mas de reconhecer que nenhuma sociedade sobrevive quando a vitória de uns depende da humilhação ou da eliminação de outros.
Se queremos preservar a democracia, é preciso resgatar a humanidade do adversário.
Sem isso, restará apenas um país partido, incapaz de conviver consigo mesmo.



COMENTÁRIOS