Márcio Chaves
A importância da vida e do respeito por quem sofre
O mês de setembro é marcado, em todo o Brasil, pela campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio. Mais do que uma data simbólica, trata-se de um convite para refletirmos sobre a importância de cuidar da saúde mental e estender a mão a quem sofre em silêncio.
Quando os pensamentos pesam demais
Todos nós, em algum momento da vida, enfrentamos dificuldades, perdas, frustrações e períodos de tristeza. Isso é parte da experiência humana. No entanto, quando esses sentimentos tornam-se intensos, duradouros e passam a gerar a sensação de que “não há saída”, é preciso acender um sinal de alerta.
Ter pensamentos de morte ou de acabar com a própria vida não é fraqueza, tampouco falta de fé. É um sintoma de sofrimento psíquico que merece atenção e cuidado, da mesma forma que tratamos uma dor no corpo ou uma doença física.
A importância de procurar ajuda
Buscar ajuda profissional é um passo essencial. Psiquiatras, psicólogos e equipes de saúde mental estão preparados para oferecer suporte técnico, acompanhamento e, quando necessário, tratamento medicamentoso. O tratamento pode devolver o equilíbrio, aliviar a dor emocional e permitir que a pessoa recupere o sentido da vida.
Além disso, conversar com alguém de confiança — familiares, amigos, líderes comunitários ou religiosos — pode ser um alívio imediato. O silêncio alimenta o sofrimento; a fala abre caminho para a esperança.
O tratamento salva vidas
A depressão e outros transtornos relacionados ao suicídio têm tratamento eficaz. Existem recursos terapêuticos modernos, psicoterapia, grupos de apoio e medicações seguras que podem transformar o quadro clínico. O acompanhamento próximo permite não apenas a redução dos sintomas, mas também a reconstrução de uma vida com qualidade, propósito e prazer.
É importante lembrar: ninguém precisa enfrentar essa batalha sozinho. O apoio da rede de saúde, da família e dos amigos é um dos pilares mais importantes da recuperação.
O papel da família e dos amigos: acolher sem julgar
Quando uma pessoa manifesta pensamentos suicidas, a reação de quem está por perto é decisiva. Infelizmente, muitos ainda recorrem a frases como “isso é fraqueza” ou “é falta de Deus”, que apenas aumentam a culpa e o isolamento de quem já sofre.
O que realmente ajuda é acolher com empatia, escutar sem interromper, demonstrar presença e cuidado. Não é preciso ter todas as respostas, mas sim oferecer companhia e apoio na busca por tratamento.
Amigos e familiares devem ser parceiros de caminhada, incentivando a pessoa a procurar ajuda profissional e acompanhando-a nos momentos difíceis. O julgamento afasta; o acolhimento aproxima e salva vidas.
Tudo passa, tudo se ajeita
Nos momentos de maior dor, é comum acreditar que o sofrimento será eterno. Contudo, a história clínica de milhares de pacientes mostra que isso não é verdade. As crises passam. O desespero dá lugar ao alívio. O que parecia insolúvel encontra solução.
Assim como tempestades não duram para sempre, a vida também encontra maneiras de se reorganizar. Muitas vezes, depois do tratamento, a pessoa consegue ressignificar sua experiência, descobrir novas forças e reconstruir sua trajetória.
Preste atenção antes de falar
Se você soube de um caso de suicídio, preste muita atenção antes de sair falando. Não julgue quem não conhece: você não sabe a dor que a pessoa enfrentava ou suas condições.
Tenha empatia!
Não curta, compartilhe ou comente qualquer notícia de suicídio. Não leve isso adiante: pode ter o fator de incentivar outras pessoas com esses pensamentos.
Não julgue a família ou amigos da pessoa. Você não sabe o que aconteceu, não se meta onde não foi chamado.
Se puder, não siga páginas que exploram esse tipo de dor. É coisa de gente baixa, vil, mesquinha, que quer disseminar dor e ferir pessoas em troca de curtidas em redes sociais.
Não faça da tragédia de pessoas que sofrem madeira pra queimar fofoca. Pode acontecer com sua família. Você gostaria de ver sua família ser tratada como você trata família dos outros em momentos assim?
Tenha empatia, respeite as pessoas, respeite as famílias!
Uma mensagem final
Se você está enfrentando pensamentos de morte ou conhece alguém nessa situação, não hesite em procurar ajuda. O CVV – Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Procure também a unidade de saúde mais próxima.
Lembre-se: a vida é maior que qualquer dor momentânea. Tudo passa. Tudo se ajeita. E viver é sempre a melhor escolha.



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