Fabrício Menardi

Crise no Irã: protestos, tensão internacional e desafios internos

Da Redação - O Irã atravessa um momento de intensa turbulência política, econômica e social, marcado por protestos massivos, ameaças externas e um clima de hostilidade geopolítica que desafia a estabilidade do regime teocrático desde a Revolução Islâmica


Crise no Irã: protestos, tensão internacional e desafios internos

Protestos nacionais e insatisfação popular

Nas últimas semanas, ondas de protestos têm se espalhado por grande parte das 31 províncias do país, em uma das maiores mobilizações civis dos últimos anos. O levante começou no final de dezembro de 2025, motivado pela deterioração da situação econômica — com inflação galopante e uma moeda nacional em queda livre. O rial iraniano perdeu valor de forma acelerada frente ao dólar, impulsionando a inflação e elevando drasticamente os preços de alimentos e bens essenciais, o que intensificou o descontentamento popular. 

Inicialmente concentradas em demandas econômicas, as manifestações rapidamente evoluíram para exigências mais amplas de mudança política e críticas diretas à liderança clerical. Em várias cidades, manifestantes passaram a entoar slogans contra o sistema teocrático e apoio a líderes da oposição no exterior. 

Organizações de direitos humanos e relatos de imprensa indicam que o movimento encontrou resposta violenta das forças de segurança. Autoridades iranianas reportaram a morte de dezenas de policiais e membros de segurança durante confrontos, ao passo que ativistas civis relatam um número significativo de mortos entre manifestantes — cifras que são difíceis de verificar de forma independente. 

Governança, repressão e retórica estatal

O governo, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian, procurou enquadrar os protestos como resultado de influências externas e esforços de desestabilização promovidos por potências estrangeiras como os Estados Unidos e Israel, uma narrativa tradicionalmente utilizada pelo regime frente a crises internas significativas. Líderes estatais alertaram que qualquer intervenção externa, inclusive militar, seria respondida com firmeza. 

Enquanto isso, o judiciário e o alto escalão político classificaram partes dos protestos como atos de “terrorismo” e “conluio com inimigos estrangeiros”, pressupondo que agentes externos estariam infiltrados para fomentar o levante — tática retórica recorrente no discurso oficial. 

Divisões e oposição organizada

No exterior, grupos de oposição iranianos ganham maior visibilidade. Figuras como Reza Pahlavi, herdeiro do último xá do Irã, emergem como símbolos de uma alternativa política para parte da diáspora e de setores contrários ao regime teocrático. Apesar de fragmentada, essa oposição reivindica reformas democráticas e galvaniza setores do movimento de protesto dentro e fora das fronteiras iranianas. 

Relações externas e risco de escalada

O cenário interno se agrava diante de tensões geopolíticas regionais e internacionais. Desde meados de 2025, confrontos diretos entre Irã e Israel, que culminaram em ataques a instalações militares e nucleares iranianas, transformaram as relações entre os dois países em um conflito aberto, com centenas de vítimas e desaquecimento de infraestruturas estratégicas. 

A administração dos EUA também adota uma postura firme: além de considerar opções militares em resposta à violência no Irã, Washington impôs tarifas de 25% sobre países que mantenham relações comerciais com Teerã — movimento considerado punitivo e que amplia ainda mais a pressão sobre o Irã. 

Crises internas crônicas e desafios estruturais

Além das manifestações e pressões externas, o Irã enfrenta problemas sociais de longa data que alimentam a frustração popular:

  • Crise hídrica severa, com reservatórios abaixo de níveis críticos devido a décadas de uso insustentável e políticas agrícolas ineficazes. 
  • Sanções econômicas internacionais contínuas, que restringem o comércio e agravam as dificuldades econômicas. 
  • Repressão política e limitações à liberdade de expressão, que mantêm a sociedade polarizada e limitam canais formais de manifestação política. 

O Irã em um ponto de inflexão?

O Irã atualmente se encontra em um ponto crítico: uma combinação de desgaste econômico, pressões sociais crescendo, uma elite política defensiva e um ambiente internacional cada vez mais hostil. O desdobrar desses eventos terá fortes implicações não apenas para o futuro político interno do Irã, mas também para a estabilidade regional no Oriente Médio e para as relações do país com potências globais nas próximas décadas.



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