Fernanda Ferreira
Relacionamentos Abusivos: como identificar e buscar ajuda
Muitas vezes, um relacionamento abusivo não começa com violência explícita. Ele se instala de forma sutil, através de críticas, controle e desrespeito. Reconhecer os sinais é essencial para proteger sua saúde emocional e física.
Tipos de abuso em relacionamentos
- Abuso psicológico: manipulação, chantagem emocional, humilhações, críticas constantes, isolamento de amigos e familiares.
- Abuso físico: empurrões, tapas, socos, agressões diretas ou indiretas.
- Abuso sexual: pressão ou obrigar a ter relações sexuais sem consentimento.
- Abuso financeiro: controlar dinheiro, impedir o(a) parceiro(a) de trabalhar, limitar acesso a recursos financeiros.
- Abuso digital: invadir redes sociais, controlar mensagens, expor ou ameaçar expor fotos íntimas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)
Estima-se que 1 em cada 3 mulheres no mundo (cerca de 30%) já sofreu violência física ou sexual de um parceiro íntimo ao longo da vida.
A violência de parceiro íntimo é a forma mais comum de violência contra mulheres globalmente.
As consequências não são apenas físicas: relacionamentos abusivos aumentam o risco de depressão, ansiedade, abuso de substâncias, ideação suicida e diversos problemas de saúde.
A OMS destaca que a violência em relacionamentos íntimos é um grave problema de saúde pública e de direitos humanos.
Questionário: você pode estar vivendo um relacionamento abusivo?
Perguntas para refletir (para mulheres e homens):
- Você sente medo da reação do(a) parceiro(a)?
- Precisa pedir “permissão” para sair, trabalhar ou falar com alguém?
- É constantemente humilhado(a) ou diminuído(a)?
- Seu parceiro(a) já te empurrou, bateu ou ameaçou fisicamente?
- Você sente que não pode ser você mesmo(a) perto dessa pessoa?
- Seu dinheiro ou trabalho são controlados por ele(a)?
- Ele(a) já invadiu suas redes sociais ou celular sem consentimento?
Se você respondeu sim a uma ou mais perguntas, pode estar em um relacionamento abusivo.
Onde buscar ajuda?
Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher (funciona 24h, gratuito e sigiloso).
Disque 190 – Polícia Militar (em casos de emergência).
Delegacias da Mulher – atendimento especializado.
Rede de apoio – amigos, familiares, grupos de acolhimento.
Terapia – é um espaço seguro para compreender, fortalecer-se emocionalmente e construir caminhos para sair do ciclo de violência.
Lembre-se: ninguém merece viver em um relacionamento marcado pelo medo ou pela dor. Buscar ajuda é um ato de coragem e o primeiro passo para a liberdade. A solução existe e você não está sozinho(a).
Texto por Fernanda Ferreira da Silva - Psicóloga – Analista do Comportamento
Referências científicas
Organização Mundial da Saúde (2013). Global and regional estimates of violence against women: prevalence and health effects of intimate partner violence and non-partner sexual violence. Geneva: WHO.
Organização Mundial da Saúde (2021). Violence against women prevalence estimates, 2018. Geneva: WHO.
Dutton, D. G., & Goodman, L. A. (2005). Coercion in intimate partner violence: Toward a new conceptualization. Sex Roles, 52, 743–756.
Heise, L., & García-Moreno, C. (2002). Violence by intimate partners. In: E. Krug et al. (Eds.), World Report on Violence and Health. Geneva: World Health Organization.
Walker, L. E. (2017). The Battered Woman Syndrome (4th ed.). New York: Springer.
Brasil. (2006). Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha). Diário Oficial da União.



COMENTÁRIOS