Fernanda Ferreira

Atenção e afeto no cuidado: A importância da ABA no tratamento de crianças autistas


Atenção e afeto no cuidado: A importância da ABA no tratamento de crianças autistas

Por Fernanda Ferreira, psicóloga

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. Cada criança com TEA é única, trazendo consigo um mundo particular de percepções, interesses e formas de se expressar. Justamente por essa singularidade, o tratamento deve ser pensado de maneira individualizada, respeitosa e, acima de tudo, humana. É nesse cenário que a Análise do Comportamento Aplicada — ou ABA (Applied Behavior Analysis) — se destaca como uma abordagem cientificamente validada e profundamente transformadora.

A ABA é uma ciência aplicada que estuda como o ambiente influencia o comportamento e como mudanças planejadas nesse ambiente podem promover novos aprendizados e habilidades. No tratamento do autismo, ela é usada para ensinar desde habilidades básicas — como contato visual e comunicação funcional — até competências complexas, como resolução de problemas e interação social. Tudo é estruturado com base em objetivos claros, avaliação constante e reforço positivo, para que a criança aprenda de forma natural, motivada e com experiências que façam sentido para sua vida.

A ABA utiliza princípios e técnicas baseados na análise do comportamento para promover habilidades e reduzir comportamentos que possam prejudicar a qualidade de vida da criança. Mas muito além de números, protocolos e metas, o trabalho com ABA é sobre criar conexões seguras, onde a criança se sinta acolhida, compreendida e motivada a explorar o mundo ao seu redor. Cada pequena conquista — como manter contato visual, pedir um objeto ou interagir com um colega — é celebrada como um grande passo em direção à autonomia.

A prática eficaz da ABA exige sensibilidade. O terapeuta não apenas observa comportamentos, mas percebe emoções, sinais sutis e necessidades que nem sempre são ditas. É um processo que valoriza a paciência e a persistência, porque os avanços podem ser graduais, mas são consistentes quando a intervenção é feita com dedicação e afeto. Ao mesmo tempo, envolve a família como parte essencial, oferecendo estratégias para que o aprendizado continue fora do ambiente terapêutico e se integre ao cotidiano.

No fundo, a ABA é mais do que uma técnica: é uma ponte que liga a criança ao mundo e o mundo à criança. É um convite ao desenvolvimento, ao diálogo e ao respeito às diferenças. Quando aplicada com carinho e atenção genuína, ela não apenas melhora habilidades funcionais, mas também contribui para que a criança construa relações mais significativas e tenha mais oportunidades de participar plenamente da vida em sociedade. Afinal, cada criança, independentemente de suas condições, merece viver em um ambiente onde possa se desenvolver, ser feliz e se sentir amada.



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