Atacado e Serviços devem fechar 2025 com crescimento moderado e desafios macroeconômicos, aponta FecomercioSP

Para 2026, expectativa é de recuperação lenta, condicionada à queda dos juros, inflação controlada e retomada gradual do consumo

Jornal Democrata, edição 1902 de 20 de dezembro de 2025
Atacado e Serviços devem fechar 2025 com crescimento moderado e desafios macroeconômicos, aponta FecomercioSP

As projeções para o encerramento de 2025 indicam um desempenho positivo, porém mais lento, dos setores de Comércio Atacadista e Serviços no Brasil. O cenário é marcado por juros elevados, crédito restrito, alto endividamento das famílias e desaceleração do consumo, segundo análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Levantamentos do Conselho do Comércio Atacadista e do Conselho de Serviços mostram que, apesar das dificuldades macroeconômicas, ambos os setores mantêm crescimento, sustentados pelo mercado de trabalho ainda aquecido, pela resiliência empresarial e por segmentos ligados ao consumo essencial, logística e tecnologia.

Comércio Atacadista cresce 0,4% em 2025

O Comércio Atacadista deve encerrar 2025 com crescimento estimado de 0,4% no faturamento real, refletindo a perda de fôlego ao longo do ano. Após um início impulsionado pelas vendas do fim de 2024, o setor enfrentou retração no segundo trimestre, com destaque para junho (-3,9%), pressionado pelos juros altos, crédito caro, estoques elevados no varejo e menor disposição ao consumo.



TABELA 1 VARIAÇÃO DO FATURAMENTO DO COMÉRCIO ATACADISTA — BRASIL Entre 2024 e 2025 Fonte: Abad | Elaboração: FecomercioSP


No segundo semestre, houve recuperação gradual, ainda insuficiente para uma retomada robusta. Para Ronaldo Taboada, presidente do Conselho do Comércio Atacadista da FecomercioSP, o setor demonstrou capacidade de adaptação, mas exige planejamento e eficiência diante do ritmo mais lento.

Mesmo com crescimento modesto, o emprego formal no Atacado avançou 3,2% até setembro, com destaque para produtos de consumo não alimentar, alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e representantes comerciais.

Serviços crescem cerca de 3% e seguem liderando o emprego

O setor de Serviços deve fechar 2025 com crescimento próximo de 3% no volume de atividades, segundo estudo baseado na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS/IBGE). Em setembro, o setor atingiu o maior patamar da série histórica, com alta de 4,1% em relação ao mesmo mês de 2024 e avanço de 19,5% frente ao período pré-pandemia.



Tabela 2 pesquisa mensal do setor de serviços  indicadores do volume de serviços, segundo atividades de divulgação brasil — setembro 2025 — variação (%)


Os principais destaques foram transportes, logística e correio, com crescimento de 6,1%, impulsionados pelo transporte rodoviário de cargas e pelo comércio eletrônico, além de informação e comunicação, que avançaram 4,9%, beneficiados pela digitalização. Já os serviços prestados às famílias apresentaram desempenho mais fraco, impactados pelos juros elevados e maior comprometimento da renda.

No mercado de trabalho, os Serviços seguem como principal motor da geração de empregos, com 961 mil vagas formais criadas até outubro, especialmente nos segmentos de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias e administrativas.

Inflação sob controle, mas juros e inadimplência preocupam

A inflação medida pelo INPC deve encerrar 2025 em torno de 4,3%, acima do centro da meta, porém sem pressões significativas. No Atacado, a desaceleração do IPA contribui para preços mais estáveis.




Em contrapartida, a inadimplência das famílias na capital paulista subiu de 8,1% em março para 9,2% em novembro, segundo a PEIC/FecomercioSP, limitando o consumo e impactando diretamente o Atacado e os Serviços voltados às famílias.

Perspectivas para 2026 indicam recuperação gradual

Para 2026, a FecomercioSP projeta um cenário um pouco mais favorável, condicionado à redução gradual da taxa de juros, inflação mais controlada e retomada lenta da renda e do consumo. A recuperação, porém, não será automática e dependerá do comportamento do crédito e do mercado de trabalho.

Recomendações aos empresários

Diante do cenário, a entidade recomenda que empresários adotem uma postura estratégica, com foco em:

  • disciplina financeira e controle rigoroso de custos;
  • gestão eficiente de estoques e fluxo de caixa;
  • investimentos seletivos em produtividade e digitalização;
  • cautela na tomada de crédito;
  • acompanhamento constante do cenário econômico para o planejamento de 2026.

Publicidade



Ouça o áudio da Matéria





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.