Jonatas Outeiro

O Amor de Deus é Revelado em Cristo


O Amor de Deus é Revelado em Cristo Jornal Democrata, edição 1906 de 17 de janeiro de 2026

A passagem de João 3:16-21 é amplamente conhecida como “o evangelho em miniatura”. Embora seja frequentemente memorizada e exibida em diversos contextos sociais, sua profundidade teológica muitas vezes acaba obscurecida pela familiaridade. Para compreender sua essência, devemos olhar para o contexto do encontro de Jesus com Nicodemos, um mestre da Lei que, apesar de sua correção moral, estava espiritualmente morto e desconhecia a graça. Jesus esclarece que ninguém pode entrar no Reino sem o novo nascimento e que a salvação depende da fé no Filho que seria levantado no madeiro.

O ponto de partida do evangelho não reside na busca do homem por Deus, mas no amor de Deus pelo homem. Este é um amor soberano, livre e imerecido, que não reage a algo amável em nós, mas se antecipa e age por iniciativa própria. Na teologia joanina, o termo “mundo” não se refere a cada indivíduo sem exceção, mas à humanidade caída e hostil, o que torna o evangelho espantoso: Deus amou Seus inimigos. O preço desse amor foi o sacrifício de Seu Filho unigênito, entregue não apenas para ensinar, mas para morrer. Assim, a salvação do crente nasce na eternidade, no coração de Deus, e não em seu próprio desempenho ou decisão.

A vinda de Cristo ao mundo teve um propósito estritamente misericordioso: salvar e não condenar. É fundamental entender que o mundo já se encontrava debaixo da ira divina e da condenação devido ao pecado; portanto, Cristo veio para retirar o pecador de uma sentença que já existia. Ele se apresenta como o único caminho e a única ponte entre Deus e os homens. Nesse cenário, a incredulidade não é uma posição neutra, mas uma rebelião e um sinal de julgamento presente. Enquanto aquele que crê desfruta de uma justificação plena e real, aquele que não crê já está julgado por rejeitar a única esperança de salvação.

A razão da condenação humana reside na rejeição deliberada da luz. O problema do ser humano não é a falta de informação, mas uma inclinação moral ao mal; os homens amam as trevas porque elas escondem suas obras e seu orgulho. Cristo, como a luz verdadeira, expõe o que o coração deseja esconder. Em contrapartida, a evidência da fé verdadeira e da regeneração é a transparência e a busca constante pela luz. O crente reconhece que todas as suas boas obras são, na verdade, resultado da obra de Deus nele. Viver na luz significa um estado de arrependimento constante e alegria na transformação operada por Cristo.

A história da redenção apresenta um Deus que ama soberanamente e um Filho dado sacrificialmente diante de um mundo sob condenação. Diante dessa luz que brilha, somos chamados a examinar nossa própria fé e a fugir das trevas, submetendo-nos ao escrutínio da Palavra. O convite para o cristão é que continue permitindo que a luz o molde, enquanto o apelo para o perdido é que creia no Filho hoje, antes que a noite eterna caia.

Rev. Jônatas Outeiro



COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.