Jonatas Outeiro

Uma Conversa Reveladora


Uma Conversa Reveladora Jornal Democrata, edição 1905 de 10 de janeiro de 20206

 O encontro entre Jesus e Nicodemos, registrado em João 3.1-15, éuma daquelas conversas que atravessam os séculos e continuam a falarprofundamente ao nosso coração. Assim como certas palavras jámudaram nossa vida, essa conversa revela a verdade sobre quem somos,do que precisamos e onde está nossa esperança. Nicodemos, um homemrespeitado, religioso, conhecedor das Escrituras e membro da eliteespiritual de Israel, procura Jesus durante a noite. Talvez temesse aopinião dos outros, talvez buscasse um momento de silêncio paradialogar. Mas João deixa claro que essa “noite” tambémsimboliza a escuridão espiritual que ainda envolvia seu coração,apesar de toda sua erudição.


Ele se aproxima de Jesus com elogios, reconhecendo que os sinaisapontavam para alguém vindo de Deus. Mas Jesus, que conhece ointerior humano, vai direto ao ponto: ninguém pode ver o Reino deDeus se não nascer de novo. A palavra usada por Jesus, “anōthen”,significa tanto “de novo” quanto “do alto”. Nicodemos entendeapenas o sentido natural, mas Jesus fala de uma obra divina. O novonascimento não é fruto de esforço humano; é algo que recebemos.Assim como ninguém decide nascer fisicamente, ninguém produz seupróprio nascimento espiritual. É Deus quem concede vida. Sem essaregeneração, o Reino permanece invisível e incompreensível.Nenhuma posição, conhecimento, moralidade ou bondade humana podeabrir as portas do céu. Somente o novo nascimento pode.


Confuso, Nicodemos questiona como isso seria possível. Jesus entãofala da água e do Espírito, retomando a promessa de Ezequiel 36,onde Deus prometeu purificar Seu povo e dar um novo coração. A águasimboliza a limpeza do pecado; o Espírito, a transformaçãointerior. O que nasce da carne continua sendo carne — limitado,caído, incapaz de se aproximar de Deus. Mas o que nasce do Espíritoé espírito — renovado, vivificado, sensível às coisas do alto.Jesus compara a ação do Espírito ao vento: não o vemos, não ocontrolamos, mas percebemos seus efeitos. Assim é a obra da graça.Não podemos produzi-la, mas quando ela sopra sobre nós, a mudançaé evidente: fé, arrependimento, nova vida.


Nicodemos, mestre em Israel, ainda não compreendia. Jesus o lembrade que até mesmo os grandes conhecedores podem estar cegosespiritualmente. A incredulidade humana revela nossa incapacidadenatural de receber as verdades de Deus. A fé não nasce dointelecto, mas da ação soberana do Espírito. Jesus então afirmaque somente Ele, que desceu do céu, pode revelar as coisascelestiais. E, lembrando o episódio da serpente de bronze nodeserto, anuncia que Ele mesmo seria levantado — na cruz e naglória — para que todo aquele que olhar para Ele com fé recebavida eterna. Assim como os israelitas eram curados ao olhar para aserpente, nós somos salvos ao olhar para Cristo. Mas até esse olharé fruto da regeneração que o Espírito opera.


No fim, Jesus desmonta o orgulho religioso de Nicodemos e de todosnós. A entrada no Reino não depende de linhagem, mérito ouconhecimento, mas de uma intervenção graciosa e poderosa de Deus. Onovo nascimento é a porta; Cristo é o caminho; o Espírito é quemnos conduz. Essa conversa continua ecoando hoje, chamando-nos aabandonar a confiança em nós mesmos e a descansar na obra perfeitade Cristo, que nos dá vida nova e eterna.

Rev. Jônatas Outeiro



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