Fernanda Ferreira

Esquizofrenia na infância: sinais e diagnósticos. O que fazer?


Esquizofrenia na infância: sinais e diagnósticos.  O que fazer?

Por Fernanda Ferreira da Silva – Psicóloga Analista do Comportamento

A esquizofrenia é um transtorno mental grave, caracterizado por alterações na percepção da realidade, pensamento, afeto e comportamento. Embora sua forma mais comum apareça no final da adolescência ou início da vida adulta, também pode se manifestar precocemente — nesse caso, chamamos de Esquizofrenia de Início Precoce (EIP).

O que observar na infância?

Os sintomas podem variar, mas os principais sinais de alerta incluem:

  • Alucinações auditivas (vozes que não existem);
  • Delírios ou crenças bizarras sem base na realidade;
  • Comportamento desorganizado ou catatônico;
  • Fala incoerente ou sem lógica compreensível;
  • Afeto diminuído ou embotado (expressão emocional pobre);
  • Dificuldades sociais graves (isolamento, retraimento);
  • Déficits cognitivos: atenção, memória e raciocínio prejudicados;
  • Perda ou regressão de habilidades já adquiridas.

O que pode causar?

Embora ainda não se saiba ao certo a causa da esquizofrenia, estudos apontam fatores como:

  • Genética (histórico familiar do transtorno);
  • Alterações neuroquímicas (dopamina e glutamato);
  • Complicações pré-natais ou no parto;
  • Ambientes estressores ou negligência emocional intensa;
  • Vulnerabilidades no desenvolvimento cerebral.

Comorbidades Comuns

É frequente que a esquizofrenia infantil se confunda ou coexistam com outros diagnósticos:

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA);
  • TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade);
  • Transtornos de ansiedade e depressão;
  • Transtornos da linguagem.

Como é o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e deve ser feito com muita cautela por profissional especializado.

DSM-5

Código: 295.90 – Schizophrenia

Critérios: pelo menos dois sintomas principais, com duração de no mínimo 6 meses, prejudicando significativamente a vida escolar, social e familiar.

CID-11

Código: 6A20 – Esquizofrenia

Como a análise do comportamento entende esses sintomas?

Segundo B.F. Skinner, o comportamento humano é moldado por sua história de reforçamento.

Na esquizofrenia, muitos comportamentos desorganizados e aparentemente “sem função” podem ter sido reforçados no ambiente ou mantidos pela falta de contato com contingências naturais.

A intervenção comportamental, dentro da ABA, ajuda a:

Analisar a função dos comportamentos desorganizados;

Reforçar habilidades adaptativas;

Estabelecer rotinas previsíveis;

Promover interações sociais e comunicação eficaz;

Reduzir reforçadores que mantêm o comportamento psicótico.

E o tratamento?

O plano terapêutico deve ser individualizado e pode incluir:

Psicoterapia (preferencialmente TCC ou ABA para crianças);

Acompanhamento psiquiátrico com uso criterioso de antipsicóticos;

Terapia familiar e orientação parental;

Intervenção escolar e suporte educacional;

Estímulo de habilidades sociais e cognitivas.

Quanto mais cedo for iniciado, melhor o prognóstico e qualidade de vida da criança.

Enquete para reflexão

Você já suspeitou de comportamentos psicóticos em alguma criança?

A - Nunca vi nada parecido

B - Já observei, mas achei que era imaginação

O - Sim, e achava que era autismo

AB - Conheço um caso diagnosticado

A informação correta salva vidas e evita rótulos errados. A esquizofrenia na infância existe, mas pode ser tratada com dignidade, ciência e acolhimento.

Compartilhe este conteúdo com quem cuida de crianças e adolescentes.

Em caso de dúvidas, procure um(a) psicólogo(a) de confiança.



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