Desenvolvimento se constrói com gestão, não com propaganda
Cidades vizinhas, via de regra, compartilham oportunidades, desafios e vocações econômicas semelhantes. Em um mundo interconectado, o crescimento não é fenômeno isolado: ele se fortalece quando ocorre de forma simultânea, criando um ciclo virtuoso que beneficia não apenas um município, mas toda a região.
Nesse contexto, a comparação entre São José do Rio Pardo e Mococa torna-se inevitável.
Enquanto São José do Rio Pardo abre diálogo com a população, promove audiências públicas e discute seus rumos de forma transparente, os resultados começam a aparecer. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo tem recomendado reiteradamente a aprovação das contas da Prefeitura rio-pardense, sinalizando regularidade administrativa e responsabilidade fiscal.
Em sentido oposto, o mesmo órgão vem recomendando, com firmeza, a reprovação das contas da Prefeitura de Mococa.
A diferença não está apenas na formalidade contábil. Está na concepção de gestão.
Sem diálogo efetivo com a população, mas com forte aparato de marketing institucional, Mococa enfrenta deficiências estruturais que a propaganda não consegue ocultar. Falta de medicamentos, ruas esburacadas e perda de dinamismo econômico são sintomas de um problema maior: gestão ineficiente.
Nos últimos dias, duas notícias chamaram atenção. A prefeitura Mocoquense teria pagado mais de três milhões de reais em multas e juros decorrentes de falhas administrativas. Soma-se a isso a perda de um Centro de Esportes — recurso devolvido com acréscimo de quase cem mil reais em juros.
Não se trata apenas de números.
Um centro esportivo tem potencial de transformar a realidade de centenas de crianças e jovens. É espaço de inclusão, saúde, disciplina e oportunidade. Quando se devolvem recursos por incapacidade administrativa, não se perdem apenas valores orçamentários — perdem-se sonhos.
Enquanto isso, São José do Rio Pardo liderou a geração de empregos na região em 2025, consolidando ambiente favorável ao investimento. Já Mococa, município de maior porte, vem assistindo à perda de empresas inclusive para a pequena Arceburgo.
Gestão pública exige responsabilidade. Desperdícios milionários impactam diretamente serviços essenciais. Cada real pago em multa é um real a menos na saúde, na educação, na infraestrutura.
Há ainda um aspecto social que não pode ser ignorado. Políticos que utilizam escolas privadas e serviços particulares de saúde muitas vezes não dimensionam a relevância dos equipamentos públicos para as famílias que deles dependem. Para essas famílias, o centro esportivo não é luxo — é oportunidade.
O desenvolvimento regional não nasce do marketing, mas da administração eficiente, do planejamento e do respeito ao dinheiro público.
Cidades crescem quando seus gestores entendem que governar é servir. E servir exige diálogo, responsabilidade e compromisso real com o interesse coletivo.







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