Governo Lula veta vacina contra herpes-zóster por falta de recursos
Parecer técnico apontou inviabilidade financeira da tecnologia no cenário atual, apesar da eficácia comprovada para grupos vulneráveis
Por Marcio Chaves
20/01/2026 | Atualizado em 20/01/2026 - 07h00
Luis Inácio, presidente do Brasil / Poder 360 O Sistema Único de Saúde (SUS) seguirá sem oferecer a vacina contra o herpes-zóster no Calendário Nacional de Vacinação. A decisão foi anunciada pelo Ministério da Saúde após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliou como inviável, neste momento, o custo da tecnologia para os cofres públicos.
Por que a vacina contra herpes-zóster foi vetada?
Segundo o parecer técnico, embora a vacina recombinante apresente alta eficácia, especialmente para idosos com mais de 80 anos e pacientes imunossuprimidos, o preço proposto pelo fabricante foi considerado incompatível com a capacidade orçamentária do SUS no cenário atual.
A análise apontou que o investimento necessário para atender o público-alvo prioritário não alcança equilíbrio satisfatório entre custo e benefício, considerando o volume de recursos que precisaria ser destinado à aquisição e distribuição do imunizante em âmbito nacional.
A decisão é definitiva?
Não. O próprio Ministério da Saúde esclareceu que o veto não é permanente. A pasta destacou que a inclusão da vacina poderá ser reavaliada no futuro, caso ocorram:
_Redução significativa do preço do imunizante;
_Novas propostas comerciais mais vantajosas;
_Evidências clínicas adicionais que alterem a avaliação do impacto econômico e sanitário da doença.
Nessas condições, uma nova rodada de análise pela Conitec poderá ser aberta.
O que é o herpes-zóster?
Popularmente conhecido como cobreiro, o herpes-zóster é causado pela reativação do vírus da varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode se manifestar novamente anos depois.
A doença se caracteriza por:
_Erupções cutâneas dolorosas, geralmente em apenas um lado do corpo;
_Bolhas na pele, acompanhadas de ardor intenso;
_Sensibilidade exacerbada ao toque ao longo do trajeto de nervos;
_Mal-estar sistêmico, sobretudo em idosos e pessoas com imunidade comprometida.
Por que o herpes-zóster preocupa a saúde pública?
Embora não seja uma doença nova, o herpes-zóster representa um desafio relevante para a saúde pública, principalmente entre populações vulneráveis. As complicações podem incluir dor persistente e impacto significativo na qualidade de vida, especialmente em pacientes idosos ou imunossuprimidos.
Por isso, a vacina é considerada estratégica do ponto de vista clínico, ainda que, no momento, seu custo tenha impedido a incorporação ao SUS.




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