Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Décimo Primeiro Domingo do Tempo Comum
Oremos para que Deus nos conceda operários santos para a sua messe!
Estamos celebrando o Décimo Domingo do Tempo Comum. Terminado o “Tempo Pascal”, retomamos, na Liturgia, o “Tempo Comum”: tempo de catequese, no qual meditamos os ensinamentos de Jesus, necessários para a vida comum dos cristãos. É um tempo de formação cristã.
A Liturgia dominical possui dois momentos inseparáveis: a Liturgia da Palavra (Deus fala para a Assembleia) e a Liturgia Eucarística (Deus nos alimenta com o Pão do Céu). A Palavra nos ilumina, mas o Pão nos alimenta e cura nossas enfermidades. Santo Agostinho nos afirma: “Quem celebra com fé e devoção a Eucaristia dominical torna-se aquilo que celebra!”. Celebrar com fé e devoção significa tornar-se semelhante a Cristo, o Filho de Deus vivo.
Na primeira leitura – Ex 19,2-6a –, o povo de Israel, sem mérito pessoal algum, foi escolhido por Deus como parceiro de caminhada e de luta para implantar o Reino de Deus sobre a terra. Se o povo guardasse fidelidade ao compromisso da Aliança, “sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos!”. No Antigo Testamento, Deus faz a Aliança com o povo de Israel. Deus o resgatou do Egito, terra de escravidão, com mão forte, e celebrou com ele, ainda no deserto, uma Aliança de paz e proteção.
Essa Aliança foi renovada por Jesus em seu próprio Sangue, ao morrer crucificado em Jerusalém. Nessa Aliança somos inscritos desde a celebração do nosso Batismo. A Nova Aliança, celebrada no Sangue de Jesus, é renovada todas as vezes que nos reunimos para celebrar a Eucaristia. Essa Aliança precisa ser renovada e fortalecida pela participação na “Ceia Pascal de Jesus”.
A celebração da Aliança não é somente em nosso proveito, mas também nos fortalece no compromisso missionário em favor dos nossos irmãos. A Aliança é salutar quando nos torna missionários de Jesus Cristo junto daqueles que ainda não o conhecem.
Na segunda leitura – Rm 5,6-11 –, Deus não age por interesse, mas por amor: Ele nos escolheu quando ainda éramos pecadores, mediante a morte de Jesus Cristo. Em Deus, tudo é gratuito: escolheu-nos de graça e perdoa-nos gratuitamente pelo Sangue de Jesus Cristo.
No Evangelho – Mt 9,36–10,8 –, o plano de Deus é gratuito do começo ao fim, mas resulta em missão e parceria na salvação do mundo: devemos distribuir gratuitamente tudo aquilo que recebemos. A salvação que recebemos de Deus deve ser anunciada ao mundo inteiro. Assumir a missão de evangelizar deve ser nossa resposta gratuita. No Evangelho, vemos Jesus chamar os doze Apóstolos e lhes dar uma missão.
O Evangelho da Missa deste Domingo refere algo que deve ter acontecido muitas vezes enquanto o Senhor percorria cidades e aldeias pregando a chegada do Reino de Deus: ao ver a multidão, encheu-se de compaixão por ela, comoveu-se no mais íntimo do seu ser, porque estavam fatigados e prostrados como ovelhas sem pastor, profundamente desorientadas. Os pastores, em vez de guiá-las, desencaminhavam-nas e comportavam-se mais como lobos do que como pastores. Jesus, então, dirigiu-se aos seus discípulos e disse: “A messe é grande, mas os operários são poucos”.
Para que haja muitos operários que trabalhem lado a lado e com entusiasmo neste campo do mundo, cada um no seu lugar, o próprio Senhor nos ensina o caminho a seguir: “Rogai, pois, ao Senhor da messe, que envie operários para a sua messe”. Jesus convida-nos a orar para que Deus desperte na alma de muitos o desejo de um maior compromisso nesta tarefa de salvação. A oração é o maior meio de pedir a Deus mais operários. Todos os cristãos devem rezar habitualmente para que o Senhor envie operários para a sua messe.
E, se o fizermos com oração contínua, confiante e humilde, não só conseguiremos do Senhor novos operários para o seu campo, como nós mesmos nos sentiremos chamados a participar com muito mais audácia dessa missão divina.
O Senhor, que poderia realizar diretamente a sua obra redentora no mundo, quis necessitar de discípulos que o precedessem nas cidades, nos povoados, nas fábricas e nas universidades, para que anunciassem as maravilhas e as exigências do Reino dos Céus. É evidente que a Igreja, nossa Mãe, tem necessidade dessas vocações de apóstolos, em cujas mãos está, em boa parte, a evangelização do mundo.
Não devemos esquecer que Deus chama a muitos. Que a Virgem Maria nos ensine a escutar e responder com eficácia ao chamado que Deus nos faz.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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