Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Ascensão do Senhor

Jesus sobe para junto de Deus e nos envia o Paráclito!


Ascensão do Senhor Jornal Democrata, edição 1924 de 17 de maio de 2026

Temos a graça de celebrarmos a Solenidade da Ascensão do Senhor. A Igreja convida-nos a ter os olhos postos no Céu, a Pátria definitiva a que o Senhor nos chama. No Credo, encontramos a afirmação de que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. A vida terrena de Jesus culmina no evento da Ascensão, quando, isso é, Ele passa deste mundo ao Pai e é elevado à sua direita. 

Enquanto “ascende” à Cidade santa, onde se cumprirá o seu “êxodo” desta vida, Jesus vê já a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva de volta à glória do Pai passa pela Cruz, pela obediência ao desígnio divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a elevação sobre a cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu” (n. 661). Também nós devemos ter claro, na nossa vida cristã, que o entrar na glória de Deus exige a fidelidade cotidiana à sua vontade, mesmo quando requer sacrifício, requer às vezes mudar os nossos programas. A Ascensão de Jesus acontece concretamente no Monte das Oliveiras, próximo ao lugar onde havia se retirado em oração antes da paixão para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez vemos que a oração nos dá a graça de viver fiéis ao projeto de Deus.

A elevação de Jesus na Cruz significa e anuncia a elevação da Ascensão ao céu. Jesus Cristo, o único Sacerdote da nova e eterna Aliança, não “entrou em um santuário feito por mão de homem… e sim no próprio céu, a fim de comparecer agora diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24). No céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio, “por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles” (Hb 7,25). Como “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9,11), ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus. (cf. Cat. §662) A Igreja ensina que “Jesus, rei da glória, subiu ante os anjos maravilhados ao mais alto dos Céus, e tornou-se o mediador entre Deus e a humanidade redimida, juiz do mundo e Senhor do universo. Ele, nossa Cabeça e princípio, subiu aos Céus, não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade… Ele, após a ressurreição, apareceu aos discípulos e, à vista deles, subiu aos céus, a fim de nos tornar participantes da sua divindade”. (Prefácio da Ascensão I, II).

Em vista Ascensão de Jesus ao Céu, São Paulo nos exorta: “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus… Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria” (Col 3, 1-3). O cristão vive neste mundo sem ser do mundo, caminha entre as coisas que passa abraçando somente as que não passa.

Na Solenidade da Ascensão do Senhor a Igreja reza: “Ó Deus todo poderoso, a Ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros do seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória”. Assim, a Ascensão de Jesus é uma preparação e antecipação da glorificação também de cada cristão que o segue fielmente. Significa que o cristão deve viver com os pés na terra, mas com o coração no céu, a nossa pátria definitiva e verdadeira, como São Paulo lembrou os filipenses: “nós somos cidadãos do Céu” (Fl 3, 30).

Ascensão de Jesus ao Céu não pode ser considerada como uma ausência ou separação física de Jesus da humanidade, mas como o momento em que Ele, em sua humanidade, entra na glória de Deus Pai e inaugura uma nova forma de presença definitiva e permanente no mundo.  O Papa Bento XVI enfatizou que Jesus não deixou sua condição humana ao subir ao céu. Pelo contrário, “assumiu consigo os homens na intimidade do Pai”, unindo inseparavelmente Deus e o ser humano para sempre. Para Bento XVI, “Céu” não é um lugar no espaço acima das estrelas, mas sim a Pessoa divina de Cristo que acolhe a humanidade plenamente. “Céu” é o próprio Jesus, o ser humano que está em Deus. A Ascensão significa que Jesus não está mais limitado a um lugar específico do mundo, mas, ao sentar-se à direita do Pai, Ele está presente em todo tempo e lugar, tornando-se mais próximo de nós. A Ascensão é o último ato da libertação humana, o ápice da Encarnação. Este mistério revela o destino final da peregrinação terrena da humanidade, que é estar com Deus. 

A Ascensão de Cristo significa que Ele não pertence mais ao mundo da corrupção e da morte que condiciona a nossa vida, mas sim à esfera divina, permitindo que a humanidade entre nessa mesma esfera

Ao Senhor subir aos céus, Ele nos mostra qual caminho ou qual é nossa meta final que é o céu. Peçamos a graça ao Senhor para que ao celebrar sua Ascensão, tenhamos mais sede de fazer a vontade de Deus e de buscar o Reino dos céus. Que a Virgem Santíssima, nos ilumine para que sempre cumpramos bem a nossa missão.


Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ




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