Mococa paga o preço de uma gestão sem planejamento

Jornal Democrata, edição 1926 de 7 de junho de 2026
Mococa paga o preço de uma gestão sem planejamento

Os números oficiais da Prefeitura de Mococa não deixam espaço para desculpas. O que os relatórios do primeiro quadrimestre mostram é uma administração que perdeu o controle sobre a qualidade do próprio planejamento, opera sob forte aperto financeiro e entrega à população um quadro preocupante de improviso, rigidez orçamentária e baixa capacidade de organização.

É preciso dizer com clareza: o responsável político direto por esse cenário é o prefeito Eduardo Barison, chefe do Poder Executivo e autoridade máxima sobre a condução das finanças municipais. Não há como separar o resultado das contas públicas da responsabilidade de quem ocupa o cargo de prefeito. Quando o caixa aparece negativo, os restos a pagar seguem elevados, a despesa com pessoal encosta em faixa crítica e os relatórios oficiais trazem inconsistências formais, isso não é apenas um problema técnico. É falha de comando, supervisão e prioridade administrativa.

A gestão de Eduardo Barison parece ter se acomodado a uma lógica de sobrevivência, e não de planejamento. Em vez de construir margem financeira, reduzir passivos e organizar a execução orçamentária com equilíbrio, a prefeitura continua funcionando sob o peso de obrigações acumuladas e de um caixa insuficiente para sustentar os compromissos assumidos. Isso não é administração estratégica. É gestão reativa.

Os relatórios mostram um município que arrecada, empenha, liquida e mantém serviços, mas sem domínio seguro sobre o fluxo financeiro. A diferença expressiva entre o que foi empenhado e o que foi liquidado, somada ao estoque ainda muito alto de restos a pagar, sugere um padrão de comprometimento de despesa sem a correspondente solidez de execução e pagamento. Em qualquer administração séria, isso deveria acender um alerta máximo no gabinete do prefeito.

Há ainda um agravante administrativo: a baixa capacidade de investimento. Quando uma prefeitura concentra sua energia orçamentária em custeio, folha, dívida e passivos, ela abre mão de transformar recursos públicos em obras, equipamentos, infraestrutura e melhoria concreta da cidade. O resultado é uma gestão que consome orçamento, mas tem dificuldade de convertê-lo em avanço estrutural para a população.

O quadro é mais grave porque os relatórios não revelam apenas aperto fiscal. Eles mostram falhas de consistência, blocos repetidos, informações mal parametrizadas e divergências formais em documentos oficiais. Isso não é detalhe burocrático. Uma administração que não consegue publicar demonstrativos com solidez técnica transmite desorganização e enfraquece a confiança na própria transparência.

Cumprir os mínimos de saúde e educação, por si só, não absolve uma gestão mal planejada. Esses índices são obrigação básica, não certificado de boa administração. O cidadão tem o direito de esperar mais do que o cumprimento formal de pisos constitucionais: espera equilíbrio, previsibilidade, investimento, controle do caixa e seriedade no trato das contas públicas.

Eduardo Barison, como prefeito, não pode terceirizar essa responsabilidade. O comando do orçamento, a priorização da despesa, o acompanhamento dos resultados e a cobrança por consistência dos relatórios partem da liderança do Executivo. Se a gestão falha em planejamento, se o caixa permanece pressionado e se a máquina pública funciona com baixa margem e alto passivo, a responsabilidade política e administrativa recai sobre o prefeito.

Mococa precisa de uma gestão que antecipe problemas, organize prioridades e trate o dinheiro público com visão de médio prazo. O que os relatórios indicam é o contrário: uma prefeitura pressionada por dívidas, comprimida por gastos rígidos e enfraquecida por falhas de controle. Sem correção de rumo, o risco é a cidade continuar sendo administrada no limite, sempre apagando incêndios e nunca construindo estabilidade.

Este não é apenas um debate contábil. É um debate sobre capacidade de governar. 

E, à luz dos próprios números oficiais, a gestão Eduardo Barison ainda não demonstrou o planejamento, a disciplina e a eficiência que Mococa precisa para entrar numa rota real de responsabilidade fiscal.




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