Secretário de Saúde de Mococa apresenta quadro geral e faz duras acusações a médicos do Corpo Clínico da Santa Casa
Secretário de Saúde de Mococa, Fábio Delduca Na 17ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Mococa, o secretário de Saúde, Fábio Delduca, apresentou um panorama detalhado da pasta — gráficos elaborados, indicadores acima da média estadual e nacional, investimento per capita de R$ 2.029 por habitante. Mas, quando os vereadores abriram a boca, o verniz começou a rachar.
Município Paga a Conta Sozinho
Os números revelam um desequilíbrio preocupante no financiamento da saúde local: Mococa arca com 61% dos custos totais, enquanto a União contribui com 30% e o Estado de São Paulo com 9%. E parte significativa dessa fatia federal não vem de repasses regulares, mas de emendas parlamentares — o chamado "balcão político". O próprio secretário admitiu depender do esforço dos vereadores para garantir o custeio de exames laboratoriais, revelando uma gestão orçamentária frágil, refém de negociações políticas em Brasília.
Delcuda critica médicos do corpo clínico da Santa Casa
A situação da Santa Casa expõe outro nó crítico. Com uma emenda do MDB de R$ 500 mil disponível em conta, o hospital utilizou apenas entre R$ 10 mil e R$ 15 mil em quatro meses. Delduca justificou o atraso nas cirurgias eletivas com a expressão "apagão de cirurgiões no Brasil" e a falta de médicos dispostos a operar pelo SUS. A explicação, no entanto, não satisfez os vereadores — nem deveria satisfazer a população que aguarda na fila. Segundo Delduca, “nós precisamos que todos aqueles que compõe o corpo clínico do hospital, em especial os cirurgiões, se dediquem a esta agenda de cirurgias pelo SUS”, afirmou. Delduca responsabilizou os médicos que “ainda não entraram na cabeça e o coração abertos pelo SUS”. Veja vídeo com a fala do secretário abaixo:
Slides Não Batem com a Realidade
O vereador Thiago Colpani foi direto: elogiou a presença do secretário, mas denunciou a recorrente falta de respostas claras e objetivas aos requerimentos enviados pelos parlamentares. A contradição ficou escancarada — de um lado, gráficos robustos apontando Mococa acima das médias; do outro, relatos diários de falta de médicos, ausência de remédios e dificuldades de atendimento nos bairros. Há uma desconexão evidente entre a excelência dos slides e o cotidiano da periferia.
Prédio Pronto, Porta Fechada
Talvez o momento mais constrangedor da sessão tenha vindo ao responder o vereador Edson de Oliveira sobre a nova UPA construída ao lado do Corpo de Bombeiros: o secretário definiu o equipamento como "um prédio bom num lugar ruim". Erguido com verba federal, o edifício permanece inutilizado porque a distância da Santa Casa, segundo a gestão, inviabiliza o fluxo de urgência e emergência. A construção foi escolhida e iniciou-se na gestão do próprio grupo político do Secretário no passado. Assista a fala do secretário:
Fechamento do NAI do Lambari
O fechamento do Núcleo de Atenção Integral (NAI) do Lambari foi apresentado como reorganização racional de recursos. Pacientes e profissionais migrarão para o Pronto Povo (PPA), e o espaço passará a abrigar o CAPS Infantil — que funcionava, até então, em um prédio alugado inadequado, antiga escola Gotinha do Amor, onde o município sequer podia fazer reformas estruturais.
Na prática, a gestão desalojou um serviço de atendimento clínico de uma ponta do bairro para tapar o buraco logístico de outra unidade. Segundo Delduca a oferta de atendimento era muito grande e pouca procura no NAI Lambari.
UPA Lotada por culpa dos pacientes
Segundo o secretário, a lotação na UPA deve-se a pacientes que querem atendimento imediato mas não são casos urgentes. Segundo Delduca, até 80% dos atendimentos da UPA seriam classificados como verdes e azuis — casos não urgentes. Por outro lado, segundo o secretário, a taxa de absenteísmo chega a 21% nas consultas especializadas. Delduca atribuiu o fenômeno ao "imediatismo" da população. Mas há uma leitura mais dura: se a atenção básica nos bairros fosse amplamente resolutiva, com horários flexíveis e credibilidade junto à comunidade, o cidadão não precisaria recorrer ao Pronto Socorro para resolver um resfriado. O gargalo na urgência é, em parte, o reflexo da fragilidade das unidades de saúde na ponta. Assista a fala do secretário:
Denúncia: Médicos estariam tentando usar SUS para internação particular
Segundo o secretário Fábio Delduca a secretaria está glosando – não pagando – internações oriundas de consultas particulares. Segundo o secretário a entrada do SUS, para internação, é o sistema público de saúde. Delduca não disse quais médicos estariam usando o SUS para internações particulares. Assista a fala do secretário:
As denúncias feitas pelo secretário chamam o Corpo Clínico, os Vereadores e o Ministério Público às falas.







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