Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
5º Domingo do Tempo Comum
Jornal Democrata, edição 1909 de 7 de fevereiro de 2026 Celebramos neste domingo o quinto do Tempo Comum. Estamos na primeira parte desse tempo litúrgico, que vai até a próxima semana, quando, na seguinte quarta-feira, dia 18 de fevereiro, inicia-se o tempo da Quaresma com a imposição das cinzas. O Tempo Comum será retomado somente após a Solenidade de Pentecostes, quando encerra o Tempo Pascal.
O Tempo Comum é um período longo, com trinta e quatro semanas, dividido em duas partes. Ao longo desse tempo, somos convidados a anunciar o Reino de Deus, que é justiça, paz, amor, bondade e misericórdia.
Além disso, o Tempo Comum nos ajuda a acompanhar toda a vida pública de Jesus e a maneira como Ele forma a primeira comunidade, isto é, a comunidade de seus discípulos. Nós, hoje, somos essa comunidade dos seguidores de Jesus, chamados por Ele a anunciar o Reino de Deus.
O Evangelho deste domingo nos ajuda a refletir que somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo e que, a partir do Batismo, nos tornamos testemunhas de Jesus Cristo. A vida do cristão precisa ter sabor, ou seja, precisa ter sentido. O cristão é aquele que reflete a luz de Cristo para os outros. No dia do Batismo, nossos padrinhos acenderam a vela no Círio Pascal e a entregaram a nós; da mesma forma que recebemos a luz de Cristo, somos chamados a levá-la adiante.
Não podemos ser católicos apagados e insossos. Não podemos apenas frequentar a Missa e não participar da vida da comunidade. Além de ir à Missa, somos chamados a participar de alguma pastoral ou movimento ou grupo da paróquia e, assim, ser testemunhas de Cristo para os outros. Se você ainda não participa de nenhuma pastoral, procure o seu pároco e veja em qual pode se inserir. Por meio da pastoral, realizamos o discipulado e nos tornamos exemplo e testemunho para os demais.
O Senhor nos chama e nos envia para sermos seus discípulos e, consequentemente, sal da terra e luz do mundo. No Batismo, recebemos o Espírito Santo, e é a força desse Espírito que nos motiva a anunciar o Reino de Deus. Podemos ser luz, inclusive em nossa própria casa: reunir a família e partilhar juntos a Palavra de Deus. Deixemos que a luz do Senhor entre em nosso lar; família que reza unida permanece unida. O Senhor nos chama: estejamos atentos ao seu chamado e respondamos com o nosso “sim” nas orações e na vida.
A primeira leitura deste domingo é do livro do profeta Isaías (Is 58,7-10). Esse trecho fala sobre a partilha e a caridade que devemos ter com o próximo. Ajudando aquele que precisa, receberemos em dobro aquilo que vem de Deus. Do mesmo modo que ajudamos, no futuro também poderemos ser ajudados. Quem estende a mão ao pobre, estende a mão a Deus. Assim como partilhamos a Eucaristia, nosso “bem espiritual”, somos chamados a partilhar os bens materiais com quem necessita. Ao ajudar o próximo, seremos luz na vida desse irmão ou irmã e agradaremos ao Senhor. Isso é ser luz e viver autenticamente o Evangelho.
O salmo responsorial é o Salmo 111(112), cujo refrão proclama: “Uma luz brilha nas trevas para o justo; permanece para sempre o bem que fez.” O bem que fazemos ao próximo permanece para sempre, e a nossa recompensa será eterna. Quando ajudamos de coração, caminhamos rumo à vida eterna e vivemos para sempre ao lado de Deus.
A segunda leitura deste domingo é da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 2,1-5). Desde o início do Tempo Comum, acompanhamos essa carta, e hoje entramos no segundo capítulo. São Paulo afirma que não precisou usar palavras difíceis para anunciar o Reino de Deus. Jesus não escolheu pessoas letradas ou de grande capacidade intelectual para serem seus discípulos, mas pessoas simples, pescadores, dispostas a anunciar o amor. Paulo, do mesmo modo, não utilizou uma linguagem requintada para anunciar Jesus Cristo. Isso serve para cada um de nós: não é preciso estudar teologia para anunciar Jesus; basta ter amor no coração.
O Evangelho é de São Mateus (Mt 5,13-16). Esse trecho dá continuidade ao discurso das bem-aventuranças, conhecido como Sermão da Montanha. Nele, Jesus afirma que os discípulos são sal da terra e têm a missão de dar sabor, isto é, sentido à vida do próximo. Essa palavra vale também para nós hoje: pelo Batismo, tornamo-nos discípulos e missionários de Jesus, chamados a ser sal da terra e luz do mundo, dando sentido à vida do outro e levando adiante a luz de Cristo.
As nossas ações revelam se somos ou não de Cristo. Por isso, nossas atitudes devem ser próprias de quem caminha sob a luz de Cristo. Precisamos viver de acordo com o Evangelho, irradiar a luz de Cristo para aqueles que caminham nas trevas e ajudá-los a buscar a luz. O mundo precisa ser iluminado pela luz de Cristo para que a paz reine e a guerra dê lugar ao amor.
O próprio Jesus nos diz: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Caminhemos sob a luz de Jesus e deixemos para trás as obras das trevas. Saiamos do abismo do pecado e busquemos a luz, onde estão a alegria e a salvação.
Celebremos com alegria este quinto domingo do Tempo Comum e busquemos a luz que é Cristo. Sejamos sal da terra e luz do mundo na vida daqueles que precisam. O Senhor nos chama; escutemos em nosso coração o chamado que Ele nos faz.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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