DEMOCRATA reencontra eleitores da histórica eleição de 1989
Luis Elias Ferraresi, Marcio Curvelo Chaves e Lumena de Cassia Acoorinte O Brasil de novembro de 1989 era muito diferente do atual. Sem internet comercial, smartphones ou redes sociais, as notícias chegavam pelos jornais, rádio e televisão. Telefones fixos eram valorizados, e os orelhões faziam parte do cotidiano.
Famílias assistiam às novelas, enquanto os jovens ouviam rádios FM, fitas cassete e discos de vinil. Locadoras de vídeo cresciam, e os cinemas eram pontos de encontro.
O presidente José Sarney enfrentava uma inflação descontrolada. Em novembro, o IPCA atingiu 42,87% e, em dezembro, 51,5%. Os preços eram constantemente remarcados, levando famílias a fazer compras imediatamente após receberem seus salários.
Apesar da crise, havia esperança. Em 15 de novembro, centenário da República, os brasileiros voltariam a escolher diretamente o presidente, o que não acontecia desde a eleição de Jânio Quadros, em 1960.
O governo militar terminara em 1985, e a Constituição de 1988 ampliara direitos e liberdades. Aproximadamente 82 milhões de eleitores estavam habilitados a votar.
A Globo exibia Tieta, estrelada por Betty Faria, que estreara em agosto, substituindo O Salvador da Pátria, com Lima Duarte interpretando Sassá Mutema.
Baseada na obra de Jorge Amado, a novela narrava o retorno de uma mulher à cidade natal, após ser expulsa pela família. Misturava romance, humor e conflitos de costumes. Perpétua, interpretada por Joana Fomm, era um dos destaques.
Em outubro, estreou Batman, dirigido por Tim Burton, com Michael Keaton como protagonista e Jack Nicholson como Coringa.
Outro sucesso era Indiana Jones e a Última Cruzada, com Harrison Ford e Sean Connery. Também chegaram aos cinemas 007 — Permissão para Matar, Máquina Mortífera 2, Brinquedo Assassino e Cemitério Maldito.
Em dezembro, estreariam De Volta para o Futuro II e Os Caça-Fantasmas 2.
Marisa Monte conquistava o público com Bem Que Se Quis. Leandro & Leonardo cantavam Entre Tapas e Beijos; Chitãozinho & Xororó, Nuvem de Lágrimas; e Beto Barbosa embalava a lambada com Adocica.
Também faziam sucesso Deus Te Proteja de Mim, de Wando; Adelaide, dos Inimigos do Rei; Don’t Wanna Lose You, de Gloria Estefan; Straight Up, de Paula Abdul; e Eternal Flame, do The Bangles.
A Legião Urbana lançava As Quatro Estações, álbum que incluía Pais e Filhos.
O Censo de 1980 registrara 36.164 habitantes em São José do Rio Pardo.
Comércio, agricultura (cebola), indústria e serviços movimentavam a economia local.
O governador paulista era Orestes Quércia (PMDB), que administrou o Estado entre 1987 e 1991.
Em São José do Rio Pardo, o prefeito era Richard Celso Amato (1989–1992), tendo Lourenço Berti como vice. Amato sucedera Sílvio França Torres (1983–1988) e já governara a cidade entre 1977 e 1983.
Sem redes sociais, discussões políticas aconteciam nas casas, praças e locais de trabalho. Jornais, rádio e televisão acompanhavam a campanha.
Em 1989 a disputa pela presidência da república reuniu 22 candidatos, entre eles Fernando Collor, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingos, Fernando Gabeira e Aureliano Chaves.
Collor, ex-governador de Alagoas, prometia combater privilégios e corrupção. Lula, ex-líder sindical, defendia trabalhadores e mudanças sociais. Brizola representava a tradição trabalhista.
Debates, comícios e propaganda eleitoral mobilizavam o país. O voto era feito em cédulas de papel, preenchidas com nome ou número do candidato. A apuração era manual, sem urnas eletrônicas.
Em 15 de novembro, Collor venceu o primeiro turno, seguido por Lula. Sem maioria absoluta, disputaram o segundo turno em 17 de dezembro.
Collor venceu e assumiu em março de 1990. Seu governo enfrentaria crises econômicas e políticas, culminando no impeachment de 1992.
Era o Brasil em que o cidadão acordava preocupado com o preço do pão e do leite, trabalhava, ouvia rádio e acompanhava Tieta à noite.
Um país com menos tecnologia, informações circulando lentamente e enormes dificuldades econômicas, mas que recuperava, após quase três décadas, o direito de escolher diretamente seu presidente.
Enquanto o Brasil decidia seu futuro, Tieta dominava a televisão, Marisa Monte tocava nas rádios e Batman conquistava os cinemas.
Esse era o Brasil de 1989.
Precisamente naquele ano, um dos jornais que circulavam em São José do Rio Pardo era o Jornal do Francisco Braghetta.

Naquele ele o jornal ouviu 40 jovens rio-pardenses que votariam pela primeira vez, para saber quem escolheriam para presidente.
Dos 40 ouvidos, selecionaram 9 para publicar o nome, a foto e a opinião.
DEMOCRATA foi a campo procurando estes 9, para ouvi-los e ver o que mudou.
Dos 9 ouvidos à época, 5 já faleceram. Não chegaram a nossos dias.
Dos 4 restantes um preferiu não retornar o contato do DEMOCRATA. Trabalha hoje em outro órgão de imprensa local.
Os três restantes foram o editor de Democrata, Marcio Curvelo Chaves, o hoje corretor de Imóveis em Americana Luis Elias Ferrarei e a empresária Lumena de Cássia Acoorinte.
Luis Elias Ferraresi

Ferraresi, em 1989, declarou voto em Paulo Maluf.

Agora, em 2026, Luís é corretor de Imóveis em Americana. Casado, tem duas filhas. Em 2026 foi de Flávio Bolsonaro:
Hoje eu sou de Direita, voto em Flavio Bolsonaro para presidente, para ver se o Brasil volta a andar nos trilhos acabar com a corrupção que se instaurou na cúpula do poder e poder por ministros da justiça que não seja de partido mas olhem a constituição brasileira.
Márcio Curvelo Chaves

Em 1989 Márcio declarou voto em Lula.

Em 2026, Márcio é divorciado, tem um filho e é editor do jornal DEMOCRATA. Segundo ele, agora é Flávio Bolsonaro:
Se não me engano foi Churchill quem disse: “Quem não é socialista aos 20 anos não tem coração; quem continua sendo aos 40 não tem cérebro”. Hoje vivemos tempos de conflito civilizatório e o fluxo da informação é praticamente instantâneo. Hoje defendo valores como a liberdade, a livre iniciativa, o livre mercado e um Estado menor. Os sucessivos escândalos de corrupção do Lulo-Petismo não podem ser desconsiderados. Nosso modo de vida e fé Cristã estão sendo discutidos e atacados. Com a maioria do Senado e da Câmara, pela defesa do nosso modo de vida, da liberdade de expressão e da nossa civilização, melhor solução é a eleição de Flávio Bolsonaro.
Lumena de Cássia Acoorinte

Em 1989 Lumena declarou voto em Márcio Covas

Casada há 23 anos com o Vitor (José Vitor Faustino Junior, também rio-pardense, ex atleta do Corinthians). Tem 1 filha de 17 anos, que coincidentemente está cursando o 3º ano do ensino médio, assim como Lumena à época da entrevista. É empresária e tosadora de animais, proprietária de um banho e tosa em Piracicaba.
Em 2026, declarou voto em Flávio Bolsonaro:
Esse ano em voto em Flávio Bolsonaro, pque acredito que ele pode fazer um bom governo, mas principalmente por causa dos escândalos de corrupção do atual governo e tbem por causa da alta carga de impostos acrescentados nesse governo que pagamos atualmente
O jornal ainda trazia as bancas em que era encontrado:

E propaganda da época, destacando-se entre elas a do médico Dr. Ernani Vasconcellos (até hoje anunciante do DEMOCRATA) e do dentista Wanderley de Souza.





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