DEMOCRATA reencontra eleitores da histórica eleição de 1989

Jornal Democrata, edição 1944 de 31 de outubro de 2026
DEMOCRATA reencontra eleitores da  histórica eleição de 1989 Luis Elias Ferraresi, Marcio Curvelo Chaves e Lumena de Cassia Acoorinte

O Brasil de novembro de 1989 era muito diferente do atual. Sem internet comercial, smartphones ou redes sociais, as notícias chegavam pelos jornais, rádio e televisão. Telefones fixos eram valorizados, e os orelhões faziam parte do cotidiano.

Famílias assistiam às novelas, enquanto os jovens ouviam rádios FM, fitas cassete e discos de vinil. Locadoras de vídeo cresciam, e os cinemas eram pontos de encontro.

O presidente José Sarney enfrentava uma inflação descontrolada. Em novembro, o IPCA atingiu 42,87% e, em dezembro, 51,5%. Os preços eram constantemente remarcados, levando famílias a fazer compras imediatamente após receberem seus salários.

Apesar da crise, havia esperança. Em 15 de novembro, centenário da República, os brasileiros voltariam a escolher diretamente o presidente, o que não acontecia desde a eleição de Jânio Quadros, em 1960.

O governo militar terminara em 1985, e a Constituição de 1988 ampliara direitos e liberdades. Aproximadamente 82 milhões de eleitores estavam habilitados a votar.

A Globo exibia Tieta, estrelada por Betty Faria, que estreara em agosto, substituindo O Salvador da Pátria, com Lima Duarte interpretando Sassá Mutema.

Baseada na obra de Jorge Amado, a novela narrava o retorno de uma mulher à cidade natal, após ser expulsa pela família. Misturava romance, humor e conflitos de costumes. Perpétua, interpretada por Joana Fomm, era um dos destaques.

Em outubro, estreou Batman, dirigido por Tim Burton, com Michael Keaton como protagonista e Jack Nicholson como Coringa.

Outro sucesso era Indiana Jones e a Última Cruzada, com Harrison Ford e Sean Connery. Também chegaram aos cinemas 007 — Permissão para Matar, Máquina Mortífera 2, Brinquedo Assassino e Cemitério Maldito.

Em dezembro, estreariam De Volta para o Futuro II e Os Caça-Fantasmas 2.

Marisa Monte conquistava o público com Bem Que Se Quis. Leandro & Leonardo cantavam Entre Tapas e Beijos; Chitãozinho & Xororó, Nuvem de Lágrimas; e Beto Barbosa embalava a lambada com Adocica.

Também faziam sucesso Deus Te Proteja de Mim, de Wando; Adelaide, dos Inimigos do Rei; Don’t Wanna Lose You, de Gloria Estefan; Straight Up, de Paula Abdul; e Eternal Flame, do The Bangles.

A Legião Urbana lançava As Quatro Estações, álbum que incluía Pais e Filhos.

O Censo de 1980 registrara 36.164 habitantes em São José do Rio Pardo.

Comércio, agricultura (cebola), indústria e serviços movimentavam a economia local.

O governador paulista era Orestes Quércia (PMDB), que administrou o Estado entre 1987 e 1991.

Em São José do Rio Pardo, o prefeito era Richard Celso Amato (1989–1992), tendo Lourenço Berti como vice. Amato sucedera Sílvio França Torres (1983–1988) e já governara a cidade entre 1977 e 1983.

Sem redes sociais, discussões políticas aconteciam nas casas, praças e locais de trabalho. Jornais, rádio e televisão acompanhavam a campanha.

Em 1989 a disputa pela presidência da república reuniu 22 candidatos, entre eles Fernando Collor, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingos, Fernando Gabeira e Aureliano Chaves.

Collor, ex-governador de Alagoas, prometia combater privilégios e corrupção. Lula, ex-líder sindical, defendia trabalhadores e mudanças sociais. Brizola representava a tradição trabalhista.

Debates, comícios e propaganda eleitoral mobilizavam o país. O voto era feito em cédulas de papel, preenchidas com nome ou número do candidato. A apuração era manual, sem urnas eletrônicas.

Em 15 de novembro, Collor venceu o primeiro turno, seguido por Lula. Sem maioria absoluta, disputaram o segundo turno em 17 de dezembro.

Collor venceu e assumiu em março de 1990. Seu governo enfrentaria crises econômicas e políticas, culminando no impeachment de 1992.

Era o Brasil em que o cidadão acordava preocupado com o preço do pão e do leite, trabalhava, ouvia rádio e acompanhava Tieta à noite.

Um país com menos tecnologia, informações circulando lentamente e enormes dificuldades econômicas, mas que recuperava, após quase três décadas, o direito de escolher diretamente seu presidente.

Enquanto o Brasil decidia seu futuro, Tieta dominava a televisão, Marisa Monte tocava nas rádios e Batman conquistava os cinemas.

Esse era o Brasil de 1989.

Precisamente naquele ano, um dos jornais que circulavam em São José do Rio Pardo era o Jornal do Francisco Braghetta.



Naquele ele o jornal ouviu 40 jovens rio-pardenses que votariam pela primeira vez, para saber quem escolheriam para presidente.

Dos 40 ouvidos, selecionaram 9 para publicar o nome, a foto e a opinião.

DEMOCRATA foi a campo procurando estes 9, para ouvi-los e ver o que mudou.

Dos 9 ouvidos à época, 5 já faleceram. Não chegaram a nossos dias.

Dos 4 restantes um preferiu não retornar o contato do DEMOCRATA. Trabalha hoje em outro órgão de imprensa local.

Os três restantes foram o editor de Democrata, Marcio Curvelo Chaves, o hoje corretor de Imóveis em Americana Luis Elias Ferrarei e a empresária Lumena de Cássia Acoorinte.

Luis Elias Ferraresi


Ferraresi, em 1989, declarou voto em Paulo Maluf.



Agora, em 2026, Luís é corretor de Imóveis em Americana. Casado, tem duas filhas. Em 2026 foi de Flávio Bolsonaro:

Hoje eu sou de Direita, voto em Flavio Bolsonaro para presidente, para ver se o Brasil volta a andar nos trilhos acabar com a corrupção que se instaurou na cúpula do poder e poder por ministros da justiça que não seja de partido mas olhem a constituição brasileira.

Márcio Curvelo Chaves


Em 1989 Márcio declarou voto em Lula.


Em 2026, Márcio é divorciado, tem um filho e é editor do jornal DEMOCRATA. Segundo ele, agora é Flávio Bolsonaro:

Se não me engano foi Churchill quem disse: “Quem não é socialista aos 20 anos não tem coração; quem continua sendo aos 40 não tem cérebro”. Hoje vivemos tempos de conflito civilizatório e o fluxo da informação é praticamente instantâneo. Hoje defendo valores como a liberdade, a livre iniciativa, o livre mercado e um Estado menor. Os sucessivos escândalos de corrupção do Lulo-Petismo não  podem ser desconsiderados. Nosso modo de vida e fé Cristã estão sendo discutidos e atacados. Com a maioria do Senado e da Câmara, pela defesa do nosso modo de vida, da liberdade de expressão e da nossa civilização, melhor solução é a eleição de Flávio Bolsonaro. 

Lumena de Cássia Acoorinte


Em 1989 Lumena declarou voto em Márcio Covas


Casada há 23 anos com o Vitor (José Vitor Faustino Junior, também rio-pardense, ex atleta do Corinthians). Tem 1 filha de 17 anos, que coincidentemente está cursando o 3º ano do ensino médio, assim como Lumena à época da entrevista. É empresária e tosadora de animais, proprietária de um banho e tosa em Piracicaba.

Em 2026, declarou voto em Flávio Bolsonaro:

Esse ano em voto em Flávio Bolsonaro, pque acredito que ele pode fazer um bom governo, mas principalmente por causa dos escândalos de corrupção do atual governo e tbem por causa da alta carga de impostos acrescentados nesse governo que pagamos atualmente

O jornal ainda trazia as bancas em que era encontrado:


E propaganda da época, destacando-se entre elas a do médico Dr. Ernani Vasconcellos (até hoje anunciante do DEMOCRATA) e do dentista Wanderley de Souza.




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