As listas e o comércio
Vivemos dias de polarização política.
A improvável virada de Lula e sua vitória insólita no segundo turno geraram dois tipos de animosidade:
A dos que perderam a eleição.
A dos que ganharam a eleição.
O discurso de “amor venceu o ódio”, geralmente usado pelos esquerdistas, não ultrapassa a primeira esquina.
Mensagens de ódio e revanchismo encheram as redes sociais.
Ódio contra a direita. Ódio contra a religião cristã. Ódio contra a religião evangélica. Ódio contra eleitores que votaram em Bolsonaro. Ódio generalizado contra empresários.
Enquanto a esquerda comemorava a vitória destilando ódio, boa parte dos empresários e eleitores da direita foi absorvendo o impacto da derrota — admita-se, contra as probabilidades — e digerindo o ódio recebido de esquerdistas.
Alguns se esqueceram do próprio contexto social.
Um cidadão do sul do país, que recolhe doações de cidadãos de direita para distribuir alimentos a moradores de rua, insultou-os de tal forma pelas redes sociais que preferiram não mais doar para o projeto. Resultado? O projeto social pode ficar comprometido.
E isso se repetiu por todo o país.
Um empresário que, por si ou por sócio, publica em rede social que odeia cidadãos de direita deve arcar com o ônus de ver quem tem aquele alinhamento econômico-político deixar de comprar em seu estabelecimento. Isso é natural.
Vale dizer, a esquerda habitualmente criminaliza qualquer crítica contra si, enquanto tece as mais baixas palavras contra todos os outros, protegida por uma espécie de imunidade judiciária socialista.
Qualquer crítica à política socialista ou à cultura “woke” corre sério risco de ser criminalizada.
Discursos de ódio contra cristãos, evangélicos, católicos e contra cidadãos que expressem opinião favorável à política econômica do espectro de direita, por outro lado, não só são tolerados como incentivados.
O ex-deputado federal José Genoino gerou repercussão e tornou-se alvo de uma ação judicial após declarar, em janeiro de 2024, durante entrevista ao site Diário do Centro do Mundo, que achava interessante a ideia de boicote a “determinadas empresas de judeus” e a empresas vinculadas a Israel, em protesto contra os bombardeios na Faixa de Gaza. Impunemente.
Fernando Haddad defendeu o uso do consumo consciente e do boicote econômico como ferramentas de pressão por parte dos cidadãos. A declaração foi feita em 17 de janeiro de 2023, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e voltou a repercutir intensamente nas redes sociais em outubro de 2026.
Nessa esteira de pensamento, é natural que não o resultado da eleição por si, mas o ódio destilado contra cidadãos da direita, em redes sociais, por empresários e prestadores de serviços que votaram no lulo-petismo, gere reação.
Vários advogados ouvidos pelo DEMOCRATA foram unânimes: a mera divulgação de listas de empresas ligadas à esquerda não constitui crime. Detalhe: nenhum quis ser identificado por receio de represálias judiciais.
Quando questionei um deles sobre a proteção que a lei dá à livre opinião e ao exercício da advocacia, respondeu: “melhor não arriscar”.
As duas listas a que o DEMOCRATA teve acesso são encabeçadas pelos textos:
“COMÉRCIO DOS ESQUERDISTAS” e a outra:
“Ai galera o comércio petista de São José do Rio pardo!!”
Considerando que o PT venceu as eleições presidenciais de 2026 e que a esquerda está no poder e ditando um novo processo civilizatório por meio da estrutura judiciária do Estado, é improvável que o Judiciário considere injurioso ou ofensivo alguém ser considerado de esquerda.
As listas também não recomendam nada.
Em tese, dependendo do ângulo pelo qual se observe, pode-se interpretá-las como listas de proscrição, para que cidadãos que discordem do posicionamento não façam negócios com eles.
Mas também podem ser consideradas, como disse Haddad, propaganda indicando aos cidadãos de esquerda que deveriam negociar preferencialmente com tais empresas.
Nesse sentido, se Haddad recebesse estas listas provavelmente compraria destas empresas - a usar as palavras do ex-candidato derrotado nas eleições para o governo do Estado de São Paulo este ano.
Algumas empresas e prestadores de serviços chegaram a publicar manifestações repudiando sua inclusão nas referidas listas. Poderíamos replicá-las, mas isso daria mais divulgação às tais listas, e o objetivo não é este.
Segundo apurado pelo jornal, a Delegacia lavrou pelo menos três boletins de ocorrência de preservação de direitos, orientando os empresários a buscar guarida na esfera civil.
A ideia é penalizar autores ou quem compartilhar as listas com ações indenizatórias.
A estrutura de poder está posta para calar adversários usando o Judiciário, penalizando a liberdade ou os bens de quem a ela se opuser.
A verdade é que a lei está imersa hoje em um processo de relativização tão intenso que a segurança jurídica se foi.
Dos advogados ouvidos pelo jornal, sempre sob o manto do anonimato por medo de represálias, exsurge uma unanimidade: não temos segurança jurídica. É impossível assegurar a um cliente, litigante, com segurança, como a lei será aplicada a seu caso.
“A gente recomenda sempre a composição. Um mau acordo está cada vez mais vantajoso do que uma boa demanda”, disse um deles.
Nossas cidades são menores, e os comerciantes enfrentam a severa concorrência do e-commerce.
Em alguns casos específicos, sem generalizar, talvez, antes de atacar os próprios consumidores em comentários nas redes sociais, devessem ter se lembrado disto.
Óbvio, não que os que estão nas referidas listas sejam efetivamente esquerdistas - não há como isso ser conferido. Nem quer dizer que tenham, por qualquer modo, ofendido ou atacado a ninguém.
A situação torna-se particularmente tão bizarra que não se descarta que se algum empresário de direita incluído equivocadamente na referida lista propor uma ação judicial pedindo indenização por ter sido considerado esquerdista seja condenado - ele - por considerar ser chamado de esquerdista algo injurioso.
Alguns internautas compararam, nas redes sociais, a existência destas listas com atitudes às quais atribuíram similitude com as do partido NAZISTA — Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Partido que começou proibindo negócios com judeus, coisa que no Brasil chegou a ser sugerida por José Genoino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, no episódio mencionado.
Vivemos em um livre mercado. Processar consumidores só vai afastar mais consumidores.
Empresários investem, correm riscos.
No Brasil, pagam impostos, uma pesadíssima carga tributária para arcar com programas sociais mantidos com eficácia duvidosa.
É próprio da ideologia comunista o uso da força do Estado. Faz parte de sua definição um Estado comandando tudo, inclusive a vida privada das pessoas - como visto na prática nos países em que foi implantado.
Forçar que outros pensem de forma igual a quem tem o poder é algo que está na gênese de todos governos comunistas do mundo.
Mas o comercio é algo decorrente de livre mercado, livre iniciativa, livre concorrência e, principalmente, liberdade.
Comerciantes não vão garantir clientes com processos.
Nem com picuinhas políticas. Já diz o ditado popular: “quem lacra, não lucra”.
Vão garantir bons negócios com bom atendimento, preço atrativo e respeito pelos clientes, sejam estes optantes por qualquer alinhamento político-econômico ou religioso.
Simples assim.




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