Vereador Marcelo Clementino quer que ONG MORAR BEM, presidida por seu filho, seja de utilidade pública
Vereador Clementino alardeia que a ONG MORAR BEM, hoje presidida por seu filho, existe há décadas.
Mas isso não é totalmente verdadeiro.
Clementino conta uma estória nas redes sociais e em seus discursos na Câmara Municipal.
Mas, como na prestação de contas, oficialmente aqui a estória também é diferente.
Segundo o próprio Clementino, na estória que contou ao juiz da primeira vara da comarca nos autos do processo judicial número 1001094-50.2024.8.26.0575, a ONG MORAR BEM estaria sem diretoria eleita e registrada desde 2007, sendo somente agora ele eleito para a presidência em março de 2024.
A ONG tem registro antigo. Mas, segundo a estória que Clementino contou ao juiz, estaria inativa há quase 20 anos.
Veja-se a petição inicial proposta pelo vereador, mostrando seu laço profundo com a entidade, e a sentença que autorizou a regularização da entidade agora, em 14/7/2024.


O projeto de lei 071/2025 (clique no link e acesse a íntegra) enviado pelo Executivo à Câmara Municipal em 18 de agosto de 2025 contém algumas discrepâncias fáticas e documentais. E pretende autorizar a ONG receber verbas públicas.
Na Mensagem, certamente elaborada a partir da narrativa do próprio vereador, menciona-se que a ONG teria sido “constituída em fevereiro de 2005...” sem mencionar o período de inatividade ou, pelo menos, de inatividade documental - na melhor das hipóteses.
Às fls. 42 do projeto de lei vê-se que a ONG MORAR BEM solicitou sua inclusão na REDESIM do governo do estado de São Paulo, regularizando sua existência, em 14/5/2025. Pouco mais de três meses antes do projeto de lei que pretende atribuir-lhe o título de “utilidade pública municipal”, permitindo que receba verbas públicas municipais e emendas parlamentares dos vereadores, já para o próximo orçamento.

Às fls. 43, em 2 de novembro de 2024, realizou-se assembleia geral da ONG para eleição e posse regular da diretoria que tem o filho do vereador como presidente.
Edgard Clementino Neto assinou uma DECLARAÇÃO afirmando que os cargos de Diretoria, Conselho Fiscal não são remunerados, bem como a ONG não distribui lucros ou quaisquer vantagens. A declaração vai às fls. 48 do projeto de lei que pretende atribuir à ONG a qualidade de “Utilidade Pública Municipal”. Detalhe: o documento está assinado em data de 25 de junho de 2015, 10 anos atrás.

No projeto de lei, apresentado aos vereadores, o presidente da ONG alega que ela “foi fundada em 20 de dezembro de 2005 e, desde então, vem desempenhando relevantes atividades de interesse social, de forma contínua, gratuita e sem fins lucrativos, com foco na promoção da cidadania, da educação e da cultura”.
Na documentação omitiu-se a inatividade jurídica da ONG por décadas e o fato de somente estar sendo regularizada agora - como se vê pelos próprios documentos apresentados.


Acima, fotos dos restaurantes do repasto de Clementino em sua viagem. O Rei do Filet viu ali se alimentar o Papa João Paulo II entre outras autoridades e pessoas famosas no curso da história. Clementino soube bem escolher.
Abaixo, imagem do Projeto de Lei, mostrando lanche servido para as crianças atendidas pela ONG do vereador gourmet.








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