Paula Winitski
A pandemia da dor do vazio.
Jornal DEMOCRATA edição 1928 de 21 de junho de 2026 Oi, meu amor…
Você já sentiu como se uma névoa te envolvesse e seu ser ficasse meio que deslocado? Sua mente quer definir, mas não é fome, nem sede, nem qualquer outra coisa que você consiga imaginar?
Sim, quase todos, hoje em dia, passam por isso…
E é tão sério que até pesquisadores, psiquiatras e neurocientistas estão fazendo estudos e experiências para definir o que está acontecendo comigo e com você.
Houve uma época em que esse fato não acontecia. Ficávamos em filas no banco, esperávamos o ônibus chegar, sem ter esse tipo de problema.
Na Universidade da Flórida, a professora Eric Westgate fez um teste com 50 pessoas. As pessoas que aceitaram receberam um valor em dinheiro apenas para ficar 15 minutos numa sala branca e vazia.
Mas, se elas não aguentassem, poderiam apertar um botão e receberiam um choque no calcanhar.
Qual não foi a surpresa: 71% dos homens e 26% das mulheres apertaram pelo menos uma vez o botão e receberam o choque. Um dos homens apertou o botão 190 vezes, numa média de um choque a cada cinco segundos.
Esse estudo revelou que muitos de nós preferimos sentir um estímulo negativo a não sentir estímulo algum.
Foram feitos outros estudos em várias universidades mundo afora, e eles estão concluindo que nossos cérebros estão doentes.
Foi realizada uma pesquisa que mostrou que, no mundo, uma pessoa passa, em média, 33,5 horas por semana consumindo mídia on-line. No Brasil, que está em quarto lugar, a média é de 53,5 horas por semana.
Nosso cérebro não foi feito para estar sempre focado em "dopamina barata", ou seja, estímulos que dão uma recompensa fútil e prendem nosso cérebro numa espiral de queda neurológica. É como se você estivesse com muita fome e comesse uma bala: puro açúcar, que, na hora, parece bom, mas não nutre, e logo vem mais e mais fome.
Precisamos de momentos de divagação, de lembrarmos de coisas, de planejarmos sem pressa, de imaginarmos, como quando éramos crianças. Lembra que uma caixinha de fósforo virava um carrinho e uma espiga de milho, uma boneca? E as nuvens, nas quais víamos figuras inusitadas e criávamos histórias para a viagem de carro parecer mais rápida?
Sim, o tédio de antigamente restaurava o cérebro e nos fazia ser mais inteiros.
O tédio de hoje, por causa das mídias on-line, está trazendo uma dor de vazio que nunca houve na história do mundo.
Quem consegue ficar sem o celular por algumas horas ou por um dia? E, sem ver os vídeos que nos enchem de informação e atrofiam nosso foco, nossa memória e nossa profundidade, vivemos o que chamamos de queda cognitiva. Isso troca o pensamento por uma reação emocional. Gera uma mente obesa, mas desnutrida, fazendo com que as pessoas não consigam mais ler um bom livro, manter um raciocínio complexo ou tolerar o tédio. Chamam de ruído esse novo tédio viciante e atrofiante.
Uma neurocientista chamada Rachel Barr diz: "Aterrorizamos o tédio com o ruído do celular." E, ao fazer isso, interrompemos o processo mais sagrado do cérebro: buscar conexões, criar e encontrar sentido e propósito.
É como se o nosso ser estivesse pedindo e suplicando: "Quero me envolver com algo que importa. Me dê sentido. Me dê presença. Me dê amor!"
A cura para esse vazio doloroso, esse ruído, está na Bíblia.
E, como o meu objetivo é termos uma vida plena com Deus, precisamos ir ao encontro da cura dessa epidemia com nosso Jesus.
O tédio de antigamente era um momento de introspecção e aprofundamento do nosso ser, e a resposta para esse momento era a saudade de Deus.
A Bíblia traz a história do profeta Elias, que estava deprimido, exausto, provavelmente entediado de tudo e até de si mesmo. E ele queria encontrar Deus; por isso, foi até o monte e esperou.
Veio um vento muito forte, mas Deus não estava no vento.
Veio um terremoto, mas Deus não estava no terremoto.
Veio o fogo, mas Deus não estava no fogo.
E então…
"Depois do fogo ouviu-se um murmúrio de uma brisa suave." (1 Reis 19:12)
E Elias cobriu a cabeça com sua capa, pois sentiu a presença de Deus.
Deus estava no quase silêncio. No sussurro…
Deus não compete com o barulho. Ele não vai aumentar o volume para vencer seus vídeos ou notificações.
Ele espera. Paciente. Amoroso.
Enquanto você rola a tela, Ele sussurra.
Enquanto você tem medo do silêncio, Ele sussurra.
E o que Ele diz?
Não é bronca. Não é sermão!
É: "Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus."
Aquietar é largar, parar de lutar contra o vazio. Parar de preenchê-lo com coisas fúteis e superficiais. É sentar no silêncio e descobrir que ele não é vazio — o silêncio está repleto de Presença!
O ruído é uma forma de cansaço, pois seu cérebro não fica sem estímulos. Você está cansado de buscar onde não há nada que possa te completar. Cansado de assimilar e deixar o tempo escorrer pela rachadura do seu ser sem se saciar. Cansado de consumir coisas materiais para tampar um vazio que só o Pai pode preencher.
Viktor Frankl, psiquiatra judeu que sobreviveu a quatro campos de concentração, descobriu, com sua experiência, que o ser humano não precisa de prazer. Precisa de sentido. Ele dizia que o sentido se encontra em três lugares: criar algo que importa, amar alguém de verdade e enfrentar a dor com dignidade. Nenhum aplicativo oferece isso. Nenhuma rede social entrega isso. Só a vida real. Só o amor real. Concluindo: só Deus!
C. S. Lewis escreveu:
"Se encontramos em nós mesmos um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fomos feitos para outro mundo."
Sim, o mundo de Deus Pai, que nos espera, nos amando, cuidando de nós e nos dando respostas para sairmos da prisão desta geração.
Deus nos deu a cura:
Romanos 12:2: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente." O cérebro tem neuroplasticidade. Se o ruído o deforma, a meditação e o relacionamento com Deus o reformam.
Isaías 30:15: "No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês; na quietude e na confiança está a sua força…" Descansando nos braços do Pai, que nosso Jesus nos possibilitou, jejuaremos dos estímulos das mídias e, com Ele, voltaremos a ter foco!
Filipenses 4:8: "Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama… nisso pensai." Podemos filtrar nossos pensamentos, pois o Espírito Santo nos ajuda a vencer.
O adversário não precisa nos fazer odiar o Pai; basta nos aprisionar no ruído e, assim, seremos incapazes de ouvir a Sua voz.
Beijinhos,
Paula Winitski



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