Vereadora Du Pereira Lima denuncia criança amarrada em EMEB de Mococa
Caso ocorreu na EMEB Madre Carmem de Jesus Sallès; família denuncia conduta, há investigação administrativa e inquérito policial em andamento
Vereadora Du Pereira Lima, transmissão da Câmara Municipal de Mococa Um caso grave envolvendo um aluno da rede municipal de ensino de Mococa veio à tona após denúncia da vereadora Du Pereira Lima, de Mococa.
Uma criança de 1 ano e 8 meses, menino matriculado no Maternal II da EMEB “Madre Carmem de Jesus Sallès”, teria sido amarrada a uma cadeira com um lençol por uma professora durante hora do almoço.
Segundo relato dos pais, o fato ocorreu na quarta-feira, 25 de março, mas só foi comunicado oficialmente à família dias depois.
Veja o momento da denúncia:
A mãe da criança, que tem outro filho de 8 anos também matriculado na rede municipal, foi chamada à sede da Secretaria Municipal de Educação, localizada na EMEB Barreto Coelho, no dia 30 de março, quando recebeu a informação da própria secretária.
Em entrevista ao DEMOCRATA, os pais demonstraram surpresa e indignação diante da situação.
“A gente só vê isso na televisão, não imagina que vai acontecer com a gente”, afirmou a mãe.
Reação da família e comportamento da criança
A mãe relatou que ficou sem reação ao receber a notícia. Nunca imaginou enfrentar uma situação remotamente semelhante.
Segundo os pais, o menino apresentava sinais de desconforto com a escola antes mesmo da revelação do caso.
Ele demonstrava nervosismo ao ir para a escola e, em algumas ocasiões, chegou a recusar-se a entrar na unidade.
Ainda de acordo com a mãe, depois de revelado que a professora amarrou a criança, chegou a ser alegado por representantes da educação que a criança poderia ser autista. No entanto, após avaliação com profissionais da área de saúde, não foram identificados traços de autismo, sendo descrita como uma criança saudável, ativa e curiosa.
Atenção: mesmo que fosse autista, não poderia ser amarrada como foi!
Mudança de professora e melhora
Após o ocorrido, a professora envolvida — que seria filha da diretora da escola, Maria Isabel Geraldo Calió — foi afastada da sala.
Com a substituição por uma nova docente, a família relata mudança significativa no comportamento do menino:
ele voltou a frequentar as aulas normalmente e deixou de apresentar resistência ou nervosismo.
Segundo os pais, profissionais da própria escola teriam comentado que a criança está “outra criança” após a mudança.
Outras mães também relataram insatisfação com a conduta da professora, descrita como sem paciência com os alunos.
Investigações em andamento
De acordo com apuração do DEMOCRATA, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar o caso. No entanto, segundo informações obtidas junto a uma funcionária da área da educação, o processo não teria avançado até o momento.
Além disso, há também um inquérito policial em andamento, instaurado a partir de boletim de ocorrência registrado sobre o caso. Devido a tratar-se de violência contra criança, o inqúerito tramita sob segredo.
Contexto político e repercussão
A situação veio a público após denúncia da vereadora Du Pereira Lima, que tem se destacado por atuação independente na Câmara Municipal, apesar de integrar o mesmo partido do prefeito Eduardo Barison.
A parlamentar já havia denunciado anteriormente problemas na rede municipal, como a falta de merenda escolar no início do ano.
O episódio também ocorre em meio a críticas à postura da administração municipal. Segundo apurado, a Prefeitura esteve na escola onde ocorreu o fato recentemente, mas para a gravação de um vídeo institucional com caráter de divulgação, em uma ação voltada às redes sociais.
Silêncio oficial
Até o momento, não houve manifestação detalhada por parte da Prefeitura sobre o caso específico, nem atualização pública sobre o andamento do processo administrativo.

Diretora Maria Isabel Geraldo Calió e prefeito Eduardo Barison em imagem registrada na EMEB, divulgada em redes sociais da prefeitura
A diretora, mãe da professora, como denunciado pela vereadora em plenário, não foi afastada - o que gera apreensão sobre as investigações.
O caso levanta questionamentos sobre segurança, preparo de profissionais da educação infantil e mecanismos de fiscalização, especialmente no atendimento de crianças em idade tão precoce.
Democrata tentou contato com o prefeito, com a escola e diretora, sem sucesso. O espaço para manifestação segue em aberto para todos os envolvidos e/ou mencionados.
O nome da criança e de seus familiares não foi divulgado para preservar-lhe a intimidade.







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