A conta da Expoam

Jornal Democrata, edição 1937 de 29 de agosto de 2026
A conta da Expoam

A política tem uma regra elementar: quando se anuncia dinheiro público, é preciso dizer de onde ele veio. 

E, quando se promete um recurso que não chegou, também é preciso explicar.

Em Mococa, a realização da Expoam deste ano foi anunciada pelo prefeito Eduardo Barison com a divulgação de que o evento contaria com patrocínio do Governo do Estado, por intermédio de um deputado que hoje é apresentado como candidato apoiado pelo prefeito.

A informação, naturalmente, dava ao evento uma dimensão política importante: a Prefeitura realizaria a festa e, ao mesmo tempo, demonstraria a capacidade de articulação do governo municipal para trazer recursos de fora.

O problema é que a versão divulgada não parece resistir aos documentos.

O vereador Braz Mariano requereu informações à Prefeitura e obteve resposta indicando que não houve contribuição financeira do deputado para a realização da Expoam. 

Segundo os dados apresentados ao Legislativo, os recursos utilizados para bancar o evento saíram dos cofres do próprio município.

A diferença não é pequena. 

Nem apenas contábil.

Se a Prefeitura pagou a conta, por que a população foi levada a acreditar que o dinheiro viria do Governo do Estado? E por que associar a realização da Expoam à atuação de um deputado que, conforme a própria documentação obtida pelo vereador, não destinou recursos para o evento?

São perguntas que o prefeito Barison e o candidato em questão precisam responder.

Há ainda um segundo aspecto que torna o caso mais delicado. 

Enquanto a Prefeitura financiava a Expoam com recursos municipais, servidores públicos municipais passaram a enfrentar atrasos e parcelamentos nos salários, com pagamentos chegando a ser realizados em até três vezes ao longo do mês.

É importante deixar claro: não há, nos dados apresentados, comprovação de que o dinheiro utilizado na Expoam tenha sido retirado especificamente da folha de pagamento dos servidores. Seria irresponsável afirmar isso sem documentação que estabeleça essa relação.

Mas também é legítimo perguntar sobre as prioridades da administração.

Quando o município enfrenta dificuldades para pagar seus servidores em dia e, ao mesmo tempo, encontra recursos para financiar uma grande festa, a sociedade tem o direito de saber como foram tomadas essas decisões, qual era a situação financeira da Prefeitura no período e quais recursos poderiam ter sido destinados a outras despesas.

A questão central, portanto, não é ser contra ou a favor da Expoam. Eventos podem movimentar a economia, proporcionar lazer e trazer benefícios à cidade. O que não pode ser admitido é que a população fique sem respostas sobre quem pagou a conta.

Dinheiro público exige transparência. Salário de servidor exige prioridade. E anúncio de verba pública exige precisão.

Se o recurso anunciado não veio do deputado, que se diga claramente. 

Se a Prefeitura pagou a Expoam, que mostre quanto custou. 

 E se o caixa municipal está apertado a ponto de os servidores receberem seus salários de forma parcelada, a administração precisa explicar por que essas prioridades foram escolhidas.

No fim, não se trata apenas da Expoam.

Trata-se de responsabilidade com o dinheiro público, de transparência e, sobretudo, de respeito àqueles que pagam a conta.




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