O que é público também é nosso


O que é público também é nosso

O espaço público não é de ninguém. É de todos.

Essa diferença, que parece apenas semântica, ajuda a explicar muitos dos problemas que ainda enfrentamos em nossas cidades. 

Quando uma praça é depredada, uma calçada é ocupada irregularmente, uma árvore é destruída ou uma área pública é transformada em depósito de lixo, não estamos diante de um problema “da Prefeitura”. 

Estamos diante de um problema de todos nós.

Nesta edição, mostramos um exemplo que deveria provocar indignação e, principalmente, reflexão. 

Uma área pública de São José do Rio Pardo foi transformada por moradores em um verdadeiro depósito de lixo a céu aberto. 

A situação chegou a tal ponto que, nesta semana, a Prefeitura precisou retirar 15 caminhões de lixo e entulho do local.

É uma quantidade impressionante. 

E mais impressionante ainda é pensar que boa parte desse material poderia ter sido destinada corretamente.

A cidade dispõe de equipamentos públicos justamente para isso. O Eco Ponto existe para receber materiais que não devem ser simplesmente abandonados em terrenos, ruas, margens de córregos ou áreas verdes. 

Utilizá-lo é uma atitude simples, mas representa muito mais do que cumprir uma regra: significa respeitar a cidade e as pessoas que nela vivem.

Também é preciso reconhecer a responsabilidade do poder público. 

Equipamentos como o Eco Ponto precisam funcionar adequadamente, ter divulgação, fiscalização e condições para que a população possa utilizá-los. 

Mas nenhuma estrutura pública será suficiente se parte da sociedade continuar entendendo que aquilo que está fora de sua casa deixa de ser sua responsabilidade.

Cidadania começa justamente onde termina o espaço privado.

O terreno público é nosso. 

A praça é nossa. 

A rua é nossa. 

O dinheiro utilizado para retirar os 15 caminhões de lixo também é nosso — recursos que poderiam estar sendo empregados em saúde, educação, manutenção urbana, esporte ou outras necessidades da população.

Preservar os espaços comuns não exige grandes gestos. 

Exige apenas a compreensão de que viver em sociedade significa compartilhar responsabilidades.

Uma cidade limpa não é aquela em que a Prefeitura consegue retirar mais lixo. 

É aquela em que seus moradores compreendem que não devem produzi-lo ou abandoná-lo onde não devem.

O que é público também é nosso. 

E cuidar daquilo que é de todos é uma das formas mais básicas de cidadania.




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