Paula Winitski

MAMON E JESUS: a disputa pelo coração que nunca soube amar...


MAMON E JESUS: a disputa pelo coração que nunca soube amar...

Oi,, meu amor...

Há uma guerra silenciosa que não se trava em trincheiras de areia, mas nas dobras invisíveis do coração humano. Os generais dessa guerra têm nomes. Um se chama Jesus. O outro se chama Mamon. E o campo de batalha é a sua capacidade de amar.

Mamon não é apenas dinheiro, como nos ensinaram os dicionários preguiçosos. Mamon é um sistema de pensamento. É uma placenta psíquica que promete nutrição perpétua sem jamais exigir nascimento.

 É a voz que sussurra desde a infância: “Você vale o que possui. 

Você é amado na medida exata do que recebe. 

O afeto se mede em gramas, em cifras, em embrulhos.”

Jesus, ao contrário, é a voz que chama para fora do útero. 

Para a vida adulta do espírito. 

Para o amor que não se compra, porque já foi comprado por sangue.

Foi o próprio Jesus quem nomeou o conflito com uma clareza que dispensa teólogos: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamon” (Mateus 6:24). 

Ele não disse que é difícil. Disse que é impossível. Porque Mamon não é um objeto que se carrega na carteira. É um deus que se carrega na alma. E deuses não admitem concorrência.

De onde vem esse deus? 

Vem do berço. 

Vem da primeira vez que um pai, cansado demais para dar colo, deu um presente. 

Vem da primeira vez que uma mãe, culpada demais para dizer “não”, disse “toma”. 

A criança aprende a equação mais perversa da existência: desconforto emocional mais objeto material é igual a alívio. 

Essa criança cresce, e o que era chocolate vira carro, vira casa, vira promoção, vira milagre. 

O mecanismo é o mesmo. O coração continua infantilizado, batendo no ritmo de um tambor primitivo: “Me dá. Me dá. Me dá.” Gerando um coração insatisfeito.


Paulo, o gigante da alma, diagnosticou a raiz do problema com precisão cirúrgica.


Ele disse: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador” (Romanos 1:25). 

Percebeu a inversão? A criatura — o dinheiro, o sucesso, o objeto — assume o altar. 

O Criador é rebaixado a 

provedor da criatura. 

Mamon não quer que você deixe de acreditar em Deus. 

Mamon é mais astuto. 

Ele quer que você use Deus. 

Que você transforme o Eterno num entregador de aplicativo. Que você ame as coisas e use o Amor, em vez de amar o Amor e usar as coisas.

O resultado é uma geração de órfãos de Deus morando em palácios. Gente que tem tudo, menos paz. Que recebe tudo, menos afeto. Que conquista tudo, menos a si mesma. 

E tristemente, quando essa gente se ajoelha, não adora: Barganha. 

Quando ora, não se derrama: Faz pedido. 

Quando Deus não entrega, não se aquieta: Se revolta. 

Porque Mamon ensinou que amor é transação, e transação quebrada é guerra declarada.

Mas Deus, não é comerciante. 

É Pai. 

E um Pai que ama de verdade não forma filhos mimados: Forma filhos livres. 

E para formar filhos livres, Ele precisa desmamar Mamon do coração deles.

Aqui entra a pedagogia do deserto. 

Paulo, que aprendeu na carne e na fome, testemunhou: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, seja tendo muito, seja passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:11-13). 

Ele não disse que aprendeu a decretar bênçãos. 

Disse que aprendeu a estar contente. Na barriga cheia e na barriga vazia. 

Porque o amor dele por Jesus já não dependia do cardápio. 

Dependia do Cristo. Cristo bastava. 

E Cristo basta.

Essa é a lição mais difícil que um adulto-feto pode aprender. 

Porque o feto não sabe viver sem placenta. 

Ele acha que a placenta é a vida. 

Mas a placenta é apenas o veículo. 

A Vida é outra coisa.

Abraão entendeu isso no monte Moriá. 

Deus lhe pediu Isaque. O filho da promessa. 

O presente que materializava décadas de espera. 

Se Abraão estivesse servindo a Mamon — mesmo sem saber —, ele teria dito: “Não! Isaque é a prova de que me amas! Sem ele, não tenho nada!”

 Mas Abraão subiu o monte.

 Amarrou o filho. 

Levantou o cutelo. 

E ali, no exato segundo em que a lâmina brilhou no ar, Mamon morreu naquele coração. O anjo o deteve, mas Deus já tinha conseguido o que queria: um homem que amava o Doador, não o presente. Um homem livre.

Moriá é a desintoxicação da alma. 

É o lugar onde Deus nos pergunta, sem palavras, mas com o silêncio ensurdecedor da falta: “Você me ama por Mim, ou me ama pelo pacote?” 

Poucos têm coragem de responder. Menos ainda de viver a resposta.

E então chegamos ao Calvário. 

Porque Moriá foi apenas o ensaio. 

O Calvário foi a estreia definitiva:  Ali, Jesus — o próprio Deus — foi despojado de tudo. De roupas, de dignidade, de companhia, de ar. Pendurado nu entre o céu e a terra, Ele sequer tinha uma cama onde reclinar a cabeça. A cruz é o manifesto supremo contra Mamon. É Deus dizendo, em carne e osso: “O amor não é ganho. O amor é dom. O amor não é acúmulo. O amor é esvaziamento.”

Quando Jesus gritou “Está consumado”, não estava apenas encerrando uma transação cósmica. 

Estava assinando a certidão de óbito da ilusão materialista. 

Estava declarando que o único tesouro que não enferruja é um coração que aprendeu a amar sem muletas. Que o único ouro que atravessa a eternidade é o amor que se dá, não o ouro que se guarda.

Hoje, confesso a vocês com o carinho de quem já andou muito e caiu bastante: eu já servi a Mamon. 

Já confundi a mão de Deus com o rosto de Deus. 

Já exigi que a fé fosse um supermercado e a oração um caixa eletrônico. 

Já fui a menina do chocolate, o adulto-feto, o órfão de ouro. Até que o deserto veio. Até que a frustração me educou. Até que o silêncio de Deus me desmamou.

Descobri, não sem lágrimas, que Jesus não é um meio. É o Fim. 

Não é o caminho para as bênçãos. É a Bênção. 

E quando Ele se torna a única riqueza, a pobreza vira abundância. 

A falta vira presença. O vazio vira plenitude.

A guerra entre Mamon e Jesus continua. 

Ela se trava agora, enquanto você lê estas palavras. 

Mas a batalha decisiva já foi vencida. Na cruz. E a vitória final não será dos que acumularam mais, mas dos que amaram melhor. 

Dos que, despidos de tudo, descobriram que tinham Tudo.

Yçame Tiba dizia: Quem ama, educa. 

E Jesus, o Amor encarnado, está nos educando — com espinhos, com silêncios, com desertos — para o dia em que, livres de Mamon, entraremos no abraço eterno. 

Onde não haverá ouro. Nem prata. Nem placas. 

Apenas o Rosto. E, enfim, seremos adultos. 

Livres. 

Filhos imensamente amados!

Não duvide, creia.

Não interprete como Mamon quer...

O Amor dEles por nós é real e pleno – te esperando sair do leite e vir cear na abundância de Sua Presença.

Beijinhos...

Paula Winitski




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