Morre o professor Lázaro Chaves, ex-diretor da Casa Euclidiana

Jornal Democrata
Morre o professor Lázaro Chaves, ex-diretor da Casa Euclidiana Lázaro Chaves / Acervo Pessoal
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Com profunda tristeza, o Jornal Democrata registra o falecimento do professor Lázaro Curvelo Chaves, ocorrido nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, aos 66 anos. Faltava apenas um mês para que ele completasse 67 anos — nascido em 21 de julho de 1959, em Niterói, Rio de Janeiro, Lázaro partiu cedo demais, deixando um vazio que São José do Rio Pardo vai demorar muito para preencher.

Filho mais velho de uma família de cinco irmãos — Dálton, Ana Maria, Regina e Márcio —, Lázaro construiu uma trajetória de vida marcada pela disciplina, pelo saber e pelo serviço ao próximo. Formou-se sargento na Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá, e serviu no Rio de Janeiro antes de cursar Sociologia na Universidade Federal Fluminense. Foi nessa combinação rara de rigor militar e sensibilidade intelectual que se forjou o homem que Rio Pardo teria a sorte de receber.

Reformado da carreira militar, Lázaro escolheu São José do Rio Pardo para chamar de sua. E a cidade, por sua vez, soube reconhecer o presente que recebia. Como professor, dedicou-se com generosidade à formação de gerações de rio-pardenses, sendo daqueles educadores que deixam marca não apenas no currículo dos alunos, mas no caráter das pessoas. Por muitos anos foi também colunista deste jornal, emprestando à nossa página a seriedade e a elegância de seu pensamento.


Mas talvez seu legado mais visível e duradouro esteja inscrito nas paredes da Casa de Cultura Euclides da Cunha. Como diretor da instituição durante a gestão do ex-prefeito Richard Celso Amatto, Lázaro foi o articulador incansável de uma reforma estrutural que devolveu à Casa Euclidiana a dignidade que ela merecia. Com apoio do governo municipal, do governo estadual e a participação ativa do CONDEPHAAT, conduziu o processo com a habilidade de quem conhece tanto a burocracia quanto a importância do que está preservando.

Não parou por aí. Foi Lázaro quem teceu, com paciência e convicção, a costura política que resultou na doação, pela Fundação Nestlé, das telas do artista Otoniel Fernandes Neto ao acervo euclidiano rio-pardense — um patrimônio cultural que agora pertence à cidade para sempre, graças ao seu empenho silencioso e eficaz.

Acima de tudo, Lázaro Chaves foi um divulgador genuíno da obra de Euclides da Cunha. Não buscava holofotes, não cultivava vaidades — tão comuns nos meios culturais —, mas trabalhava com a convicção de quem acredita que a memória de um povo é sua maior riqueza. Era daqueles que fazem porque acreditam, não para serem vistos.

Rio Pardo perde hoje um professor, um intelectual, um guardião. Mas o que Lázaro plantou — nas salas de aula, nas colunas deste jornal, nas paredes restauradas da Casa Euclidiana e nas telas que ele ajudou a trazer para cá — permanece. E permanecerá por muito tempo.

Ao seus irmãos, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele, o Jornal Democrata expressa suas mais sinceras condolências.

Descanse em paz, professor Lázaro. A cidade que você escolheu não vai esquecer você.

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