Promessa Vazia não se cria

jornal Democrata, edição 1918 de 11 de abri de 2026
Promessa Vazia não se cria Zildão no Jacaré / I.A.
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Quando Zildão morava em uma cidade vizinha,  chegou na roça  um político de lá, bem alinhado, fala mansa e promessa grande. Olhava tudo como quem mede o mundo com régua de gabinete. Ao ver Zildão encostado na cerca, mascando capim e quieto, soltou um sorriso de lado, como quem já se acha acima de todo aquele chão.

— Aqui ainda tem gente vivendo assim? Sem modernidade… isso precisa de gestão! — disse, com ar de superioridade.

Zildão só observou. Depois respondeu calmo, sem pressa:

— Moço, aqui a gente mede vida por resultado, não por palavra bonita.

O político ignorou o comentário e começou o discurso: estrada nova, internet boa, futuro garantido. Prometia como quem já tivesse tudo pronto no bolso.

Zildão ficou só olhando.

Dias depois, o político foi embora deixando mais fala do que marca no chão. Nenhuma obra, só promessa.

Veio então uma chuva forte e abriu um buraco na estrada de terra, ficou feio.

O político voltou rápido, já com fotógrafo e discurso preparado. Mas se enrolou nas próprias versões, cada um dizia uma coisa diferente sobre responsabilidade.

Zildão caminhou até o trecho danificado e apontou:

— Se tivesse ouvido antes, sabia que essa água sempre passa aqui. Bastava uma valeta naquela curva.

O engenheiro ficou em silêncio. O político engoliu seco.

— Promessa não segura enxurrada — completou Zildão. — Raiz boa é cuidado, não conversa.

O reparo foi simples, feito com a solução que já estava ali, na observação do próprio povo.

No fim, a comunidade resolveu tudo rápido, como sempre fez. 

O político da cidade vizinha foi embora mais quieto do que chegou, levando uma lição que não veio de discurso nem de reunião: chão não se engana com fala bonita, e quem não escuta a terra acaba tropeçando nela mesma.

Mas, mesmo assim, enquanto morou lá Zildão via o político chegando, dando lição de moral, tirando foto pra postar em rede social, usando inteligência artificial para parecer bonito a sujeira e os buracos naturais.

Cheio de promessas.

Mas promessa vazia, que não se cria...

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