Paula Winitski

O lugar para a alma descansar: Pertencimento em Jesus.

Jornal Democrata, edição 1933 de 2 de agosto de 2026
O lugar para a alma descansar: Pertencimento em Jesus.

Oi, meu amor...


No final dos anos 1990, a Islândiaestava enfrentando um problema que parecia difícil de se resolver.


O país tinha uma das maiores taxasno consumo de álcool, cigarro e drogas entre os adolescentes da Europa. Fizeramde tudo, escolas, propagandas e pais, tentando dizer o que os adolescentes nãodeviam fazer. Não funcionou.


Então, um país desenvolvido, comensino de qualidade, estabilidade financeira, precisou sair da caixinha e emvez de perguntar: “Como podemos impedir os adolescentes de beber?” perguntar:“Como o ambiente que eles estão crescendo está disfuncional?”


Sim, descobriram que faltavaconexão.


Faltava atividades significativas,faltava tempo com a família, faltava a a supervisão dos pais e faltava asensação de pertencimento.


Mudaram coisas simples: fazerrefeições juntos, ligar para saber onde os filhos estavam, passar mais tempo emfamília e os pais participarem mais tempo da rotina dos filhos... Quem sabe,mais olho no olho, abraços e aconchego.


Quando mudaram as conexões e ascrianças se sentiram seguras, pertencentes a uma família, de 42% deadolescentes que bebiam, se tornou apenas 5%. O tabagismo caiu de 23% paraperto de 1%. A prevenção deixou de depender apenas das campanhas e passou acomeçar dentro de casa.


A grande descoberta não foi apenasdeixar os adolescentes ocupados, mas entender que o maior fator de proteção é opertencimento.


Qualquer família pode aplicar essesprincípios.


E se eu te dissesse que esseprincípio é bíblico?


E que precisamos sair da servidãopara o pertencimento?


Antes de Deus dar os dezmandamentos, Deus fez uma declaração de amor:


“Eu sou o Senhor, teu Deus, que tetirei da terra do Egito, da casa da servidão.” O resgate aconteceu primeiro,depois as regras. As regras não eram a porta de entrada para estar com Deus,mas as mobílias de uma casa de Alguém que esperava por eles.


No centro dessa casa, Deus colocouum presente: o sábado. Um dia inteiro para parar. Para lembrar que não sepertence mais ao chicote, ao relógio, à produtividade. Um dia para olhar nosolhos do Pai e ouvir de novo: “Tu és meu.” O sábado era o abraço semanal deDeus. Mas era também uma sombra. Toda sombra anuncia um corpo. E o corpo éCristo.


Jesus não veio melhorar o sábado.Ele veio ser o sábado. “Vinde a mim, todos os que estais cansados esobrecarregados, e eu vos aliviarei.” Não é um ritual que alivia. É uma Pessoa.


Quando os fariseus o acusaram detrabalhar no dia santo, Ele respondeu com uma frase que ainda hoje desmonta areligião: “O Filho do Homem é senhor do sábado.” Como se dissesse: “Eu sou odescanso que vocês procuram em dias, regras e merecimentos. Eu sou a casa ondea alma para de fugir.”


Os Dez Mandamentos, então, ganhamnova luz.


Vistos em Jesus, deixam de serexigências para virar retrato de família.


“Não terás outros deuses” vira odescanso de um coração que finalmente parou de correr atrás de cisternasfuradas.


“Não matarás, não adulterarás, nãofurtarás” viram as paredes que protegem o lar onde o amor respira sem medo.


 Eugene Peterson dizia que os mandamentos sãocercas que protegem, não jaulas que prendem.


E Max Lucado, com seu jeitinholindo de contador de histórias, lembra que o Criador escreveu as instruções naembalagem porque conhece o produto. Quando a gente se encaixa no projeto, aalma descansa.


Jordan Peterson percebeu que umacomunidade só sobrevive quando assume limites partilhados. Pertencer, para ele,é abraçar responsabilidade por algo maior.


Concordo, mas vou mais fundo:pertencemos, antes de tudo, a Alguém. E esse Alguém carregou a responsabilidademaior — Ele se fez escravo para nos fazer filhos. Ele se fez cansaço para nosfazer descanso.


Jesus não nos salvou para sermosbons cidadãos da terra, mas embaixadores do céu.


Vou completar com um sorriso: vocênão é mendigo, é filho. A mesa já está posta. O lugar está marcado. Não háperformance que conquiste o que o sangue de Cristo já selou. E o sussurro é queo coração só encontra lar quando Deus ocupa o centro. Sem ídolos. Sem ruídos.Só Ele.

 

O amor de Deus é como o de um paique deixa o portão aberto, com a luz da varanda acesa, esperando o filho quepartiu. Esse filho ensaiou discursos de desculpa, tentou negociar um lugar deempregado, mas o pai o interrompeu com um abraço. Não houve sermão. Não houvecondições. Houve sandálias nos pés, anel no dedo e festa. É assim quando a vozdo Pai se torna a mais verdadeira que você ouve: você não precisa merecer o quejá é seu por nascimento.


Sei que às vezes você ainda sesente do lado de fora. Mas Jesus não só abriu a porta — Ele é a porta. Ele nãosó preparou a casa — Ele é a casa. O sábado não é um dia. É um abraço eterno.Você pode se encostar agora. Pode tirar os sapatos da alma. Pode parar deprovar, de correr, de performar e fugir.


Você pertence. Não porqueconseguiu, mas porque Ele conseguiu. Jesus é o seu descanso, o seu sábado, oseu lar. E a luz da varanda está acesa desde sempre, esperando vocêsimplesmente entrar.


Venha se sentir pertencente àfamília do Amor, a família que completa o incompleto do nosso ser...


O amor do Pai, nos méritos de Jesuse na direção do Espírito Santo muda tudo: da servidão para a plenitude de vida.


Confie e experimente... éindescritível, mas totalmente real.


Beijinhos...


Paula Winitski

 



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