Pamela Zanardo
Cuidados Nutricionais na Pancreatite Aguda
Jornal Democrata, edição 1930 de 5 de julho de 2026 O pâncreas é o órgão responsável pela secreção do suco pancreático, que contém as enzimas digestivas, e pela secreção dos hormônios insulina e glucagon, responsáveis pelo controle glicêmico.
A pancreatite é uma inflamação no pâncreas que pode ocorrer devido a cálculo biliar, trauma pós-operatório ou abdominal, hiperlipidemia, neoplasia pancreática, úlcera duodenal, uso de imunossupressores, diuréticos e consumo exagerado de álcool.
As principais manifestações clínicas são dor abdominal, náuseas, vômitos, febre, icterícia, anorexia, desnutrição, má absorção e esteatorreia (gordura nas fezes).

O diagnóstico é baseado em exames laboratoriais, com aumento da enzima lipase, da glicemia e redução dos níveis de cálcio, além de exames de imagem, como raio X, tomografia, ultrassonografia e dosagem de enzimas.
O tratamento da pancreatite aguda é realizado por meio de medicamentos analgésicos, antiácidos para redução do ácido clorídrico do estômago e antibióticos, a fim de controlar a dor e a inflamação.
Em casos graves, o médico pode recomendar tratamento cirúrgico em quadros de necrose e de litíase biliar, caracterizada pela presença de pedras na vesícula, que são retiradas por meio da cirurgia de colecistectomia.

Os cuidados nutricionais têm como objetivo proporcionar repouso pancreático, reduzir a estimulação da secreção pancreática e biliar, diminuir a secreção ácida estomacal e manter o estado nutricional adequado.
Quando é realizado o diagnóstico de pancreatite aguda, o paciente, em ambiente hospitalar, deve permanecer em jejum por 48 horas para diminuir a produção das substâncias do pâncreas e realizar a reposição hidroeletrolítica de sais minerais, como sódio, potássio, cálcio, magnésio e cloro.

Após o jejum, reinicia-se a dieta com a reintrodução alimentar de forma fracionada e redução do volume das refeições, composta por seis a oito refeições ao dia. Inicialmente, a alimentação deve ser líquida, isenta de chás escuros, café puro e alimentos ricos em purinas, como carnes e gelatinas, com evolução diária da consistência até chegar a uma dieta normoproteica, rica em carboidratos e pobre em gorduras.
Quais alimentos devem compor a alimentação?
- Pães, biscoitos de água e sal e macarrão;
- Frutas frescas e secas e sucos de frutas;
- Verduras e legumes em geral, in natura ou cozidos, sem adição de gorduras;
- Leite e iogurtes desnatados, queijo branco, ricota, cottage e requeijão light;
- Carnes magras e frango sem pele;
- Ovos, preferencialmente a clara;
- Alimentos cozidos, assados ou grelhados.
O que deve ser evitado?
- Açúcar e doces (com moderação);
- Refrigerantes;
- Bebidas alcoólicas;
- Gorduras e óleos;
- Frituras;
- Embutidos, como salame, mortadela, presunto, linguiça, bacon e salsicha;
- Manteiga e maionese;
- Molhos brancos e molhos prontos;
- Biscoitos recheados e salgadinhos.
Para garantir o sucesso no tratamento da pancreatite aguda, é de suma importância a associação do acompanhamento médico e nutricional, a fim de melhorar os sintomas da doença e promover a saúde por meio de uma alimentação saudável, com quantidades adequadas de nutrientes, a partir da realização de um planejamento dietético individualizado e personalizado, considerando as condições clínicas de cada indivíduo.
Pamela Bueno Zanardo é nutricionista (CRN3-35316) pela Universidade Nove de Julho/SP. Tem formação executiva em controle de qualidade dos alimentos e produção pela Universidade Nove de Julho, sendo especialista em nutrição clínica: metabolismo, prática e terapia nutricional pela Universidade Gama Filho/RJ. É nutricionista clínica no Hospital Santa Helena, Santo André-SP. E-mail: pamelazanardo@hotmail.com




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