Pamela Zanardo
Alergia e Intolerância Alimentar na Infância: cuidados alimentares
Jornal Democrata, edição 1924 de 22 de maio de 2026 A grande maioria das reações adversas aos alimentos é causada por fatores não imunológicos, como contaminação, reações farmacológicas, tóxicas, metabólicas ou neuropsicológicas.
Na maioria das vezes, as manifestações da intolerância alimentar são muito semelhantes às da alergia alimentar, como as reações gastrointestinais.
A intolerância alimentar é designada como reação não imunológica, ou seja, reação a um alimento não intermediada por ações imunes, e sim por doenças metabólicas, intoxicações e deficiências enzimáticas.
Como exemplo, a intolerância à lactose, que é a deficiência da lactase, enzima que auxilia na digestão da lactose. Os sintomas incluem distúrbios gastrointestinais, cutâneos e respiratórios.
A alergia alimentar é caracterizada como reação de hipersensibilidade a alimentos, na qual existe um mecanismo imunológico envolvido. Após o contato com proteínas presentes em certos alimentos, o indivíduo predisposto às alergias desenvolve um estado de sensibilização a essas proteínas.
As reações alérgicas a alimentos apresentam-se, muito frequentemente, como urticária, mas podem desencadear reações graves, como choque anafilático, em pessoas muito alérgicas.

A alergia alimentar é mediada pela imunoglobulina E, ocorrendo quando o sistema imunológico reage a uma proteína alimentar normalmente não prejudicial, que o organismo erroneamente definiu como prejudicial.
A incidência de alergia alimentar parece diminuir com a idade, sendo os lactentes com menos de 2 anos a população com maior probabilidade de desenvolvê-la.
São considerados fatores de risco para o desencadeamento de alergias alimentares:
- Hereditariedade;
- Idade;
- Permeabilidade gastrointestinal;
- Fatores ambientais;
- Potencial alergênico dos alimentos;
- Estado imunológico da criança;
- Deficiência de imunoglobulina A, anticorpo mais importante do trato gastrointestinal.
A alergia e a intolerância alimentar são diferentes, mas ambas apresentam maior incidência nos 3 primeiros anos de vida, diminuindo com a idade. A maioria se resolve espontaneamente.
Raramente a alergia alimentar manifesta-se pela primeira vez em indivíduos adultos, e a história natural da alergia demonstra que muitos alimentos inicialmente sensibilizantes para crianças passam a ser tolerados mais tarde.

Alimentos alergênicos mais comuns em bebês e crianças: amendoim, leite, ovos, peixes e soja.
Alimentos alergênicos mais comuns em adultos: amendoim, mariscos, nozes, peixe e trigo.
O diagnóstico é realizado por meio de exames como testes cutâneos, testes de provocação oral e exames imunológicos. Para a identificação do alimento suspeito, é necessária a comprovação de que o alimento causa resposta adversa e a verificação do envolvimento imunológico.
O tratamento é feito com acompanhamento médico e nutricional, para retirada dos alimentos que causam essas reações adversas, substituindo os alimentos restritos por permitidos no planejamento e preparo das refeições.
Destaca-se também a importância de ler os rótulos dos alimentos, para verificar os ingredientes antes da compra e do consumo.
A prevenção da alergia alimentar está presente em algumas ações:
- Estimular o aleitamento materno;
- Evitar a exposição a antígenos durante a gravidez e a lactação e
- Retardar a introdução de alimentos sólidos.
Pamela Bueno Zanardo é nutricionista (CRN3-35316) pela Universidade Nove de Julho/SP. Tem formação executiva em controle de qualidade dos alimentos e produção pela Universidade Nove de Julho, sendo especialista em nutrição clínica: metabolismo, prática e terapia nutricional pela Universidade Gama Filho/RJ. É nutricionista clínica no Hospital Santa Helena, Santo André-SP. E-mail: pamelazanardo@hotmail.com



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