Fabrício Menardi
El Niño 2026: o que é, como é detectado, previsões, riscos e precauções
O fenômeno El Niño voltou ao centro das atenções da comunidade científica internacional. Em junho de 2026, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o início de um novo episódio, enquanto a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou governos e populações para a necessidade de preparação diante dos possíveis impactos climáticos nos próximos meses.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente na região central e leste do oceano. Ele faz parte do sistema conhecido como Oscilação Sul-El Niño (ENSO, na sigla em inglês), que influencia os padrões de temperatura, chuvas e circulação atmosférica em diversas partes do planeta.
Normalmente, os ventos alísios empurram as águas mais quentes para o oeste do Pacífico, próximo à Austrália e Indonésia. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem, permitindo que águas mais quentes avancem para o centro e o leste do oceano, alterando o equilíbrio climático global.
O fenômeno ocorre, em média, a cada dois a sete anos e pode durar entre nove e doze meses, embora alguns eventos persistam por períodos mais longos.
Os cientistas monitoram continuamente a temperatura da superfície do mar em áreas específicas do Oceano Pacífico Equatorial. Um episódio de El Niño é geralmente declarado quando a temperatura média nessa região permanece pelo menos 0,5°C acima da média histórica por um período prolongado.
Além das medições oceânicas, são analisados:
- Temperatura das águas subsuperficiais;
- Intensidade dos ventos alísios;
- Pressão atmosférica entre o Pacífico oriental e ocidental;
- Índice de Oscilação Sul (SOI);
- Dados de satélites, boias oceânicas e navios meteorológicos.
Segundo a NOAA, as primeiras semanas de junho de 2026 já apresentavam aquecimento suficiente para caracterizar oficialmente o fenômeno. A OMM também registrou temperaturas subsuperficiais mais de 6°C acima da média em partes do Pacífico tropical, indicando grande disponibilidade de calor para fortalecer o evento.
As projeções internacionais apontam elevada probabilidade de persistência do fenômeno durante o restante de 2026 e início de 2027.
A Organização Meteorológica Mundial estima cerca de 80% de probabilidade de ocorrência do El Niño entre junho e agosto de 2026, com chances superiores a 90% de continuidade até novembro. Os modelos climáticos sugerem que o evento deverá alcançar intensidade moderada ou forte.
A NOAA também prevê fortalecimento gradual do fenômeno durante o segundo semestre, com possibilidade de atingir seu pico entre o final de 2026 e o início de 2027.
Especialistas alertam que o El Niño poderá contribuir para novas ondas de calor globais e para o aumento da frequência de eventos meteorológicos extremos, especialmente porque ocorre em um contexto de aquecimento global já acelerado.
Embora os efeitos variem de uma região para outra, o El Niño costuma aumentar a ocorrência de extremos climáticos.
Entre os principais riscos estão:
Chuvas intensas e enchentes
Diversas regiões da América do Sul podem registrar precipitações acima da média, aumentando o risco de:
- Enchentes urbanas;
- Inundações de rios;
- Deslizamentos de terra;
- Danos à infraestrutura.
- Secas prolongadas;
Outras áreas do planeta, especialmente partes da Ásia, Oceania e algumas regiões agrícolas, podem enfrentar redução significativa das chuvas, comprometendo:
- Reservatórios de água;
- Produção agrícola;
- Geração hidrelétrica.
Ondas de calor
O fenômeno costuma elevar as temperaturas médias globais e favorecer episódios de calor extremo, aumentando riscos à saúde humana e aos ecossistemas.

Em tons de vermelho, uma anomalia de calor sobre o mar causada pelo El Niño. Fonte: Reprodução.
Impactos na agricultura
Alterações nos regimes de chuva podem afetar safras, produtividade e disponibilidade de alimentos. Enquanto algumas regiões podem ser beneficiadas por chuvas adicionais, outras enfrentam perdas significativas devido à seca ou excesso de precipitação.
Problemas ambientais
O aumento da temperatura dos oceanos favorece episódios de branqueamento de corais e pode provocar desequilíbrios em ecossistemas marinhos e terrestres.
Quais precauções devem ser adotadas?
Diante da possibilidade de um evento moderado a forte, especialistas recomendam medidas preventivas por parte dos governos e da população.
Para a população
- Acompanhar boletins meteorológicos e alertas oficiais;
- Evitar áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos;
- Manter calhas e sistemas de drenagem limpos;
- Elaborar planos familiares de emergência;
- Economizar água em regiões suscetíveis à seca;
- Redobrar os cuidados durante ondas de calor, com hidratação adequada e proteção contra a exposição excessiva ao sol.
Para produtores rurais
- Monitorar previsões sazonais;
- Planejar calendários de plantio conforme os cenários climáticos;
- Investir em sistemas de irrigação e armazenamento de água;
- Adotar práticas de conservação do solo.
Para o poder público
- Fortalecer sistemas de alerta precoce;
- Mapear áreas de risco;
- Realizar manutenção preventiva em drenagens urbanas;
- Preparar estruturas de defesa civil para possíveis emergências.
O retorno do El Niño em 2026 representa um importante alerta para governos, produtores rurais e população em geral. Embora ainda exista incerteza sobre sua intensidade máxima, os principais centros meteorológicos do mundo concordam que o fenômeno deverá influenciar significativamente o clima global nos próximos meses.
Monitoramento constante, planejamento antecipado e ações preventivas serão fundamentais para reduzir os impactos de enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos associados ao fenômeno. Como destaca a Organização Meteorológica Mundial, o momento de preparação é agora.
Fabrício Menardi. Doutor em Ciência Política pela Unicamp. Chefe do Gabinete Parlamentar na Câmara Municipal de São José do Rio Pardo.



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