Guardas municipais já superam efetivo das polícias civis no Brasil e ampliam debate sobre a municipalização da segurança

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o País possui 107,5 mil guardas municipais, contra 96,9 mil policiais civis. Especialistas defendem maior investimento em investigação criminal e alertam para a necessidade de ampliar mecani

Estadão
Guardas municipais já superam efetivo das polícias civis no Brasil e ampliam debate sobre a municipalização da segurança GCM de São José do Rio Pardo / Imagem de arquivo

O número de guardas municipais em atividade no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o contingente das polícias civis estaduais. Os dados constam da segunda edição do estudo Raio X das Forças de Segurança Pública do Brasil, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e revelam uma mudança significativa na estrutura da segurança pública brasileira.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, assinada pelo jornalista Ítalo Lo Re, o País conta atualmente com 107.457 guardas municipais distribuídos em 1.384 municípios, enquanto as Polícias Civis reúnem 96,9 mil agentes. Em apenas dois anos, o efetivo das guardas cresceu 12,9%, percentual muito superior ao avanço registrado pelas corporações estaduais.

O levantamento mostra que o efetivo total das forças de segurança brasileiras chegou a 818,5 mil profissionais, crescimento de 2,8% em relação a 2023. A Polícia Militar continua sendo a maior corporação do País, com 413,3 mil integrantes, seguida agora pelas guardas municipais.

Déficit de investigadores preocupa especialistas

Embora reconheçam o fortalecimento das guardas, pesquisadores do Fórum alertam que a expansão ocorre em um momento em que as estruturas responsáveis pela investigação criminal permanecem defasadas.

A Polícia Civil, por exemplo, opera com apenas 55,2% do efetivo considerado ideal, segundo o estudo. Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, a prioridade deveria ser ampliar a capacidade investigativa diante do crescimento de crimes complexos, como golpes virtuais, organizações criminosas e feminicídios.

Na avaliação do pesquisador, os investimentos têm privilegiado o policiamento ostensivo e a presença de viaturas nas ruas, enquanto áreas estratégicas de investigação continuam enfrentando limitações estruturais.

Guardas ganham protagonismo

O estudo também aponta que decisões recentes do Supremo Tribunal Federal ampliaram as atribuições das guardas municipais, permitindo atuação em policiamento ostensivo, comunitário e em prisões em flagrante. Esse novo papel reforçou o protagonismo dessas corporações dentro da segurança pública.

Entretanto, o Fórum alerta que esse crescimento não foi acompanhado por mecanismos nacionais de padronização e fiscalização. Segundo os pesquisadores, ainda há divergências até mesmo sobre o número exato de guardas existentes no País, exigindo o cruzamento de informações provenientes do Ministério do Trabalho, IBGE e Ministério da Justiça para consolidar os dados.

Outro ponto destacado é que algumas corporações municipais passaram a utilizar armamentos de maior poder ofensivo, aproximando-se operacionalmente das Polícias Militares. Para os especialistas, esse processo exige regulamentação mais clara e maior controle institucional.

Mudanças também atingem forças federais

Enquanto as guardas ampliam seus efetivos, algumas forças federais registraram redução de pessoal. A Polícia Federal apresentou queda de 2,8% em dois anos, passando de 12,9 mil para 12,5 mil servidores. Já a Polícia Rodoviária Federal teve redução de 4,3% no efetivo.

Por outro lado, a Polícia Penal Federal registrou crescimento de 7,3%, enquanto a Polícia Legislativa ampliou seu quadro em 16,3%.

Debate deve continuar

O crescimento das guardas municipais ocorre paralelamente à discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que poderá ampliar ainda mais as atribuições dessas corporações.

Para os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o fortalecimento das guardas representa uma mudança estrutural importante na segurança brasileira, mas precisa ser acompanhado por regras nacionais de atuação, mecanismos de controle e investimentos equilibrados entre prevenção, policiamento ostensivo e investigação criminal.

Fonte: Reportagem de Ítalo Lo Re, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 5 de agosto de 2026, com base no estudo Raio X das Forças de Segurança Pública do Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.