São José do Rio Pardo abre 504 empregos em agosto e lidera região mais uma vez
Mercado formal mantém trajetória de crescimento nas duas cidades, mas com perfis diferentes: agropecuária responde por 85% do saldo rio-pardense, enquanto serviços lideram a geração de vagas em Mococa
Quadro CAGED de agosto Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) referentes a agosto de 2026 mostram mais um mês de saldo positivo no mercado formal de trabalho de São José do Rio Pardo e Mococa. São José abriu 504 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 1.176 admissões e 672 desligamentos. Mococa registrou 256 novas vagas, com 996 contratações e 740 desligamentos.
O saldo do CAGED representa a diferença entre admissões e desligamentos durante o mês.
Não significa, portanto, que todas as 504 ou 256 pessoas tenham necessariamente ingressado pela primeira vez no mercado de trabalho: trata-se do crescimento líquido do estoque de empregos formais.
São José: agropecuária responde por quase todo o crescimento
Em São José do Rio Pardo, o resultado de agosto foi fortemente determinado pela agropecuária. O setor teve 563 admissões e apenas 135 desligamentos, produzindo saldo de 428 empregos. Sozinha, a atividade rural respondeu por cerca de 85% do saldo total de 504 vagas.

O estoque de empregos formais do município chegou a 17.540 trabalhadores, com crescimento relativo de 2,96% no mês.
Os demais setores apresentaram resultados bem menores. Serviços abriu 45 vagas, a indústria 30 e o comércio duas. A construção civil teve saldo negativo de uma vaga.
O comportamento mostra a forte influência do calendário agrícola sobre o mercado de trabalho rio-pardense. Em agosto, a diferença entre admissões e desligamentos na agropecuária foi de 428 postos, número muito superior ao resultado dos demais setores somados.

O tempo médio de emprego dos trabalhadores desligados no município foi de 16,2 meses, segundo os dados apresentados.
Mococa cresce, mas com economia mais distribuída
Mococa apresentou um resultado diferente. Embora também tenha sido beneficiada pela agropecuária, o principal motor da geração de empregos em agosto foi o setor de serviços, responsável por saldo de 131 vagas.
A agropecuária acrescentou 86 postos, a construção civil 39 e o comércio 24. A indústria, por outro lado, fechou o mês com saldo negativo de 24 empregos, resultado de 154 admissões contra 178 desligamentos.
O município terminou agosto com 20.879 empregos formais, crescimento relativo de 1,24%.
Assim, diferentemente de São José do Rio Pardo, onde o resultado esteve fortemente concentrado no campo, Mococa apresentou uma geração de empregos mais distribuída entre serviços, agropecuária e construção, embora tenha registrado perda líquida na indústria.
O tempo médio de emprego dos desligados em Mococa foi de 20 meses, superior aos 16,2 meses registrados em São José do Rio Pardo.
Mulheres lideram saldo em Mococa; homens em São José
Outra diferença aparece na distribuição por gênero.
Em Mococa, o saldo positivo foi maior entre as mulheres: 154 vagas, contra 102 entre os homens. As mulheres responderam, portanto, por aproximadamente 60% do saldo líquido do município.

Em São José do Rio Pardo ocorreu o inverso. Foram 337 vagas para homens e 167 para mulheres. Os homens responderam por aproximadamente dois terços do crescimento líquido registrado em agosto.

A diferença está diretamente relacionada ao perfil das atividades que mais contrataram em cada município, especialmente à forte participação da agropecuária no resultado rio-pardense.
Escolaridade revela perfis diferentes
Os dados por escolaridade também mostram diferenças importantes.
Em Mococa, o maior saldo foi entre trabalhadores com ensino médio completo: 176 vagas, equivalente a quase 69% do resultado líquido do mês. Houve ainda saldo positivo de 26 vagas para fundamental incompleto, 20 para médio incompleto, 21 para superior completo e 14 para fundamental completo. O ensino superior incompleto apresentou saldo negativo de duas vagas.
Em São José do Rio Pardo, o destaque foi o grupo com ensino fundamental completo, que teve saldo de 354 vagas. O ensino médio completo apareceu em seguida, com 137. O município ainda registrou saldo positivo de 20 vagas para médio incompleto, mas teve redução de oito postos entre trabalhadores com superior incompleto.
A concentração do saldo rio-pardense entre trabalhadores com ensino fundamental completo guarda relação com a composição das contratações da agropecuária, que dominou o resultado do mês.
Jovens e trabalhadores em idade produtiva
O mercado de trabalho também apresentou crescimento em praticamente todas as faixas etárias nos dois municípios.
Em Mococa, os maiores saldos foram registrados entre trabalhadores de 18 a 24 anos (+75), de 40 a 49 anos (+67) e de 30 a 39 anos (+63). Também houve crescimento entre 25 e 29 anos (+20), 50 a 64 anos (+18), até 17 anos (+9) e 65 anos ou mais (+4).
Em São José do Rio Pardo, o maior saldo também ocorreu entre jovens de 18 a 24 anos (+142). Depois aparecem as faixas de 30 a 39 anos (+110), 40 a 49 anos (+83), 25 a 29 anos (+92) e 50 a 64 anos (+43). Houve ainda saldo positivo de 21 vagas entre menores de 18 anos e 13 entre trabalhadores com 65 anos ou mais.
Os números indicam que o crescimento de agosto não ficou restrito a uma única faixa etária.
Agosto mantém sequência positiva
A comparação com os meses anteriormente analisados pelo DEMOCRATA mostra uma mudança importante no comportamento de Mococa e a manutenção de um ritmo elevado em São José do Rio Pardo.
Em abril de 2026, matéria publicada na Edição 1925 registrou saldo de +107 empregos em São José do Rio Pardo, enquanto Mococa teve -55. Naquele momento, o DEMOCRATA apontava a agropecuária e os serviços como importantes componentes do resultado rio-pardense, enquanto Mococa enfrentava retração principalmente na indústria e na agropecuária.
Em maio, publicado na Edição 1932, a diferença entre os municípios aumentou: São José do Rio Pardo apresentou +533 vagas, enquanto Mococa registrou -99. A análise daquela edição destacou a influência da sazonalidade agrícola sobre os municípios da região.
Em julho, matéria publicada na Edição 1937, São José voltou a liderar com +487 empregos, enquanto Mococa apresentou +214. Naquele mês, a agropecuária respondeu por praticamente todo o resultado positivo de São José, enquanto a indústria apresentou saldo negativo nos dois municípios. O DEMOCRATA também observou que parte das contratações agrícolas poderia ter caráter sazonal.
Agora, em agosto, São José do Rio Pardo chegou a +504, superando o resultado de julho em 17 vagas. Mococa avançou para +256, acrescentando 42 postos ao saldo de julho.
A sequência mostra que São José do Rio Pardo permaneceu com saldo positivo nos meses analisados e atingiu, em agosto, o segundo maior resultado da série considerada, atrás apenas dos +533 empregos de maio.
Mococa, por sua vez, passou de resultados negativos em abril e maio para saldos positivos em julho e agosto. Considerando o saldo acumulado até julho anteriormente informado pelo CAGED e publicado pelo DEMOCRATA, Mococa estava em aproximadamente -262 empregos no ano. Com os +256 de agosto, a diferença acumulada cai para cerca de -6 postos. São José do Rio Pardo, que acumulava +2.048 empregos até julho, chega a aproximadamente +2.552 vagas acumuladas até agosto, pela soma do resultado de agosto.
Os números reforçam, entretanto, a necessidade de observar os meses seguintes. O peso da agropecuária, especialmente em São José do Rio Pardo, faz com que o mercado de trabalho local seja sensível aos ciclos de contratação e desligamento ligados às atividades rurais.
Assim, o crescimento mensal é um indicador importante da movimentação do emprego formal, mas não deve ser interpretado isoladamente como sinônimo de crescimento permanente da economia.




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