São José do Rio Pardo lidera geração de empregos na região em julho
Município abriu 487 vagas com carteira assinada; agropecuária respondeu por praticamente todo o resultado. Mococa e Casa Branca também tiveram saldo positivo, enquanto Caconde e Tapiratiba fecharam o mês no vermelho
São José do Rio Pardo liderou a geração de empregos formais entre os municípios da região em julho de 2026. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam 1.168 admissões e 681 desligamentos, resultando em saldo positivo de 487 postos de trabalho.
O estoque de empregos formais no município chegou a 17.039 trabalhadores, com crescimento de 2,94% em relação ao estoque anterior.

O resultado, entretanto, teve forte influência da atividade agropecuária. O setor abriu 514 vagas líquidas no mês, enquanto Comércio (+20) e Construção Civil (0) tiveram desempenho mais discreto. Serviços (-25) e Indústria Geral (-22) apresentaram retração.
O peso do campo também aparece no perfil dos trabalhadores contratados. Dos 487 postos criados, 332 foram ocupados por homens e 155 por mulheres. Em relação à escolaridade, o saldo ficou concentrado principalmente entre trabalhadores com Ensino Fundamental completo (+267) e Ensino Médio completo (+209).

Entre as faixas etárias, os maiores saldos foram registrados entre trabalhadores de 40 a 49 anos (+105) e jovens de 18 a 24 anos (+104), seguidos pela faixa de 50 a 64 anos (+89).
Mococa abre 214 vagas
Mococa também fechou julho com saldo positivo. Foram 982 admissões contra 768 desligamentos, resultando em 214 novos postos formais. O estoque chegou a 20.619 empregos, com crescimento de 1,05%.
Mais uma vez, a agropecuária foi decisiva: o setor registrou saldo de +255 vagas. Construção (+16), Comércio (+9) e Serviços (+5) também contribuíram positivamente.

O contraponto veio da indústria de transformação, que perdeu 71 postos, com 156 admissões diante de 227 desligamentos.
O mercado de trabalho mocoquense apresentou forte predominância masculina, com 159 vagas para homens e 55 para mulheres. A maior concentração por escolaridade ocorreu entre trabalhadores com Ensino Fundamental incompleto, que responderam por 188 vagas.
Casa Branca combina agropecuária e comércio
Casa Branca apresentou o terceiro maior saldo entre os municípios analisados: +200 vagas. Foram 542 admissões e 342 desligamentos, elevando o estoque para 7.565 empregos formais, crescimento relativo de 2,72%.
A agropecuária abriu 151 vagas, enquanto o comércio teve desempenho expressivo, com +60 postos. Serviços (+12) e Construção (+3) também ficaram positivos.

A indústria, entretanto, perdeu 26 vagas.
Diferentemente de outros municípios, Casa Branca apresentou uma participação feminina mais próxima da masculina: foram 116 vagas para homens e 84 para mulheres.
O Ensino Médio completo concentrou o maior saldo, com 143 novos postos. Por idade, destacaram-se as faixas de 30 a 39 anos (+67) e 40 a 49 anos (+54).
Pequenos municípios têm comportamentos diferentes
São Sebastião da Grama encerrou julho com +34 vagas, resultado impulsionado pela agropecuária (+33) e pelo comércio (+9). Um dado chama atenção: as mulheres responderam por 26 vagas, contra apenas 8 entre os homens.
Em Divinolândia, o saldo foi de +26 empregos, mas com uma característica diferente. Comércio (+15) e Serviços (+10) foram os principais responsáveis pelo resultado, enquanto a agropecuária apresentou pequena retração (-2).
Itobi registrou saldo positivo de 55 postos, com destaque para trabalhadores com Ensino Médio completo (+34). O resultado foi de +37 vagas para homens e +18 para mulheres.
Caconde e Tapiratiba sentem o fim do ciclo agrícola
Na outra ponta da tabela, Caconde perdeu 112 empregos formais em julho, enquanto Tapiratiba registrou retração de 52 postos.
Em Caconde, a explicação está novamente no campo. A agropecuária apresentou saldo de -121 vagas, uma retração de 14,20% no estoque do setor. Indústria (+3), Construção (+3) e Comércio (+3) não foram suficientes para compensar as perdas.
O resultado negativo foi integralmente concentrado entre os homens, que perderam 112 postos, enquanto o saldo feminino ficou zerado.
Tapiratiba apresentou dinâmica semelhante. A agropecuária perdeu 44 vagas, equivalente a uma retração de 5,35% no estoque do setor. Serviços (-4), Comércio (-2) e Construção (-2) também registraram perdas.
Agricultura dita o ritmo do emprego regional
Os números de julho deixam evidente a influência da sazonalidade agrícola sobre o mercado de trabalho regional.
Enquanto São José do Rio Pardo e Mococa registraram forte abertura de vagas no campo, municípios como Caconde e Tapiratiba passaram por um movimento inverso, associado à desmobilização de trabalhadores após ciclos de colheita.
Isso significa que parte importante do crescimento registrado em julho pode ter caráter sazonal, e não necessariamente representar uma expansão permanente da economia local. O comportamento dos próximos meses será importante para verificar quanto dessas vagas permanecerá no mercado formal.
Outro ponto de atenção está na indústria. Mococa (-71), Casa Branca (-26) e São José do Rio Pardo (-22) registraram simultaneamente saldos negativos no setor industrial.
O cenário revela, portanto, uma economia regional com dois movimentos distintos: de um lado, a agropecuária sustentando a geração de empregos; de outro, a indústria apresentando ajustes.
Também chama atenção a concentração das novas vagas em trabalhadores de menor escolaridade ou em níveis intermediários de formação. Os postos destinados a trabalhadores com Ensino Superior tiveram saldo nulo ou negativo na maior parte dos municípios analisados.
Para São José do Rio Pardo, o resultado de +487 empregos em julho é expressivo e coloca o município na liderança regional.
A questão que permanece é saber quanto desse desempenho representa crescimento estrutural do mercado de trabalho e quanto está relacionado ao ciclo temporário de contratação do setor agrícola.




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