Mais do que ao Tribunal de Contas do Estado, Barison deve explicações ao povo de Mococa


Mais do que ao Tribunal de Contas do Estado,  Barison deve explicações ao povo de Mococa

As recentes manifestações do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), determinando que a Prefeitura de Mococa apresente explicações sobre sucessivas contratações e prorrogações emergenciais, revelam um problema que vai muito além de uma discussão burocrática. 

O que está em jogo é a capacidade da administração pública de planejar, executar e garantir a continuidade dos serviços essenciais.

A contratação emergencial é um instrumento previsto em lei para situações excepcionais. 

O que não pode se tornar regra é justamente a exceção. 

Quando um governo passa a depender constantemente de medidas emergenciais e de sucessivas prorrogações, evidencia-se a ausência de planejamento e de gestão eficiente.

Quem paga essa conta não é apenas o erário. 

É a população.

Em Mococa, o transporte coletivo tornou-se um exemplo claro dessa realidade. A insegurança jurídica provocada por contratos temporários e sucessivas renovações repercute diretamente na qualidade do serviço prestado aos usuários, que ficam sujeitos à instabilidade e à falta de previsibilidade quanto ao atendimento.

Agora, a situação alcança um setor ainda mais sensível: a saúde pública. 

A continuidade de contratações emergenciais e de prorrogações em uma área que atende milhares de pessoas diariamente acende um alerta ainda maior. 

A saúde exige planejamento permanente, contratos sólidos e segurança administrativa. Quando isso não ocorre, toda a população fica exposta às consequências da improvisação.

Não se trata de uma discussão política, mas administrativa. Governar é antecipar problemas, preparar licitações dentro dos prazos legais, organizar processos e garantir que serviços essenciais funcionem de forma contínua e segura. A repetição de soluções emergenciais demonstra justamente a ausência dessa capacidade de organização.

A atuação do Tribunal de Contas é, nesse contexto, um importante mecanismo de fiscalização. Ao exigir esclarecimentos da administração municipal, o órgão cumpre sua missão constitucional de proteger o interesse público e zelar pela correta aplicação dos recursos da sociedade.

Espera-se que as explicações apresentadas pela Prefeitura sejam suficientes para esclarecer os fatos. 

Mais do que isso, espera-se uma mudança de postura administrativa. Afinal, contratos emergenciais não podem substituir planejamento, nem prorrogações sucessivas podem se transformar em modelo de gestão.

A população de Mococa merece estabilidade nos serviços públicos, segurança jurídica nas contratações e uma administração capaz de prevenir problemas, em vez de apenas reagir a eles quando já se tornaram inevitáveis.

Porque a falta de gestão não produz apenas processos administrativos. Ela produz prejuízos ao dinheiro público e, principalmente, prejuízos à vida de quem depende diariamente dos serviços municipais.




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