Aos 140 anos, a Câmara busca seu verdadeiro papel
A Câmara Municipal de São José do Rio Pardo completa 140 anos de existência. Em termos históricos, é uma instituição ainda jovem. Mas, ao longo desse período, acompanhou — e muitas vezes refletiu — as transformações políticas e sociais de São José do Rio Pardo.
A cidade saiu de um coronelismo limitado e personalista para uma democracia mais aberta, fiscalizada e participativa.
Nesse percurso, a Câmara teve papel importante na representação popular e na consolidação da vida pública rio-pardense.
Nos últimos anos, sobretudo com o avanço das redes sociais, a política se aproximou da população.
Hoje, o cidadão acompanha votações, gastos e decisões praticamente em tempo real.
Sabe quando uma cadeira gamer é comprada com dinheiro público e também quando despesas incompatíveis com a realidade da população ganham repercussão. - como o filé mais caro da república.
A vigilância popular aumentou — e isso é saudável para a democracia.
A Câmara rio-pardense, apesar das críticas que naturalmente cercam o Poder Legislativo, também apresentou avanços importantes.
Nestes 140 anos enfrentou discussões delicadas como as que envolveram supersalários de servidores da própria Casa.
Agora, como mostra esta edição, tomou medida relevante ao proibir o encaminhamento de recursos públicos para entidades dirigidas por parentes de vereadores, enfrentando uma forma indireta de nepotismo que precisava ser debatida.
Nenhum amadurecimento institucional acontece sem conflitos.
E a atual legislatura, apesar das tensões internas e das pressões decorrentes de interesses pessoais e políticos, vem conseguindo avançar em pautas importantes para a moralidade administrativa.
Isso não significa ausência de problemas.
A Câmara ainda convive com um excesso de homenagens muitas vezes desproporcionais ao real mérito dos homenageados.
Em certos momentos, parece haver mais disposição para distribuir honrarias do que para discutir soluções concretas para os problemas da cidade.
E talvez esteja justamente aí a principal crise da Câmara aos 140 anos: uma crise vocacional.
O Legislativo precisa redescobrir seu papel.
Superar a política limitada a requerimentos, indicações e homenagens simbólicas.
A sociedade espera mais do que cerimônias e placas inaugurais. Espera debates qualificados e atuação efetiva na defesa dos interesses coletivos.
A Câmara Municipal amadureceu muito ao longo de sua história.
Mas a maturidade completa só chegará quando a instituição compreender que sua função principal não é homenagear pessoas — e sim representar cidadãos.







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