Dois modelos, dois caminhos

Jornal Democrata, edição 1917 de 4 de abril de 2026
Dois modelos, dois caminhos
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Temos acompanhado, na região, o desenvolvimento de duas cidades que hoje representam modelos distintos de gestão pública: São José do Rio Pardo e Mococa. 

A comparação, inevitável, revela mais do que estilos administrativos — evidencia consequências práticas na vida da população.

Em São José do Rio Pardo, a administração tem apostado em diálogo aberto, participação popular e planejamento. 

Ano após ano, a gestão conduz consultas públicas, ouve a população e busca direcionar os investimentos conforme as demandas reais da cidade. 

Esse método não apenas legitima as decisões, como também amplia a eficiência do gasto público.

Os resultados aparecem de forma concreta. 

Estão nos indicadores, como os dados do IGMA e do CAGED, mas também são visíveis nas ruas, nas obras e na percepção da população. 

Não se trata apenas de discurso, mas de uma política que busca alinhar planejamento, execução e transparência.

Mococa, por outro lado, parece seguir um caminho oposto. 

Predomina um modelo mais fechado, marcado por distanciamento entre poder público e população. 

Em vez do debate de ideias, observa-se a personalização da política: discute-se menos o conteúdo e mais quem o propõe. 

Críticas são tratadas como oposição a ser combatida, não como contribuição a ser analisada.

Esse contraste fica ainda mais evidente no funcionamento do Poder Legislativo. 

Em São José do Rio Pardo, ao discutir a concessão dos serviços de água, esgoto e coleta de resíduos, os vereadores atuaram para incorporar ao texto legal promessas inicialmente feitas fora dele. 

Houve, portanto, um esforço de transformar discurso em obrigação formal, garantindo maior segurança à população.

Já em Mococa, casos recentes indicam movimento inverso. 

Promessas do Executivo, como a construção de escola em áreas envolvidas em processos de desafetação, não chegam a ser formalizadas em lei. 

Mais grave: há situações em que a própria base governista impede que o tema seja debatido em plenário, bloqueando a possibilidade de discussão e aprimoramento do projeto.

O resultado desse modelo é previsível. 

Quando não há diálogo, transparência e compromisso formal com aquilo que se promete, o distanciamento entre governo e população se aprofunda. 

E esse afastamento, cedo ou tarde, se reflete nas ruas, nos serviços e na qualidade de vida.

Governar com participação fortalece instituições. Governar de forma fechada enfraquece a confiança pública.

No fim, são dois caminhos distintos — e os seus resultados já começam a falar por si.

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