Fios roubados, respostas ausentes
O furto de fios da rede elétrica deixou de ser um problema pontual para se tornar uma rotina preocupante em São José do Rio Pardo.
A cada novo registro, repete-se o mesmo roteiro: espaços públicos às escuras, prejuízo ao patrimônio público, sensação de insegurança e, sobretudo, a impressão de que o crime compensa.
Não se trata de um delito invisível ou de difícil compreensão.
O cobre, produto final desses furtos, não circula de forma difusa.
Ao contrário, sua comercialização ocorre em pontos específicos e conhecidos. Isso, por si só, já indicaria um caminho investigativo objetivo.
Há meses, a situação vem sendo levada à Polícia Civil, sem que a população tenha recebido uma resposta concreta.
O município fez a sua parte.
Modernizou-se, implantou sistema de monitoramento, identificou movimentações suspeitas e reuniu imagens.
O suspeito dos furtos - um único e notório cidadão, cujos feitos na seara dos furtos é conhecida, foi indicado pelo sistema de monitoramento.
Esse material foi encaminhado às autoridades competentes.
Ainda assim, o silêncio persiste.
Nesta semana, a Câmara Municipal decidiu agir institucionalmente, cobrando uma posição formal.
Trata-se de uma medida necessária, ainda que tardia, diante da escalada do problema e da ausência de resultados visíveis.
Enquanto isso, na região, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Casa Branca tem apresentado respostas concretas.
A unidade realizou diversas prisões relacionadas a furtos de energia elétrica e cabos em cidades vizinhas, demonstrando que, com estrutura e prioridade, é possível enfrentar esse tipo de crime de forma eficaz.
Diante desse contraste, surge uma reflexão inevitável: não seria o caso de ampliar a atuação e permitir que a DIG assuma ou auxilie diretamente nas investigações em São José do Rio Pardo?
A resposta ao furto de fios não pode se limitar a registros e estatísticas.
É preciso interromper a cadeia do crime — da subtração à comercialização.
Repiza-se: o número de compradores de cobre na cidade é exíguo e, aparentemente, não se trata de algo de maior nível de complexidade para o tirocínio investigativo do estado.
Isso exige ação coordenada, inteligência policial e, acima de tudo, prioridade.
A população já fez sua parte ao denunciar.
O município colaborou com tecnologia e informações.
O Legislativo agora cobra.
Falta, portanto, a resposta efetiva de quem tem a atribuição legal de investigar.
São mais de R$ 45 mil reais para recompor a iluminação só da Praça XV de novembro.
Acrescente o gasto com fiação na entrada da cidade - Av. Brasil - e na ponte Euclides da Cunha e os valores só fazem crescer.
Porque, enquanto os fios continuam sendo levados, o que se perde não é apenas cobre. Perde-se a confiança.







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