Fios roubados, respostas ausentes

Jornal Democrata, edição 1915 de 21 de março de 2026
Fios roubados, respostas ausentes
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O furto de fios da rede elétrica deixou de ser um problema pontual para se tornar uma rotina preocupante em São José do Rio Pardo.

A cada novo registro, repete-se o mesmo roteiro: espaços públicos às escuras, prejuízo ao patrimônio público, sensação de insegurança e, sobretudo, a impressão de que o crime compensa.

Não se trata de um delito invisível ou de difícil compreensão. 

O cobre, produto final desses furtos, não circula de forma difusa. 

Ao contrário, sua comercialização ocorre em pontos específicos e conhecidos. Isso, por si só, já indicaria um caminho investigativo objetivo.

Há meses, a situação vem sendo levada à Polícia Civil, sem que a população tenha recebido uma resposta concreta. 

O município fez a sua parte. 

Modernizou-se, implantou sistema de monitoramento, identificou movimentações suspeitas e reuniu imagens. 

O suspeito dos furtos - um único e notório cidadão, cujos feitos na seara dos furtos é conhecida, foi indicado pelo sistema de monitoramento.

Esse material foi encaminhado às autoridades competentes.

Ainda assim, o silêncio persiste.

Nesta semana, a Câmara Municipal decidiu agir institucionalmente, cobrando uma posição formal. 

Trata-se de uma medida necessária, ainda que tardia, diante da escalada do problema e da ausência de resultados visíveis.

Enquanto isso, na região, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Casa Branca tem apresentado respostas concretas. 

A unidade realizou diversas prisões relacionadas a furtos de energia elétrica e cabos em cidades vizinhas, demonstrando que, com estrutura e prioridade, é possível enfrentar esse tipo de crime de forma eficaz.

Diante desse contraste, surge uma reflexão inevitável: não seria o caso de ampliar a atuação e permitir que a DIG assuma ou auxilie diretamente nas investigações em São José do Rio Pardo?

A resposta ao furto de fios não pode se limitar a registros e estatísticas. 

É preciso interromper a cadeia do crime — da subtração à comercialização. 

Repiza-se: o número de compradores de cobre na cidade é exíguo e, aparentemente, não se trata de algo de maior nível de complexidade para o tirocínio investigativo do estado.

Isso exige ação coordenada, inteligência policial e, acima de tudo, prioridade.

A população já fez sua parte ao denunciar. 

O município colaborou com tecnologia e informações. 

O Legislativo agora cobra. 

Falta, portanto, a resposta efetiva de quem tem a atribuição legal de investigar.

São mais de R$ 45 mil reais para recompor a iluminação só da Praça XV de novembro.  

Acrescente o gasto com fiação na entrada da cidade - Av. Brasil - e na ponte Euclides da Cunha e os valores só fazem crescer.

Porque, enquanto os fios continuam sendo levados, o que se perde não é apenas cobre. Perde-se a confiança.

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