Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

17º Domingo do Tempo Comum

A abundância dos dons e a beleza do Reino de Deus!

Jornal Democrata, edição 1932 de 26 de julho de 2026
17º Domingo do Tempo Comum

Temos a graça de celebrarmos o Décimo Sétimo Domingo do TempoComum. A liturgia deste domingo segue a tônica do domingo passado onde estamosfalando sobre a realidade do “Reino dos Céus”.

A primeira leitura – 1Rs 3, 5.7-12 – Salomão tem a intimidade comDeus por meio de um sonho. Tem-se aí uma grande intimidade dele com Deus.Salomão pede ao Senhor: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo emlugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe aindacomo governar”. Salomão a princípio coloca o empecilho diante da missão querecebe, mas, o Senhor o cativa e diz que estará com ele nesta missão: “Já quepediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nema morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vousatisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nuncahouve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”. (1 Rs 3,11-12).

Na segunda leitura – Rm 8, 28-30 – “Sabemos que tudo contribuipara o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação,de acordo com o projeto de Deus” (Rm 8, 28). A carta aos Romanos quer nosmostrar que por meio desta passagem que somos chamados ao amor e a salvação.Deus quer que todos tenham essa intimidade com Ele. Deus predestina todos asalvação, mas, para isso existe a liberdade. O Senhor chama os justos e assimos glorifica.

O Evangelho de Mt 13, 44-52: nos domingos deste tempo do ano, osevangelhos são tomados do capítulo 13 de Mateus, o sermão de Jesus emparábolas. Este capítulo é paralelo a Mc 4. Neste Evangelho, Jesus falando-nosdo Reino dos Céus, saído do barco à beira-mar, chegado em casa, ele nos contaainda três parábolas: o Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo;um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o adquire! O Reino dosCéus é como uma pérola de grande valor; o homem vende tudo e, fascinado por suabeleza, vende tudo e a adquire… Observem, irmãos, que Jesus nos quer fazercompreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra o sentido da vida,encontra aquilo porque vale a pena viver. Quem de verdade encontra o Reino,quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai ligeiro, vende tudo,fica cheio de alegria! Encontrar o Reino é encontrar Jesus, e encontrar Jesusde verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da existência… éencontrar-se consigo mesmo.

Nas duas parábolas, mesmo sendo parecidas entre si, apresentamdiferenças dignas de nota: O tesouro significa a abundância de dons; a pérola,a beleza do Reino. O tesouro apresenta-se de repente, a pérola supõe, pelocontrário, uma busca esforçada; mas em ambos os casos o que encontra ficainundado de uma profunda alegria. Assim é a fé, a vocação, a verdadeirasabedoria, o desejo do céu: por vezes, apresenta-se de modo inesperado, outrassegue-se a uma intensa busca. A atitude do homem, em ambas as parábolas, estádescrita com os mesmos termos: “vai e vende tudo o quanto tem e compra-a: odesprendimento, a generosidade, é condição indispensável para o alcançar.

Precisamos descobrir que o Reino exige um olhar iluminado pelagraça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes dediscernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão,um coração para compreender: “Dá ao teu servo um coração compreensivo – umcoração que escute!” No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando:“Compreendeste essas coisas?” – Senhor, pedimos nós, dá-nos um coração capaz decompreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo! Mostra-nos otesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de grande valor, pelaqual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos sentir que, peloReino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar a família edinheiro não ter!

Ao olhar para este Evangelho deste domingo, vemos diante destasparábolas a realidade do Reino dos Céus, pois, este Reino não é puramente umaUtopia, mas, este Reino de Deus é uma realidade. Realidade esta que começa servivenciada aqui e continua na parusia. Somos convidados a procurar esta perola,somos chamados a sermos discípulos do Reino dos Céus. E como viver a realidadedo céu? Servindo e amando, buscando a cada dia fazer a vontade de Deus querseja em nossas famílias, paróquias, trabalho etc. Onde estejamos devemosacolher e levar este Reino de Deus a tantos que ainda não buscam. Vale a penaseguir a Jesus e ser testemunha da sua Palavra e do seu amor. Que Deus nos abençoee nos faça entregarmos sempre e estarmos sempre N’Ele.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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