Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

3º Domingo da Páscoa

“Fica conosco, pois já é tarde e à noite vem chegando!” (Lc 13,30).


3º Domingo da Páscoa Jornal Democrata, edição 1919 de 18 de abril de 2026

Celebramos neste domingo o terceiro do Tempo da Páscoa. Na semana passada, celebramos o Domingo da Divina Misericórdia e encerramos o período que chamamos de “Oitava da Páscoa”. Desde segunda-feira, continuamos no Tempo Pascal, que vai até a Solenidade de Pentecostes.

O Tempo Pascal é um período de grande alegria, pois anunciamos que Cristo ressuscitou. Ao longo destes domingos, acompanharemos Jesus ressuscitado aparecendo aos Apóstolos. Na semana que vem, recordaremos Cristo Bom Pastor, que tem carinho e amor por suas ovelhas e cuida de cada uma. No sétimo domingo da Páscoa, celebraremos a Solenidade da Ascensão de Jesus ao céu. O Senhor volta ao Pai e envia o Espírito Santo aos discípulos para que deem continuidade a tudo o que Ele ensinou.

A cada domingo, recordamos a Páscoa semanal de Cristo. Por isso, além do Tempo Pascal, devemos participar da Missa todos os domingos, pois, conforme Jesus disse na Última Ceia: “Fazei isto em memória de mim”. Ou seja, em cada Eucaristia recordamos a entrega de Jesus por nós. Reunamos a nossa família e participemos da Missa todos os domingos, em torno da mesa da Palavra e da Eucaristia.

Jesus quer caminhar conosco, do mesmo modo que caminhou com os discípulos de Emaús. Ele quer abrir os nossos ouvidos para que acolhamos a mensagem em nosso coração. Precisamos acolher a Palavra em nosso coração para compreender o grande mistério da Eucaristia. Por isso, na celebração da Missa, participamos de duas grandes mesas: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Precisamos primeiro acolher a Palavra de Deus, entender o mistério que vem por meio dela, para depois participarmos do banquete eucarístico.

A fé não se explica, mas se vive. É muito difícil explicar, para quem não tem fé, o que é a fé. O que podemos fazer é anunciar o “querigma”, ou seja, fazer o anúncio da salvação à pessoa e depois conduzi-la até a Igreja. Se a pessoa quiser e desejar, nós a catequizamos e a conduzimos ao Batismo; a partir desse momento, ela passará a vivenciar a fé.

A primeira leitura da Missa deste domingo é do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,14.22-33). Pedro, como líder do grupo dos Onze, sendo o primeiro Papa da Igreja, no dia de Pentecostes, cheio do Espírito Santo, fala à multidão. Ele anuncia tudo aquilo que Jesus fez enquanto esteve entre nós: os prodígios e portentos que realizou; e, mesmo assim, as autoridades judaicas mandaram crucificá-lo. Pedro afirma que Jesus ressuscitou dos mortos pelo poder de Deus, que não ficou no sepulcro nem teve seu corpo roubado, como diziam as autoridades. Ele afirma ainda que, do mesmo modo que Cristo ressuscitou, nós, que cremos n’Ele, também ressuscitaremos. Jesus recebeu de Deus o Espírito Santo e derrama esse mesmo Espírito sobre a Igreja e sobre cada um de nós.

O Salmo responsorial é o 15 (16), que nos diz em seu refrão: “Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites!”. Somente em Deus encontraremos a felicidade completa. Por isso, a nossa vida aqui na terra é passageira, e devemos almejar a vida eterna, onde viveremos para sempre ao lado de Deus. Durante a nossa peregrinação terrestre, desde o nosso Batismo, somos chamados a viver a santidade e a buscar uma vida com Deus. E, quando morrermos, não será o fim, mas o começo de uma nova vida ao lado d’Ele.

A segunda leitura da Missa deste domingo é da Primeira Carta de São Pedro (1Pd 1,17-21). Pedro nos exorta a colocar a nossa esperança em Deus. Não devemos confiar nos homens, mas somente em Deus: n’Ele está a nossa esperança. Jesus nos ensinou o caminho da humildade e morreu na cruz por amor a nós. Ele selou uma aliança eterna entre Deus e a humanidade, e, por meio d’Ele, alcançamos a fé. Do mesmo modo que Deus concedeu que seu Filho ressuscitasse dos mortos, nós também ressuscitaremos. Mantenhamos viva a nossa fé.

O Evangelho deste domingo é de São Lucas (Lc 24,13-35), o conhecido trecho dos discípulos de Emaús. O Evangelho começa dizendo que, naquele mesmo dia, o primeiro da semana — isto é, o Domingo da Ressurreição —, Jesus se aproxima de dois discípulos que iam para o povoado de Emaús. Eles não o reconheceram num primeiro momento e pensaram tratar-se de mais um peregrino.

Os discípulos estavam tristes e cabisbaixos e, pelo caminho, conversavam sobre tudo o que havia acontecido, especialmente sobre a morte de Jesus. Ele faz como se não soubesse e pergunta sobre o assunto; eles chegam a dizer que Ele era o único peregrino em Israel que não sabia dos acontecimentos. Jesus, então, pede que contem o que ocorreu. Depois de ouvirmos tudo, Ele lhes explica que era necessário que tudo aquilo acontecesse e, a partir das Escrituras, abre-lhes o entendimento sobre os acontecimentos.

Quando se aproximavam do povoado, Jesus fez menção de seguir adiante, mas eles insistiram: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” (Lc 24,29). Jesus aceitou o convite e ficou com eles. Tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e o distribuiu. Nesse momento, os olhos dos discípulos se abriram e eles o reconheceram; porém, Ele desapareceu da frente deles. Então comentavam entre si: “Não ardia o nosso coração quando Ele nos explicava as Escrituras?”. Na mesma hora, levantaram-se e voltaram a Jerusalém para anunciar aos Onze o que havia acontecido, e estes confirmaram que o Senhor havia ressuscitado e aparecido a Pedro.

Quanto tempo de oração dedicamos ao Senhor? Quando ouvimos a Sagrada Escritura, sentimos algo em nosso coração? Quando o sacerdote, na Missa, parte o pão, reconhecemos que é o próprio Cristo diante de nós? Façamos como os discípulos de Emaús: saiamos ao encontro dos irmãos para anunciar que Cristo vive e está no meio de nós.

Celebremos com alegria este terceiro Domingo da Páscoa e espalhemos a alegria da vida nova em Deus a todos que encontrarmos. Sejamos discípulos e missionários do Senhor, portadores da Boa-Nova.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ




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