Quem o Sindicato Rural representa?


Quem o Sindicato Rural representa?

O Sindicato Rural existe para cumprir uma missão muito clara: representar os interesses dos produtores rurais. É essa a razão de sua existência. É para isso que recebe a confiança da categoria. Por isso, toda iniciativa promovida pela entidade deve ter como foco principal o fortalecimento do agronegócio e a defesa das demandas de seus associados.

O Segundo Seminário Nacional da Beterraba nasceu com a proposta de fomentar uma importante cadeia produtiva, estimular o desenvolvimento regional e promover a troca de conhecimento técnico. Era essa a expectativa de quem participou do evento.

Entretanto, a presença de um deputado federal, ex-ministro de um governo petista e apontado como pré-candidato, acabou deslocando o foco da programação. Mais do que isso, seu discurso incluiu críticas à família Bolsonaro, inserindo um componente político-partidário que pouco ou nada tinha a ver com o objetivo oficialmente anunciado para o seminário.

Independentemente da posição ideológica de cada participante, é difícil compreender qual o benefício prático dessa abordagem para os produtores rurais. O agricultor comparece a um seminário em busca de tecnologia, mercado, produtividade, inovação e soluções para os desafios do campo — não para assistir a embates partidários.

O agronegócio paulista possui enorme diversidade de pensamento político. Contudo, é inegável que uma parcela expressiva do setor manifesta, há anos, forte resistência ao projeto político liderado pelo Partido dos Trabalhadores. Ignorar essa realidade é, no mínimo, desconhecer o público que o próprio sindicato pretende representar.

Mais preocupante, porém, é a percepção crescente entre produtores rio-pardenses de que pautas importantes da categoria vêm perdendo espaço. Questões ligadas à infraestrutura rural, manutenção das precárias estradas rurais, custos de produção, defesa sanitária, crédito, logística e outras reivindicações frequentemente levantadas pelos agricultores deveriam ocupar o centro da atuação sindical. São essas demandas que justificam a existência da entidade e pelas quais seus dirigentes devem ser cobrados.

Naturalmente, qualquer instituição tem o direito de convidar autoridades de diferentes correntes políticas para seus eventos. O pluralismo faz parte da democracia. O problema surge quando o espaço institucional parece servir mais à projeção política de convidados ou às preferências da diretoria do que aos interesses concretos da categoria.

O Sindicato Rural não pertence aos seus dirigentes. Tampouco deve ser instrumento de promoção política de quem quer que seja. Pertence aos produtores rurais, que esperam de sua entidade representativa independência, equilíbrio e compromisso permanente com os desafios do campo.

O protagonismo que o Sindicato Rural deve buscar não é o de inserir debates partidários em seus eventos,  especialmente em ano eleitoral, mas o de liderar a defesa dos agricultores e pecuaristas que representa. Afinal, a força de uma entidade de classe se mede pela capacidade de defender sua categoria — e não pela proximidade com este ou aquele projeto político.




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