O Brasil Que Não Se Faz Respeitar
Luís Inácio / Internet Veio de Teerã, e não de Brasília, o diagnóstico mais honesto sobre o Brasil de hoje. Mohammad Marandi, professor da Universidade de Teerã e figura próxima ao governo iraniano, disse à Folha de S.Paulo o que muitos brasileiros já sentem, mas que a imprensa grande reluta em admitir: "O Brasil é um país fraco." Não como insulto gratuito, mas como constatação fria de quem observa o mundo pelo ângulo da força e da consequência. Para o Irã, que resiste a guerras e sanções com a espinha erguida, o Brasil é um país de boas intenções e gestos vazios — um lugar de onde se fala sobre liberdade sem jamais pagar o preço por ela.

Mohammad Marandi / BBC
A pergunta que nos cabe fazer, aqui no interior paulista como em qualquer canto deste país, é: por que chegamos a isso?
A resposta não é simples, mas tem nome e endereço. Anos de governo Lula deixaram marcas que vão muito além da inflação nos mercados ou do arrocho no salário do trabalhador. O que se viu foi o enfraquecimento sistemático do Estado brasileiro como entidade soberana, substituído por um aparelho ideológico a serviço de um projeto de poder. Enquanto o presidente viajava o mundo condenando genocídios em discursos emocionados, o Brasil se tornava cada vez menos capaz de agir — e os outros países aprenderam a distinguir retórica de realidade.
Internamente, o preço foi ainda mais alto. Instituições que deveriam ser guardiãs da república foram aparelhadas uma a uma. O Judiciário, que deveria ser o último bastião da imparcialidade, tornou-se palco de perseguição seletiva a adversários políticos da esquerda no poder. Não se trata de opinião — trata-se de um padrão reconhecível por qualquer cidadão que acompanha os noticiários sem a lente partidária. Quem diverge do projeto paga o preço; quem serve ao projeto é protegido.
O resultado é um Estado que descobriu ser mais rentável agir como classe do que como nação.

Presidente Luís Inácio Lula da Silva
Uma burocracia que produz sentido ideológico para justificar sua própria expansão, enquanto a burguesia brasileira — quando existe como tal — funciona mais como intermediária de capitais estrangeiros do que como agente do desenvolvimento nacional. O campo intelectual e científico, por sua vez, mira a "internacionalização" como troféu, enquanto a "nacionalização" do conhecimento — sua aplicação real ao Brasil profundo, ao interior, às cidades como a nossa — segue adiada indefinidamente.
Marandi não tem expectativas do Brasil. Não as tem para com a Venezuela, Cuba ou o Irã. Esse vazio de expectativa não é acidente — é o produto de escolhas feitas ao longo de anos por um governo que confundiu simpatia ideológica com política externa e discurso com ação. Lula criticou. Lula condenou. Lula não fez nada de concreto.
O Brasil merece mais do que ser lembrado como "pessoas legais que ficam longe e falam sobre liberdade." Merece um governo que reconstrua suas instituições com independência, que trate a soberania nacional como prioridade e que entenda que respeito internacional não se conquista com palavras — conquista-se com coerência, com força e com a disposição real de defender o que se diz acreditar.
Enquanto isso não acontecer, continuaremos sendo, aos olhos do mundo, exatamente o que Marandi disse: um país fraco.







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