Mococa segue sem planejamento
A sucessão de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo sobre a gestão da Prefeitura de Mococa já deveria ter servido como alerta suficiente para uma mudança de postura administrativa. Mas o que se vê, na prática, é a manutenção de uma política voltada mais para a aparência do que para a solução concreta dos problemas da cidade.
Enquanto os relatórios técnicos seguem indicando falhas, inconsistências e deficiências administrativas, a população continua convivendo com ruas deterioradas, serviços públicos questionados e a sensação crescente de abandono. Não faltam vídeos, fotos produzidas com inteligência artificial e postagens cuidadosamente elaboradas nas redes sociais oficiais da Prefeitura. Falta, porém, planejamento real, transparência e gestão eficiente.
A comunicação institucional, que deveria servir para informar o cidadão com responsabilidade, tornou-se uma vitrine política permanente. Em muitos casos, as peças publicitárias divulgadas pela administração municipal chegam a reproduzir estética e linguagem extremamente semelhantes às utilizadas pelo próprio prefeito em suas redes pessoais, confundindo os limites entre promoção institucional e promoção política.
O problema se agrava quando até ações básicas de manutenção urbana passam a ser alvo de suspeitas. Vereadores de oposição têm apontado repetidamente a ausência de um planejamento técnico claro para a recuperação das vias públicas. A situação das ruas de Mococa demonstra que não existe um programa consistente de manutenção preventiva ou recuperação efetiva do pavimento.
O que se observa são medidas pontuais, frequentemente anunciadas como grandes feitos administrativos, mas incapazes de resolver estruturalmente o problema.
Agora, surgem questionamentos ainda mais preocupantes: a possibilidade de que até mesmo a operação tapa-buracos dependa de indicações pessoais de políticos. Se confirmado, trata-se de uma distorção grave da função pública. Serviços essenciais não podem obedecer critérios de conveniência política, amizade ou pressão eleitoral. Devem seguir prioridades técnicas, necessidades reais da população e planejamento transparente.
Enquanto isso, a administração parece apostar cada vez mais em eventos, festas e agendas públicas como ferramenta de fortalecimento de imagem.
Evidentemente, atividades culturais e eventos têm sua importância para a vida social da cidade. Mas nenhum espetáculo substitui gestão eficiente. Nenhuma postagem patrocinada resolve o desgaste do asfalto. Nenhuma imagem produzida por inteligência artificial consegue esconder por muito tempo a realidade percebida diariamente pela população.
Mococa necessita de governo, não de encenação. Precisa de planejamento, responsabilidade administrativa e respeito ao dinheiro público. A cidade não pode continuar à deriva enquanto a prioridade parece ser a construção de narrativas positivas nas redes sociais.
A propaganda pode até produzir curtidas. Mas é a realidade das ruas que produz a verdadeira avaliação popular.







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