É preciso entender

Jornal Democrata, edição 1914 de 14 de março de 2026
É preciso entender
Publicidade

A semana trouxe um debate que ultrapassa a discussão técnica sobre impostos ou zoneamento urbano. 

Em São José do Rio Pardo, a revisão da tabela de zoneamento utilizada para o cálculo do IPTU acabou revelando um problema mais profundo: o papel e a responsabilidade de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

O caso ganhou destaque quando o vereador Alexandre Tozini passou a levantar críticas à execução de um projeto de lei que trata justamente dessa readequação. 

O fato que chamou atenção, porém, foi outro: o próprio vereador havia votado a favor da proposta quando ela tramitou na Câmara Municipal. 

Mais do que isso, admitiu publicamente que não havia compreendido o conteúdo do projeto no momento da votação.

A situação serve de alerta. 

O mandato de vereador não se resume a ocupar uma cadeira em sessões ou expressar opiniões momentâneas. 

O trabalho legislativo exige leitura atenta de projetos, compreensão de seus impactos e capacidade de representar, de forma responsável, os interesses da população.

O caso também evidencia um fenômeno recorrente na política brasileira: a eleição motivada mais por disputas pessoais ou paixões eleitorais do que pela análise da capacidade dos candidatos. 

No sistema proporcional, votos dados a um partido ou coligação podem eleger candidatos que individualmente não alcançariam votação suficiente, que não carreguem representação suficiente. Foi o que aconteceu com este vereador.

O preço do oba-oba da oposição querendo emplacar um desafeto do prefeito começa a cobrar seu preço em São José do Rio Pardo. Um vereador dizer que votou a favor de um projeto desta importância e diz que não entendeu o que votou é dar um tapa na cara do cidadão.

Isso é parte da regra democrática. 

No entanto, reforça ainda mais a necessidade de atenção do eleitor.

Escolher representantes como quem escolhe um time de futebol — movido por rivalidades ou simpatias — tende a produzir distorções. 

A política não deveria ser movida por ódio ou antagonismos pessoais, mas pela competência, pela responsabilidade e pelo compromisso com o interesse público.

Exatamente os descontentes com a nova regra, eleitores do grupo político do vererador, são os que mais devem avaliar como escolher quem os represente, efetivamente, na Câmara.

A Câmara Municipal é o espaço onde se discutem leis que afetam diretamente a vida dos cidadãos: impostos, uso do solo, investimentos públicos e serviços essenciais. 

Quem ocupa esse espaço precisa estar preparado para compreender o que vota e responder por suas decisões.

O episódio recente, mais do que uma polêmica passageira, deixa uma lição importante para a democracia local: representação política exige preparo. 

E cabe ao eleitor, no momento do voto, avaliar com atenção quem realmente está apto a exercer essa função.

A qualidade da política começa, inevitavelmente, na escolha de quem representa a população.

Se o eleitor votar, sem entender isso, em candidatos nas eleições corre risco de ver seu candidato, eleito, votar sem entender também na Câmara.

Publicidade



Ouça o áudio da Matéria





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.