Todo dia é dia de respeitar mulher
Zildão e o Jacaré - I.A. Na padaria conhecida na cidade, juntou gente naquele sábado. Café passado, prosa solta e um sol preguiçoso entrando pela porta. Era quase Dia da Mulher.
Parou um carrão importado, brilhando mais que espelho novo. Desceu um antigo coronel da região, camisa cara, relógio grosso no pulso e conversa mais grossa ainda.
Sentou, pediu um café e começou a contar vantagem.
— Lá em casa eu sou moderno — disse ele, rindo. — No Dia da Mulher eu deixo minha esposa descansar. Não deixo ela fazer nada. É meu presente pra ela.
Alguns riram meio sem graça.
Zildão, que estava quieto num canto, mexendo o açúcar no café devagar, só escutava.
O homem continuou:
— E você, Zildão? Também faz essas modernidades ou ainda é desses da roça antiga?
A padaria ficou silenciosa.
Zildão levantou os olhos, coçou o queixo e respondeu com a calma de quem não precisa falar alto pra ser ouvido.
— Lá em casa é diferente.
O homem sorriu, já esperando alguma coisa pra rir.
— Diferente como?
Zildão deu um gole no café e disse:
— Lá em casa eu não dou descanso no Dia da Mulher, não.
Alguns arregalaram os olhos.
O homem abriu um sorriso debochado.
— Tá vendo? Sabia…
Zildão então completou, manso:
— Porque respeito a gente não dá um dia por ano.
A padaria ficou muda.
Ele continuou:
_Tudo quanto é mulher tem que ser tratada com respeito e atenção é todos os dias.
Fez uma pausa.
— Então lá em casa não tem esse negócio de homenagear mulher um dia só. Lá em casa a gente respeita a mulherada é todo dia.
Ninguém falou mais nada.
O coronel ficou quieto, olhando pro café.
Zildão terminou o dele, levantou e foi saindo.
Na porta, ainda disse:
— Porque mulher não precisa de presente de um dia… precisa é de respeito a vida inteira.
E saiu pra ganhar seu dia de trabalho.
Sem barulho.
Mas deixando uma lição que fez mais eco que qualquer discurso.







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